sábado, janeiro 30, 2016

Quem diria, o bolsa família não foi invenção de FHC e nem de Lula.


A gente vai vivendo e aprendendo. 
Sou fã da escola austríaca de economia, para muitos a semente do neoliberalismo. A escola de Chicago, mais contemporânea é outro ícone do neoliberalismo, tão combatido pela esquerda, mas cheio de resultados incontestáveis, ao contrário dos bem intencionados socialistas que nunca conseguiram colocar o modelo em pê, ou melhor, colocam enquanto dura o dinheiro extraído do setor produtivo e da sociedade.
Não foi minha surpresa, lendo e excelente livro de Leandro Narloch, O Guia politicamente incorreto da economia, me deparei esta pérola:
O Nosso bolsa Família não foi invenção de Lula e nem FHC. 
Segundo Narloch, nas páginas 100, 101. 102 e 103 deste interessante livro, ele coloca o seguinte:
  1. Frederich August von Hayek e Milton Friedman criaram  este tipo de programa assistencialista, mas com a lógica na economia neoliberal. Afinal, a boa intenção de acabar a pobreza não é privilégio e nem monopólio da esquerda.
  2. Estes dois são odiados pela esquerda, um da escola austríaca e outro da escola de Chicago.
  3. O bolsa Família é a maior bandeira da esquerda tupiniquim.
  4. O Eduardo Suplicy, ex-senador petista, escreveu o livro  Renda de Cidadania e afirma que teve inspiração em Marx e Jesus, meio paradoxal as fontes dele, mas bem ao seu estilo.  Ele cita Friedman no livro.
  5. A proposta de Milton Friedman está no livro Capitalismo e Liberdade de 1962, onde ele cria a teoria do "imposto de renda negativo" para que os mais pobres possam ter acesso a mais renda e mitigar a pobreza. Afinal renda é o combustível da economia.
  6. Milton Friedman, entretanto, previu o desastre e o ponto negativo: AS IMPLICAÇÕES POLÍTICAS. Em linguagem clara, a compra de votos e uso eleitoral destes programas, que assistimos recentemente aqui no Brasil.
  7. Frederich Hayek coloca a questão como teoria ligada a liberdade do cidadão. Segundo ele: "A garantia de uma renda mínima para todos, ou uma espécie de piso para todos, onde ninguém precisa descer, mesmo quando incapaz de se sustentar, parece constituir uma proteção perfeitamente legítima contra a coerção e abuso de poder" Quem diria em Suplicy?
  8. O Bolsa Família, porta estardante do PT e que não funciona mais com o ambiente inflacionário que estamos vivendo (10,7% em 2015) foi inspirado no Bolsa Escola de FHC, mas no fundo foi idealizado pelo economista liberal Ricardo Paes de Barros, denominado "agenda Perdida" em 2001 e que sugeria concentrar gastos do governo nos mais pobres. José Serra considerou "de direita" e anos depois Armíno Fraga apresentou ao Antônio Palocci que o adotou. Armínio Fraga? Isso mesmo.
  9. Agora pasmem: Augusto Pinochet , o odiado general e presidente que deu rumo ao Chile nos anos 70 e 80 foi o precursor destes programas. Assessorado pelos "Chicagos Boys" que reconstruíram a economia chilena e segundo o New Life Review, o subsídio único familiar implantado em 1981 pelo chileno dava dinheiro as mães pobres que mantinham seus filhos na escola. Ou seja, o primeiro programa de transferência de renda latino americano foi implantado pelo ditador Pinochet.
  10. O Bolsa Escola, muito mais eficiente do que o Bolsa Família com certeza teve a inspiração no Chile.                                                                                                                                                                                                                                                                                  
Já li os livros de Leandro Narloch, Guia Politicamente Incorreto do Brasil, e Guia Politicamente incorreto da América Latina e este Guia Politicamente incorreto da Economia, recomendo todos. Este da Economia é genial.

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Eleições dos EUA em 2016

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Sempre acompanhei as eleições americana, adoro, principalmente quando os candidatos são definidos pelos partidos e a campanha começa pra valer.
Poucos sabem, mas lá têm muitos partidos além do Partido Republicano e Partido Democrata.
A eleição lá é opcional para os eleitores.
Normalmente são colocados um monte de tópicos para serem votados como referendo ou plebiscito nos diversos estados.
A votação pelos eleitores não é determinante porque os mais votados são submetidos a um colégio eleitoral, eleitos delegados na mesma votação.
Caso recente onde o candidato ganhou no voto popular (diferença mínima) e perdeu no colégio: George W. Busch x Al Gore. 
A economia americana está bem, cresceu em 2015 e deve crescer em 2016 , 2,6%, o que é ótimo para eles e para o mundo. Barack Obama tem uma popularidade aceitável e luta para fazer o sucessor. A economia pode ajudar, mas é raro 3 mandatos seguidos pelo mesmo partido.
Os principais candidatos se digladiam pela indicação, para depois disputar a eleição e posteriormente o colégio eleitoral.
Os principais, R para republicanos e D para democratas, são:

  1. Ben Carson - R
  2. Bernie Sanders- D
  3. Hilary Clinton - D
  4. Ted Cruz - R
  5. Jeff Busch - R
  6. Donald Trump - R
  7. Marco Rubio - R
  8. Joe Biden- D, atual vice desistiu. Perdeu um filho de 40 anos e isso pode ter tirado o pique dele. Compreensível.

Dentes estes, 99% de chance de sair o próximo presidente. Importante para o mundo todo. A locomotiva tem que ficar firme, porque é também máquina de guerra poderosa, a mais poderosa do mundo e um maluco lá pode causar estragos na humanidade.
Independente doo partido, a liberdade e democracia mandam nos EUA e o povo é o contraponto de um eventual maluco que chegue lá. Já houve alguns impeachments na história americana, por diversos motivos e inclusive presidente socialista, obviamente não deu certo.  Woodrow Wilson, talvez o pior presidente que os EUA já teve. Democrata governou duas vezes os EUA, e aproveitou a primeira guerra para implantar medidas centralizadoras., Muitos atribuem a crise de 1929, dentre outras razões, ao legado "socialista' de Wilson.
Não há como julgar quem é favorito, mas eu acho que os republicanos têm mais chances pela alternância de poder natural por lá. Ben Carso  e Donald Trump despontam, Jef Busch já esteve melhor..Pelos democratas Hilary Clinton e o senador Bernie Sanders despontam, mas com franco favoritismo de Hilary.Ou seja, muito provável que a disputará se dará entre Hilary Clinton pelos democratas e Trump ou Carson pelos republicanos.Algumas considerações:
  1. Sempre haverá candidatos nanicos e independentes, as vezes dezenas,, que só aparecem localmente para fazer cabeça de ponte para outro cargo ou mesmo vaidade.
  2. Bill Clinton que apoia  e é marido de Hilary foi bom presidente e a economia ajuda Barack Obama. Uma mulher pode ser a primeira presidente americana. Ela deve ser indicada pelos democratas.
  3. Ben Carson, médico, neurocirurgião negro, tem mostrado boas impressões.   Não é político tradicional.
  4. Donald Trump, empresário não é também político tradicional e vem causando muita polêmica  na campanha.
  5. Jeff Bush parece que perdeu fôlego, mas é o político profissional dos republicanos.
  6. Outros republicanos na disputa interna do partido podem surgir, mas é improvável.
Ontem no avião ouvi e vi a CNN que mostrava o apoio da Sara Palin, polêmica governadora do Alaska ao Donald Trump nas prévias de Iowa.  Discurso nacionalista dos dois. Me chamou atenção atenção duas coisas: O discurso falando no American Dreams dos anos 50,60 e 70, rock in roll, etc. e louvando ser Trump um empresário e não político.Claro que lá a classe política não é desgastada como aqui, mas este discurso pode ajudar Trump. O problema dele é o radicalismo, mas isso agrada muitos americanos e ele como empresário tem sua virtude e  competência. Não sei se daria certo como presidente, provável que não. Ben Carson é também inexperiente, mas nos EUA as instituições, o congresso e o povo ajustam isso rapidamente.Para o mundo quem seria melhor? Democratas são mais, digamos, altruístas, mas é difícil ainda julgar. O importante para o mundo é os EUA irem bem e puxarem o globo.Não arrisco palpite ainda, vou acompanhando e breve daremos nosso palpite. Hilary pode ser considerada favorita, talvez pela performance da economia no ano de 2016 e seu equilíbrio como candidata, mas os republicanos vão ainda mostrar a cara. Uma aposta fácil, a eleição será apertada, definida nos detalhes e pelo mínimo de votos. hoje se fosse arriscar diria que será Hilary x Trump com favoritismo leve de Hilary, mas isso é só felling meu, e de hoje.
Estou assistindo, quase no final e ansioso para a nova temporada de House o Cards, a série do Netflix. Sensacional, só me faz gostar mais da política americana.

sexta-feira, janeiro 15, 2016

As projeções para 2016 pioram. Orçamento é ficção pura.


Todos os atores têm dito que o ano de 2016 será muito complicado na economia. A recessão continua, a pressão inflacionária também e pelo jeito, a ilusão governista em apresentar metas e números completamente irreais.
A questão não é mais se terá ou não recessão, mas quanto será. A expectativa de 2,8% já passa para 3,5% e assim vai.
A inflação prevista em 6% dificilmente será atingida. Tem gente que aposta em 2 dígitos novamente.
O superavit de 0,5% do PIB é ficção pura.
Os juros devem subir este começo do ano e os 600 bilhões de reais no orçamento para pagamento de juros da dívida, os chamados encargos financeiros deve subir.
Ainda acho que pelo "estilo" do ministro, os juros podem cair.
Dólar previsto para R$ 4,20 é a única variável que está dentro da realidade, não acho que chegue a R$ 5 como estão alguns alarmistas esperando.
A bolsa de valores , que hoje somando todas as empresas valem menos que a Apple mostra nosso estágio de penúria, mas pode ser uma boa oportunidade. Crise pode ser oportunidade.
Enquanto alguns choram, outros vendem lenço diz o ditado.
Como fazem trapalhadas.
Olhem este artigo do Josias de Souza: Clique e leia
Resumindo ele noticia que Dilma sancionou o orçamento com alguns furos que deixaremos registrados aqui:

  1. Receita de R$ 2,9 trilhões que vai furar, para baixo, porque a estimativa deles de crescimento ou pequena recessão não vai se configurar.
  2. Superavit de 0,6%, quando na verdade deve ter déficit de 1% ou mais.
  3. R$ 10 bilhões de CPMF - Acho que não passa no congresso. Chance mínima.
  4. Corte de R$ 24 bilhões e os estados mais R$ 6,5 bilhões. Sonho em uma noite de verão, porque além do aperto atual é ano eleitoral onde os perdulários aproveitam e sangram os cofres públicos, mesmo a custa de jogar a conta para o futuro.
  5. Estimam R$ 150 bilhões de dinheiro expatriados e que agora com anistia e isenção devem retorna ao Brasil. Furada total. Não acho que chegue a R$ 50 bilhões. O dólar base de cálculo a R$ 2,60 e nossa instabilidade furam este cálculo fácil.
Muito triste estar relatando tudo isso e deixando as previsões sombrias. Meu conhecimento, aliado a informação e consultas e ao sentimento não me deixam colocar outra opção. Gostaria de estar errado.
O agravamento do quadro econômico nos levará ao acirramento da crise política. Impeachment será pouco provável, mas um parlamentarismo pode vir por ai. Lembrem-se deste PL que já tramita na CD: PL 20/95
A saída de Dilma não resolverá nada, mas restabelecerá a confiança e hoje acho que é o que mais estamos precisando.

terça-feira, janeiro 12, 2016

Avant Premiere da eleição de 2016 e 2018?


Hoje quero deixar registrado um fato aqui, que na minha visão foi um marco na eleição de 2018.
O Programa do PV (Partido Verde), oposicionista, porque conheço vários deputados governistas, apresentou o senador Alvaro Dias, ex-Psdb do Paraná. Antigo militante político da oposição, ex- MDB, EX-PMDB, é respeitado e excelente quadro na política nacional.
Quero deixar registrado este 12 de janeiro de 2016, 30 anos do PV, mais pela confirmação do senador Alvaro Dias, oficialmente no partido e provável candidato a presidência em 2018, aliás bom nome, apesar do PV não ter estrutura e tempo de TV.
Uma coincidência ou não, Merval Pereira escreveu hoje uma coluna chamada Barafunda Política - Clique e leia Diz mais ou menos isso: Pelo jeitão que está tomando, a próxima disputa presidencial, seja em 2018, ou antes, dependendo do que venha a acontecer, será tão ou mais diversificada do que a de 1989, quando simplesmente todos os principais líderes políticos aquela época participaram da campanha. E deu no que deu, Collor vitorioso, sem condições de governar o país, acabou impedido.......

Vamos lá fazer algumas ilações sobre as eleições deste ano e de 2018:

  1. As eleições municipais de 2016 serão divisor de águas nas forças políticas de 2018.
  2. Os atuais mandatários com chance de reeleição terão grandes dificuldades. O Brasil quebrou e os estados e municípios idem. Normalmente fortes candidatos, poucos lograrão êxito.
  3. Acho que o PT será varrido do mapa. Vão perder muita coisa, muito mais do que imaginam.
  4. A fuga de candidatos petistas para outros partidos já começou, e agora o prazo de filiação será de 6 meses somente. a corrida está valendo.
  5. Acho que Haddad não irá nem ao segundo turno em SP.
  6. Alvaro Dias será candidato pelo PV e será um player importante, principalmente se o PV se fortalecer nesta eleição de 2016, e deve acontecer.
  7. O PT aposta em Lula, acho que ele está liquidado e se não tiver problemas mais sérios do que já tem, corre o risco de levar uma surra inesquecível. Como ele é tudo, menos burro, pode pular fora da disputa. Jaques Wagner, Mercadante e alguma cabeça coroada pode ser candidato, se o PT ainda estiver vivo. 
  8. Dizem nos bastidores que Ciro Gomes pode ser o plano B de Lula e ter o PT como vice. Ele já militou em tantos partidos, mas hoje está no PDT se não mudou. Deve ser candidato.
  9. Geraldo Alckmin , desgastado pelos anos de poder e alguns erros, parece que busca legenda e negocia no PSB. No PSDB não tem lá muita chance. Pode sair pelo PSB.
  10. José Serra flerta com o PMDB, tem bom "recall" eleitoral, mas acho que tem rejeição alta. Se houver o impeachment (a chance é quase nula hoje, mas não impossível ainda) Serra pode despontar como um nome forte dentro de um governo Temer de coalização.
  11. Michel Temer pode ter a legenda (se for possível sua candidatura).
  12. Bolsonaro será e fará um bom papel. 
  13. Ronaldo Caiado pode ser também, mas o DEM pode se aliar a um destes já citados.
  14. Aécio corre relativamente solo no PSDB, mas ele sofre um grande desgaste junto com a classe política. Lidera as pesquisas, tem "recall' forte, é bom candidato, mas é preciso ele saber que dos 51 milhões de votos de 2014, a grande maioria foi anti PT e não nele.
  15. Aqueles nanicos, PSOL, PCO, PC do B, quando não se aliam ao PT soltam candidatos anacrônicos e ideológicos que são parte da comédia que apresentam na TV.
  16. Pros, SD, PTN, PHS, PTC e a sopa de letrinhas da nossa confusão partidária podem se aliar, ou manter os "candidatos profissionais" das eleições, O Levy Fideliz e o Eymael, eles vivem de eleição. Alguns nanicos acabam ajudando alguns outros partidos maiores, seja no discurso de crítica ao governo ou pregação da esquerda.
O lançamento de Alvaro Dias hoje e a coluna do Merval mostram como deve ser o cenário em 2018. Muitos nomes, alguns mais fortes, outros menos, mas com certeza a remodelagem das forças pode começar já em 2016.
Podem anotar ai. O que podemos enxergar é um número grande de candidatos, hoje com as forças e favoritos definidos, mas muita coisa pode mudar, principalmente pelo cenário econômico de 2017 e 2018 que ainda é imprevisível, mas com viés de negativo.

terça-feira, janeiro 05, 2016

Projeções para 2016 - Boletim Focus BC


Clique e lei a publicação do BC - Boletim Focus

Clique  na figura para aumentar

O único valor que concordo é o câmbio a 4,20, mas pode mudar por fatores exógenos.
Os juros estão altos, este governo não deixará chegar a 15%, acho que será menos.
A recessão pode ficar maior do que 3%, alguns falam em 3,5%.
Redução da produção industrial pode chegar a 10%
O desemprego, aqui não mencionado, bate 2 dígitos, alguns estimam que pode chegar a 12%.
Inflação pode estar subestimada e pode chegar a 2 dígitos. O perigo é a perda do controle e ela romper esta barreira. Rezando que não.
O endividamento 40% do PIB seria razoável, mas não nas nossas condições atuais. Acho que vão mudar o perfil da dívida, já disse aqui.
A situação não é boa.
Tenho medo de pirotecnia que a economia não aceita e depois a conta virá mais salgada.
Acho que será um ano para rezar.
O arrefecimento da economia chinesa que deve ficar 6,5% este ano, ainda é boa, mas pode afetar o mercado de commodities onde somos muito dependentes.
Famílias endividadas e juros escorchantes têm pouca margem para mais endividamento, como querem alguns beócios, só podem ser.
O descontrole das contas públicas nunca deu certo em nenhum lugar, não seria aqui o primeiro a dar.
Fica a mensagem e as projeções. Vamos acompanhar.