quinta-feira, junho 25, 2020

Escravidão, curiosidades importantes e horripilantes.




A escravidão é abominável sob qualquer aspecto que possamos pensar. Não precisa nem comentar.
O racismo da mesma forma é nefasto e degradante no mesmo sentido. O ser humano é igual ao outro, mesmo com poucas diferenças genéticas. 
A miscigenação na maioria dos países, especialmente o Brasil, acaba com este conceito de raça pura. Todos temos parte de todas as raças. Vários estudos apontam nesta direção.

No momento em que se discute o racismo nos EUA, racismo que existe desde os anos 40, recrudescido nos anos 60, e com a invocação  da escravidão, vale a pena alguns comentários.
A escravidão foi um dos motivos da Guerra Civil americana de 12 de abril de 1861 e só teve fim em 22 de junho de 1865. Quem quiser saber mais clique aqui.

Vale dizer que a escravidão sempre existiu desde os mais remotos tempos da nossa civilização. Não foi só a raça negra a escravizada. Todos as raças foram escravizadas. Os prisioneiros de guerra e povos subjugados pelos invasores sempre viraram escravos, negros, brancos ou amarelos.
O mais crítico e provavelmente o maior número de escravos aconteceu com a raça negra do continente africano.
O comércio de escravos era uma atividade muito rentável nos séculos XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, sustentou países e fez grandes fortunas.

Estou lendo o excelente livro de Laurentino Gomes, A Escravidão. Aliás, li todos dele, 1808, 1822 e 1889, todos excelentes, recomendo com força.

Não obstante eu ter visto uma entrevista dele no Roda Viva, em que me pareceu um viés ideológico presente em sua narrativa no programa, eu resolvi ler, até porque eu não descarto livros por ideologias, posso até ter minhas preferências e tenho, mas leio tudo, cada vez mais.



Recomendo.

Uma discussão que se faz presente quando a pauta racismo entra em cena, é a escravidão. Existe uma dívida histórica da sociedade, os africanos foram responsáveis pela escravidão ou não? Perguntas difíceis de serem respondidas, mas acho que existe conexão entre as duas. E como mensurar uma eventual dívida? Este é um problema maior ainda.

Pois vamos lá.

No livro, fruto de pesquisa e estudo do autor, com viagens e trabalho em loco, apura muitas coisas. Uma das mais marcantes é o envolvimento da elite e dos próprios africanos no comércio negreiro. Os números são impressionantes e absurdos. O números de mortos e escravizados, arrancados das suas vidas e vendidos como mercadoria,torturados, é de doer o coração. 
Mas vamos a parte que me faz escrever esta postagem. Trecho do livro que mostra que não existiria, pelo menos na dimensão que foi, o tráfico de escravos e a escravidão dos africanos se não fossem as elites e os próprios africanos. 

O tráfico era um negócio que exigia, principalmente, um cuidadoso trabalho de relacionamento dentro do continente africano com reis e chefes locais, que lucravam e controlavam o fornecimento de cativos em suas respectivas áreas. Cabia a eles organizar cuidadosamente as expedições militares para capturar escravos. Na África, Estados inteiros foram criados ou derrubados, assim como sociedades nasceram e entraram em colapso em função do tráfico negreiro. Os chefes africanos definiam os preços, controlavam a oferta, faziam alianças e fechavam negócios com diferentes interlocutores europeus — em geral, rivais entre si — de modo a evitar o monopólio de qualquer país ou grupo de compradores no seu território. Página 165 do livro Escravidão.

Mais:

Por fim, o próprio rei local tinha a prerrogativa de vender, em primeira mão e a preços mais elevados, um determinado número de escravos de sua propriedade. Só então começavam as outras negociações, que podiam ser conduzidas apenas por intermédio de representantes comerciais credenciados pelo soberano. 
“Eram os africanos, e não os europeus que ditavam as regras do jogo, e o comércio no âmbito da África permaneceu firmemente nas mãos dos governantes e das elites africanas”, escreveu o historiador John Russell-Wood. 
“Os  participantes africanos do tráfico de escravos incluíam os príncipes e os mercadores mais ricos e poderosos do continente. A elite africana estava profundamente envolvida com a venda de escravos”, acrescentou Paul E. Lovejoy.  Página 166 do livro Escravidão.

Ainda citadas as fontes pelo autor:

John Russell-Wood, Histórias do Atlântico português, pág. 43. e  Paul E. Lovejoy, Transformations in Slavery, pág. 110.

Acho que fica claro que por guerras, e no caso africano, pela ganância e negócios, os próprios africanos se escravizaram. Conflitos, invasões e guerras foram provocadas em nome e com objetivo na famigerada escravidão.

Sob os olhos da História e no momento atual é fácil julgar e condenar isso. As recentes discussões de voltar ao passado e condenar atos que representam crimes absurdos contra a humanidade, como a escravidão, tem que ter o cuidado de avaliar o contexto histórico. Assim como esta pauta de dívida da sociedade por culpa da escravidão.

Muito mais serventia para a sociedade e para a História, mesmo para com a raça negra, seria cuidar de promover a justiça social com mais oportunidades e liberdade para todos, sem distinção de raça ou cor da pele, não com tentativas de reparar o que a história já determinou como fato, condenável com certeza. mas irreversível.
O fim da escravidão começa pelos iluministas, na Inglaterra por volta do século XVII, depois em outros países, o Brasil foi um dos últimos a abolir a escravidão em 1888.

Se for julgada a Escravidão, terá que ser por mais fatos nefastos e desumanos.

Acho que as lições deste período de nossa História que durou séculos foi aprendida e nunca mais vai se repetir. Ainda bem.

O Brasil foi o campeão do tráfico de escravos. Quem diria.
Clique na figura para ver melhor

Rio de Janeiro: 1,5 milhão
Salvador: 1,3 milhão
Liverpool: 1,3 milhão
Londres: 829 mil
Bristol: 565 mil
Nantes: 542 mil
Recife: 437 mil
Lisboa: 333 mil
Havana: 250 mil

Página 198 do livro

Estima-se em 12,5 milhões de escravos traficados da Africa. Foram mais de 2 milhões de mortos.

Página 200.

A descrição do navio negreiro embrulha o estômago. Não há como descrever, melhor ler os relatos dos historiadores.

Dentro dos navios, os compartimentos destinados aos cativos eram minúsculos, insalubres, sem ventilação e iluminação adequada. Os porões, adaptados para o transporte de cativos, eram subdivididos em camadas construídas com pranchas de madeira, tão próximas umas das outras que era impossível caminhar de pé entre elas. Por isso, os escravos passavam a maior parte da viagem deitados, muitas vezes de lado por não haver espaço suficiente para que todos ficassem de costas. “Acorrentados aos pares, perna direita com perna esquerda e mão direita com mão esquerda, cada escravo tinha menos espaço do que um homem dentro de um caixão”, escreveu o historiador Eric Williams, reproduzindo as observações feitas dentro de um navio negreiro pelo abolicionista britânico Thomas Clarkson.
A quase imobilidade num ambiente tão exíguo criava situações desesperadoras. Presos por correntes em duplas, os cativos tinham dificuldade para chegar até os tonéis que lhe serviam de latrinas nas laterais dos porões. Subir até o deck superior, onde ficavam as cloacas (buracos na amurada do navio, de onde os dejetos caíam no mar), seria impossível porque à noite os porões geralmente eram fechados com cadeados pela tripulação.
Muitos preferiam urinar e defecar no próprio espaço em que dormiam, o que gerava tensões e brigas entre eles. Disenterias eram frequentes devido ao consumo de alimentos estragados e água contaminada. Outros tantos sofriam de enjoo porque não estavam habituados a viajar em alto-mar e tinham crises prolongadas de vômito. Depois de alguns dias, os fluídos humanos iam se acumulando nos porões, criando um ambiente fétido, irrespirável, nauseante.
“Aquele barco [...], pelo intolerável fedor, pela escassez de espaço, pelos gritos contínuos e pelas infinitas misérias de tantos infelizes, parecia um inferno”, relatou frei Sorrento, capuchinho italiano e testemunha do embarque de novecentos escravos de Luanda para a Bahia, em 1649. “Esta é a navegação mais dolorosa que existe em todo o mundo”, confirmou um de seus colegas, Dionigi Carli, também conhecido como frei Piacenza, que em 1669 viajou a bordo de um navio negreiro carregado com 690 escravos entre Angola e Salvador, na Bahia.

                                                                   Páginas 210 e 211.


sábado, junho 06, 2020

A pandemia ainda tem variáveis a serem explicadas. Tem jacaré no lago.


Não vou discutir questões políticas e nem epidemiológicas. Uma tem componentes de paixão e outra tem questão muito técnica com correntes diversas. Não é uma ciência de mão única e só verdadeira quando invocada pelo interlocutor que a defende. A antítese e o contraditório são parte da ciência e dos métodos científicos.
Ando desconfiado há muito tempo. A politização é clara, muito mais aqui no Brasil, Até remédio de 70 anos de uso no mercado virou tema de debates acalorados.

Vazou um relatório na Alemanha que alerta para um grande erro global. Erro acadêmico, sistêmico, precipitação, efeito manada, manipulação, não vem ao caso a razão, mas isso pode ser verdade, cada vez mais a névoa se dissipa e no final do filme veremos a verdade.

O relatório vazado na Alemanha. Clique e leia inclusive quem consegue ler em alemão, tem o link para o original.

Vou reproduzir uma parte que interessa.

Algumas das principais passagens do relatório são:
  • – O risco do Covid-19 foi superestimado: provavelmente em nenhum momento o perigo representado pelo novo vírus foi além do nível normal.
  • – As pessoas que morrem de Corona são essencialmente as que estatisticamente morreriam este ano, porque chegaram ao fim de suas vidas e seus organismos debilitados não podem mais lidar com as adversidades cotidianas (incluindo os cerca de 150 vírus atualmente em circulação).
  • – Em todo o mundo, em um quarto de ano, não houve mais de 250.000 mortes por Covid-19, em comparação com 1,5 milhão de mortes [25.100 na Alemanha] durante o surto de influenza 2017/18.
  • – O perigo obviamente não é maior que o de muitos outros vírus. Não há nenhuma evidência de que isso tenha não sido um alarme falso.
  • – Uma acusação poderia seguir esta linha: Durante a crise do Corona, ficou provado que o Estado é um dos maiores produtores de Fake News.
Até agora, tudo mal. Mas piora.
O relatório concentra-se nas “múltiplas e pesadas consequências das medidas Corona” e alerta que estas são “graves”.
Mais pessoas estão morrendo por causa das medidas Corona impostas pelo Estado do que sendo mortas pelo vírus.
O motivo é um escândalo:
Um sistema de saúde alemão focado no Corona está adiando a cirurgia que salva vidas e adiando ou reduzindo o tratamento para pacientes que não são de Corona. 

Ando pesquisando o site de registros no Brasil. Oficial dos cartórios, acompanhado pelo CNJ.

https://transparencia.registrocivil.org.br/registros aqui está o link

Fiz uma planilha para tentar entender, com dados do site oficial.

Mortes em maio desde 2015 e a variação. Maio porque pode ser o pico. Isso deve se repetir com abril, março e adiante.

Ano Óbitos Variação
2015        67.142 0%
2016        77.911 16%
2017        86.169 11%
2018        90.873 5%
2019      108.873 20%
2020      119.885 10%

O gráfico com a projeção.




Para o Brasil não podemos ainda fechar 2020 pois estamos em maio. Fiz de 2015 a 2019

Brasil Obitos Variação
2015 787.300 0%
2016 906.479 15%
2017 947.069 4%
2018 1.075.726 14%
2019 1.212.326 13%


Não precisa comentar muito.

O crescimento ano a ano é real, com ou sem Covid.

Tudo indica que 2020 segue a mesma tendência com CoVID e tudo mais.

Não morreram 30 mil pessoas a mais como a #globolixo quer mostrar ao mercado aterrorizando a sociedade. É mentira a interpretação que está sendo dada. 

Não estou tirando a seriedade do problema e nem negando, mas o que está sendo feito precisa ser entendido e explicado.
A névoa se dissipa e o final do filme se aproxima. Ainda saberemos a verdade.