A estatística ainda é favorável ao Flávio Bolsonaro. Vamos ver a assertividade. Pode mudar até domingo? Pode, mas é pouco provável. O debate hoje? Para mim servirá para claques. Não acho que indeciso definirá voto no debate e mesmo se existir um nicho para isso, não creio seja com força para mudar o que até aqui a estatística nos mostra.
Chamo atenção para algumas coisas que apontou este estudo aqui. Erros dos institutos têm margens sempre a favor de Lula. Um possível erros levantado por um modelo que vi.
Dois modelos que vale a pena conferir quem gostar do tema, só clicar no link:
Quem é o favorito no 2º turno? OPINIÃO INTELIGÊNCIA POLÍTICA
Sumário de hoje — 23/10/2026
Encontrei
um agregador atualizado hoje que já incorpora correções específicas por
instituto e incerteza do modelo. Ele oferece uma referência mais adequada para
o nosso acompanhamento do que simplesmente tirar a média das manchetes.
Placar ajustado
Votos
válidos · 40 pesquisas pós-primeiro turno · 18 institutos
Flávio
Bolsonaro 50,5%
Lula 49,5%
Diferença
ajustada: 1,0 p.p.
Faixa de
95%: ±1,5 p.p.
Média
simples, sem correção
Flávio +2,1 p.p.
Fonte:
Placar 2026, atualizado às 7h25. A faixa é a incerteza do modelo publicado, não
a margem de erro de uma pesquisa isolada.
A
correção dos efeitos específicos dos institutos reduz a diferença de 2,1 para
1,0 ponto. Isso é relevante: o agregado não corrigido pode exagerar a liderança
quando os institutos com mais pesquisas recentes tendem a medir uma margem
maior para Flávio.
Eleição presidencial (data-base
23/10/2026)
Erros históricos e possíveis house effects
No
primeiro turno, o resultado oficial foi Flávio 47,03% e Lula 45,16% dos votos
válidos. Cinco dos seis institutos analisados pelo ViésLab subestimaram a
votação de Flávio; a Gerp ficou praticamente em cima do resultado. Isso é
evidência de um viés histórico naquela rodada, mas não prova preferência
política dos institutos.
ViésLab
|
Instituto |
Erro na margem do 1º turno |
Leitura histórica |
|
Gerp |
0,1
p.p. |
Diferença
praticamente exata |
|
Quaest |
2,9
p.p. |
Margem
mais favorável a Lula |
|
PoderData |
3,9
p.p. |
Margem
mais favorável a Lula |
|
AtlasIntel |
4,8
p.p. |
Margem
mais favorável a Lula |
|
Datafolha |
4,9
p.p. |
Margem
mais favorável a Lula |
|
CNT/MDA |
7,6
p.p. |
Margem
mais favorável a Lula |
Erro
calculado em relação à diferença oficial entre Flávio e Lula; valores positivos
indicam que a pesquisa foi mais favorável a Lula do que o resultado das urnas.
E os efeitos de casa no segundo turno?
O
agregador publicado estima os seguintes ajustes para a margem Lula menos
Flávio. Valores negativos significam que, após a correção, a margem fica
relativamente mais favorável a Flávio.
|
Instituto |
Efeito estimado |
Interpretação do ajuste |
|
Gerp |
−3,9
p.p. |
Correção
expressiva |
|
Veritá |
−2,7 p.p. |
Correção
expressiva |
|
PoderData |
−1,2
p.p. |
Correção
moderada |
|
Real
Time Big Data |
−0,7
p.p. |
Correção
pequena |
|
Datafolha |
0,0
p.p. |
Sem
ajuste neste modelo |
|
AtlasIntel |
−0,2
p.p. |
Correção
pequena |
|
Quaest |
−0,5
p.p. |
Correção
pequena |
Fonte: estimativas
de efeito de casa do Placar 2026. Esses números são correções estatísticas
estimadas pelo agregador, não prova de intenção partidária ou de erro
permanente.
Eleição presidencial (data-base
23/10/2026)
Desvio-padrão e variação possível
O
agregador apresenta uma faixa de 95% de aproximadamente ±1,5 ponto na margem
ajustada. Se essa faixa fosse simétrica e baseada numa distribuição normal,
corresponderia a um desvio-padrão aproximado de 0,77 ponto. Mas esse número
descreve a incerteza interna do modelo publicado, não todo o erro possível da
eleição.
Sensibilidade da diferença estimada
Referência:
Flávio +1,0 ponto na margem ajustada.
|
Variação |
Margem
Flávio − Lula |
|
Limite inferior da faixa de 95% |
−0,5 p.p. |
|
Estimativa central |
+1,0 p.p. |
|
Limite superior da faixa de 95% |
+2,5 p.p. |
A faixa
cruza o empate. Não é um intervalo garantido para o resultado das urnas;
mudanças tardias, participação eleitoral e erros sistemáticos adicionais podem
ampliar a incerteza.
Para o
nosso modelo, recomendo manter duas medidas separadas:
- Incerteza interna: a faixa publicada
pelo agregador, recalculada com novas pesquisas.
- Erro histórico ampliado: o
erro de previsão observado em eleições anteriores, incluindo viés de casa
e mudanças de última hora.
Não vou
converter esses intervalos em uma probabilidade própria de vitória. A
informação estatística mais útil aqui é que a diferença ajustada é pequena em
relação à incerteza estimada.
Modelo eleitoral com
correção de renda pela PNAD
Atualização
de 23 de outubro de 2026
Sim. A
correção da composição de renda das amostras pela PNAD deve entrar como uma
análise adicional do nosso modelo, separada da correção de house effects. Ela
testa se as pesquisas representam adequadamente a distribuição socioeconômica
do eleitorado brasileiro.
Encontrei
uma atualização pública que aplica justamente essa abordagem. O agregador Arvor
repondera as pesquisas elegíveis pela distribuição de renda da PNAD e publica
dois resultados: uma média entre institutos e uma projeção com ajustes
adicionais.
Resultado central com ajuste PNAD
Votos
válidos · pesquisas elegíveis com cruzamento de renda
Flávio
Bolsonaro 52,7%
Lula 47,3%
Diferença: 5,4 pontos percentuais
Projeção
ajustada complementar
Flávio 51,6%
Lula 48,4%
Diferença:
3,2 pontos. Fonte: Arvor, atualização consultada hoje. São estimativas de
modelos diferentes, não resultados oficiais nem probabilidades de vitória.
A
diferença entre a média ajustada e a projeção é importante: a segunda incorpora
outras informações e hipóteses, incluindo cenários de comparecimento. Portanto,
não devemos misturar os dois números como se fossem a mesma estimativa.
Como a PNAD entra no nosso modelo
A
referência principal deve ser a renda domiciliar per capita, com testes de
sensibilidade usando renda individual efetiva e renda individual habitual — as
três definições que já havíamos comparado.
O IBGE
informa que a renda domiciliar per capita de 2025 foi de R$ 2.316 no Brasil,
calculada a partir dos rendimentos efetivamente recebidos e do número de
moradores do domicílio. Isso é uma referência estatística para a distribuição
de renda, não um parâmetro eleitoral por si só.
O
procedimento é:
- Comparar a distribuição de
renda dos entrevistados com a distribuição de referência da PNAD.
- Ajustar os pesos dos
entrevistados para corrigir a composição da amostra.
- Recalcular a intenção de
voto por instituto.
- Comparar os resultados antes
e depois da reponderação.
- Só então combinar a correção
de renda com o house effect, a atualidade e o tamanho da amostra.
É
essencial não corrigir duas vezes o mesmo fenômeno. Se a ponderação original do
instituto já corrigiu a renda, precisamos identificar isso antes de aplicar um
segundo ajuste.
O que a correção muda por instituto
A tabela
abaixo mostra os resultados publicados pelo Arvor para a última onda disponível
de cada instituto. As diferenças entre pesquisas refletem tanto o ajuste de
renda quanto as estimativas originais e as datas de campo.
|
Instituto |
Flávio |
Lula |
Situação do ajuste |
|
Datafolha |
47,0% |
46,0% |
Com
renda; prévia com perfil da onda anterior |
|
PoderData |
49,0% |
48,0% |
Com
renda |
|
Quaest |
45,0% |
44,0% |
Com
renda |
|
Gerp |
50,0% |
45,0% |
Com
renda |
|
Palver |
50,0% |
48,0% |
Com
renda |
|
Veritá |
49,7% |
48,2% |
Com
renda |
|
Real
Time Big Data |
48,0% |
45,0% |
Com
renda |
|
AtlasIntel |
49,8% |
47,6% |
Com
renda |
|
Futura |
48,9% |
46,8% |
Sem cruzamento
de renda compatível na publicação |
Percentuais da tabela são os valores publicados em
votos totais, não os valores reponderados. O levantamento de cada instituto tem
sua própria data de campo; a tabela não deve ser interpretada como uma pesquisa simultânea.
A
vantagem de ter a tabela original é que podemos auditar o efeito da PNAD em
cada instituto sem confundir a mudança da intenção de voto com a mudança dos
pesos socioeconômicos.
Sensibilidade às três definições de renda
Na nossa
análise anterior, os resultados exploratórios mostraram que a escolha do
conceito de renda alterava significativamente a diferença entre os candidatos.
Os efeitos registrados para a margem Flávio − Lula foram:
|
Instituto |
Renda individual efetiva |
Renda domiciliar |
|
Gerp |
+3,4
p.p. |
+1,9
p.p. |
|
AtlasIntel |
+0,9
p.p. |
−1,2
p.p. |
|
Palver |
+2,0
p.p. |
+0,7
p.p. |
|
Quaest |
+1,8
p.p. |
+1,5
p.p. |
|
Nexus |
+3,6
p.p. |
+1,8
p.p. |
|
Datafolha |
−0,3
p.p. |
−2,3
p.p. |
|
MDA |
−5,0
p.p. |
−6,9
p.p. |
Resultados
exploratórios recuperados da nossa análise anterior; ainda precisam ser auditados
contra as bases originais e não devem ser tratados como efeitos definitivos. A
coluna de renda individual habitual não foi recuperada com valores completos.
O sinal
positivo indica uma alteração na direção de uma margem maior para Flávio; o
negativo, na direção de uma margem maior para Lula. Isso não significa que a
PNAD, isoladamente, prove qual candidato está sendo subestimado.
A interpretação é importante: mesmo com Flávio à frente, uma vantagem de 2,4 pontos é pequena diante de uma incerteza de 5 pontos, mesmo assim eu confio na estatística e apostaria nisso aqui. Da Arvor




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