domingo, setembro 20, 2026

A eleição presidencial na reta final

 


Agora as pesquisas começam a funcionar para valer. A população começa a se tocar com a eleição.

Ainda , nesta semana, os indecisos são 50%, mas com uma tendência clara de como caminha a eleição.

A polarização e a rejeição foram e serão os fatores principais. Acho que o voto útil em ambos os lados vai prevalecer, apesar de que no PT o voto é concentrado em algumas regiões e locais que podem ser explicadas por vários motivos.

18 anos de governo do PT e 40 de Lula já cansaram a maior parte da população. Os extratos das pesquisas mostram isso claramente. O Nordeste ainda é o reduto eleitoral do PT. A pobreza e a dependência dos programas sociais em parte explicam isso. O sudeste já teve mais votos petistas, mas claramente perderam terreno.

Já disse, não tenho bola de cristal e nem sou pitonisa, mas gosto de estudar as pesquisas e o assunto me interessa e me diverte.

A análise que fiz é baseada nas pesquisas desta semana. Pode mudar? Claro, a política é como as nuvens, diria Magalhães Pinto, mas quanto mais perto do dia da eleição, mais a realidade se impoem.

Hoje eu diria que o Flávio Bolsonaro ganha e pode ser no primeiro turno. Não que seja o candidato dos sonhos, mas é o voto útil para derrotar o PT e Lula. O movimento das curvas das últimas pesquisas mostram claramente isso.

O fantasma das urnas e do roubo nunca mais sairão da nossa história. Muitos fatos corroboram estes receios, mas eu pessoalmente não acredito que haja "roubo" e fraude sistêmica. Isoladamente e pontualmente eu tenho certeza que tem, mas não a  ponto de comprometer o resultado. Minha opinião é esta.

O papel do STF e do TSE pode mudar e influenciar? Com certeza e em 2022 tivemos amostras de politização do judicário que é outro problema do Brasil atual. O episódio de hoje com a cassação da candidatura do Deltan Dalagnol pode pesar contra o incubente e o judiciário, e muito.

A pauta continua a ser: Segurança pública, corrupção e STF. Agora parace ter invertido a ordem: STF, Segurança pública e corrupção. Os três temas são pontos fracos para o PT, mais fracos do que para o Flávio. Eu acho.

Vamos lá. Um estudo  que fiz e explica algumas variáveis que podem interferir na reta final, aliás já interferem.

Deixo claro que não é um tratado de sociologa e nem político estas minhas considerações. São uma visão pessoal e uma percepção somente. 

A conferir, por isso deixo registrado aqui.

Os dados das últimas pesquisas divulgadas em setembro indicam uma inflexão clara na trajetória da reta final, caracterizada por uma aproximação e subida gradual de Flávio Bolsonaro (PL) combinada com a oscilação para baixo ou estagnação de Lula (PT).

Os levantamentos da Quaest e do Datafolha mostram os seguintes vetores de movimento:

1. Inflexão no 2º Turno (Cruzamento de Linhas)

·         Cruzamento inédito na Quaest (14/set): No cenário de 2º turno, Flávio Bolsonaro passou para a liderança numérica com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula (empate técnico no limite da margem de erro).

·         A trajetória dos últimos 30 dias:

o    Meados de Agosto: Lula 43% x 40% Flávio.

o    Início de Setembro: Lula 41% x 41% Flávio.

o    Metade de Setembro: Flávio 42% x 40% Lula.

2. Estreitamento no 1º Turno

·         Quaest (14/set): A vantagem de Lula sobre Flávio caiu de 7 para 5 pontos percentuais. Lula registrou 36% (tinha 38%), enquanto Flávio subiu para 31%.

·         Datafolha (17/set): Registrou um cenário convergente no 1º turno, com Lula marcando 39% e Flávio atingindo 36%.

Onde está acontecendo a virada?

De acordo com os diretores e analistas das pesquisas, o movimento de subida de Flávio e compressão das margens de Lula se deve a dois fatores centrais:

1.      Adesão dos Eleitores Independentes (Sem Apadrinhamento): Pela primeira vez desde agosto, Flávio ultrapassou Lula fora da margem de erro entre os eleitores que não se identificam puramente nem como "lulistas" nem como "bolsonaristas". Na faixa independente, Flávio abriu 36% a 26% sobre o petista.

2.      Consolidação dos Votos da Terceira Via: Candidatos como Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos perderam ligeira atração, e a migração natural do voto útil do eleitorado de centro-direita acelerou a subida de Flávio na reta final.

Mercados de Apostas - Polymarket e outro - Acertam muito, principalmente na reta final.

Diferente das pesquisas eleitorais tradicionais (que medem intenção de voto do eleitorado), os sites de previsão financeira/apostas como o Polymarket medem a probabilidade percebida pelos apostadores/investidores de quem vai vencer:

·         Odds Atuais: A cotação reflete oscilações com ligeira vantagem de probabilidades para Flávio Bolsonaro (entre 52% e 54%) contra Lula (entre 45% e 47%).

·         Como interpretar: O Polymarket opera via precificação de mercado (quanto mais pessoas compram o "Sim" para um candidato, maior fica sua porcentagem). Isso reflete a percepção de risco do mercado financeiro e dos apostadores, e não uma amostragem científica da população brasileira.



Sites  proibidos  no Brasil

Kalshi (EUA)

·         Como funciona: É uma das principais plataformas norte-americanas reguladas pela CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA). Trabalha com contratos de "Sim/Não" no estilo derivativo financeiro.

·         Cenário Atual: Mostra um mercado bastante volátil e apertado entre Flávio Bolsonaro (com cerca de 55% a 58%) e Lula (com 42% a 45%) em probabilidade de vitória.

·         Perfil do público: Investidores institucionais e operados com dólares/dólar digital via transferência bancária tradicional nos EUA.

A canetinha prometida, a picanha de 2022 e Reajuste do Bolsa Família Tiro no Pé

A “canetinha” prometida vai acabar repetindo a história da picanha de 2022? Pode ser e forte.

O reajuste do Bolsa Família anunciado agora é de 15,04%. O benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.

Considerando o eleitorado de 2026, de 158,7 milhões de pessoas, e utilizando uma estimativa por faixas de renda, a distribuição da base de menor renda seria aproximadamente:

Classe

Perfil

% estimado

Eleitores

E

Extrema pobreza / beneficiários do Bolsa Família

25%–30%

40–45 milhões

D

Baixa renda sem benefício

25%–28%

38–43 milhões

C

Classe média baixa / trabalhadores

28%–30%

43–47 milhões

C + D

Trabalhadores e classe média baixa

53%–58%

82–90 milhões

Por que o ganho na classe E pode ser menor que a perda na C e na D?

Primeiro, pelo tamanho da população. A classe E pode reunir 40 a 45 milhões de eleitores, enquanto C e D, juntas, podem chegar a 82 a 90 milhões. Portanto, uma pequena mudança de preferência nas classes C e D pode representar mais votos do que uma mudança maior dentro da classe E.

Segundo, pelo efeito teto. Se o governo já possui forte apoio entre os eleitores de menor renda, aumentar o benefício pode consolidar votos que já estavam próximos do governo, mas não necessariamente produzir a mesma quantidade de novos votos.

Terceiro, pela sensação de tratamento desigual. O trabalhador que ganha pouco mais do limite do programa pode receber apenas a conta mais alta do supermercado, sem receber o reajuste do benefício. Se ele interpretar a medida como favorecimento de quem está fora do mercado formal, a reação pode ocorrer justamente na classe D e em parte da classe C.

A matemática eleitoral é simples: não é preciso perder muitos pontos percentuais nas classes C e D para neutralizar alguns pontos ganhos na classe E, porque a população potencialmente afetada é muito maior. Além da medida ser escancaradamente eleitoreira e revoltante.

Uma medida destinada a reforçar a renda dos mais pobres pode também criar uma pergunta incômoda entre milhões de trabalhadores:

“E eu, que trabalho e pago impostos, ganho o quê?”

O problema do "ganha aqui, perde ali"

Beneficiário do Bolsa Família

efeito provável da medida:

  • percepção positiva;
  • aumento da renda disponível;
  • reforço da associação entre benefício e governo;
  • possibilidade de redução de eventual insatisfação.

Mas ele já era majoritariamente favorável a Lula na pesquisa.

Não beneficiário de baixa renda

Aqui a reação é mais ambígua.

Pode ocorrer:

efeito positivo → "o governo está ajudando os mais pobres."

ou

efeito negativo  → "eu trabalho e não recebo."

E esse segundo grupo é numericamente importante.

Sumário da tese

O reajuste de 15% do Bolsa Família pode produzir um paradoxo eleitoral. Ele fortalece a relação do governo com os beneficiários, mas esse grupo já apresenta elevada preferência por Lula. O efeito marginal, portanto, tende a depender menos da conquista de novos beneficiários e mais da reação dos milhões de brasileiros de baixa renda que trabalham, possuem renda semelhante ou pouco superior ao limite do programa e não recebem o benefício. Para esses eleitores, o reajuste pode ser percebido tanto como proteção social quanto como diferença de tratamento em relação ao trabalhador que não recebe transferência. O ponto decisivo da análise não é quantos votos o reajuste acrescentará entre beneficiários, mas se eventual ganho nesse grupo será acompanhado ou não por alguma reação negativa entre os não beneficiários de baixa renda. Os dados atuais permitem identificar essa hipótese, mas ainda não permitem quantificar uma eventual perda de votos causada pelo reajuste.

Tamanho do eleitorado

O TSE contabiliza 158,7 milhões de eleitores aptos em 2026.

O Datafolha de setembro encontrou 20% dos entrevistados recebendo Bolsa Família ou morando com alguém que recebe.

Aplicando os 20% ao eleitorado:

158,7 milhões × 20% = 31,7 milhões de eleitores no universo BF/domicílio BF.

Portanto:

Grupo

Eleitores aproximados

BF ou morador de domicílio BF

31,7 milhões

Não BF

127,0 milhões

Total

158,7 milhões

Isso é uma aproximação porque o Datafolha mede pessoas entrevistadas, enquanto o TSE mede eleitores aptos.

E como isso se distribui pelas classes?

Aqui temos uma base particularmente interessante da FGV Social.

Em 2024, a FGV estimou:

  • Classe E: 7,56%
  • Classe D: 15,00%
  • Classe C: 59,39%
  • Classe AB: 18,06%

Aplicando essas proporções aos 158,7 milhões de eleitores como proxy:

Classe

% população

Eleitores equivalentes

E

7,56%

12,0 mi

D

15,00%

23,8 mi

C

59,39%

94,2 mi

AB

18,06%

28,7 mi

Total

100%

158,7 mi

A FGV também mostra uma informação extremamente relevante para nossa tese: entre pessoas em domicílios com Bolsa Família, a concentração nas classes E e D é muito maior. Na medida per capita, 20,49% estavam na E e 36,83% na D em 2024. Entre os não beneficiários, eram 3,60% e 8,32%, respectivamente.

Ou seja: o Bolsa Família está fortemente concentrado no universo E/D.

O número que interessa para a hipótese

Temos aproximadamente:

E + D = 35,8 milhões de eleitores.

O universo BF/domicílio BF é aproximadamente:

31,7 milhões.

Isso significa que, grosso modo, a maior parte do universo E/D está dentro ou próxima do universo atingido pelo Bolsa Família, mas não todo ele.

Sob essa aproximação:

35,8 mi E+D − 31,7 mi BF ≈ 4,1 milhões

seriam um pequeno, mas politicamente interessante, grupo de E/D que não recebe ou não convive diretamente com o Bolsa Família.

É justamente aí que a tese começa a ficar quantitativamente interessante.

O ponto de equilíbrio é muito interessante

Essa talvez seja a informação mais importante do modelo.

Se o reajuste gerar:

+3 p.p. entre os 31,7 milhões do universo BF

o ganho é: 951 mil votos.

Portanto, basta que os outros grupos produzam conjuntamente uma perda de 951 mil votos para neutralizar completamente o benefício.

Isso equivale a:  951 mil ÷ 127 milhões = 0,75%

Portanto:

Se Lula ganhar 3 pontos no universo BF, uma perda média de apenas 0,75 ponto percentual entre os 127 milhões de não beneficiários já anularia matematicamente esse ganho.

A verdadeira hipótese para testar nas urnas

"O reajuste do Bolsa Família poderá reforçar Lula entre os beneficiários, mas o efeito líquido dependerá de eventual transferência dessa percepção para a classe D não beneficiária e, principalmente, para parcelas da classe C trabalhadora."

Porque a classe C tem aproximadamente 94 milhões de eleitores equivalentes na nossa aproximação.

Um movimento de apenas:

1 ponto percentual na classe C = aproximadamente 942 mil votos.

É praticamente exatamente o tamanho do ganho de 3 pontos no universo BF.

 A matriz

Tamanho dos principais blocos eleitorais

Estimativa usando o eleitorado de 158,7 milhões de 2026 e as participações de classes econômicas da FGV Social de 2024 como proxy.

025 mi50 mi75 mi100 mi

BF / domicílio BF

Classe E

Classe D

Classe C

Classe AB

Valores são aproximações; classes econômicas da FGV referem-se à população, não ao eleitorado.

Teste de sensibilidade

Ganho BF

Perda não-BF

Resultado aproximado

+1 p.p.

−0,25 p.p.

praticamente neutro

+2 p.p.

−0,50 p.p.

aproximadamente neutro

+3 p.p.

−0,75 p.p.

neutro

+3 p.p.

−0,50 p.p.

+317 mil

+3 p.p.

−1,00 p.p.

−317 mil

+3 p.p.

−1,50 p.p.

−951 mil

+3 p.p.

−2,00 p.p.

−1,585 mi

A matemática não sustenta ainda a afirmação de que o aumento necessariamente prejudicará Lula, mas ela sustenta algo mais interessante:

um ganho de 3 pontos no Bolsa Família é relativamente pequeno em relação ao tamanho do eleitorado não beneficiário.

Com 31,7 milhões no universo BF, 3 pontos = 951 mil votos.

1 ponto na classe C = 942 mil votos.

Portanto, uma oscilação de apenas 1 ponto na classe C tem praticamente o mesmo peso eleitoral que uma oscilação de 3 pontos entre os beneficiários do Bolsa Família.

H0: o reajuste melhora a posição de Lula predominantemente entre beneficiários e não produz reação relevante nos demais grupos.

H1: o reajuste melhora Lula entre beneficiários, mas produz uma reação negativa mensurável entre não beneficiários de baixa renda, especialmente na classe D/C trabalhadora.

O dado mais interessante para acompanharmos nas próximas pesquisas será, portanto, não apenas Lula entre beneficiários, mas Lula entre eleitores de 2 a 5 salários mínimos e entre trabalhadores que não recebem Bolsa Família.

A pesquisa já mostra que existe uma diferença estrutural: entre beneficiários/domicílios BF, Lula tinha 53%, contra 36% entre não beneficiários.

É exatamente nessa diferença que a nossa experiência de outubro poderá dizer se a hipótese estava correta.


sábado, setembro 19, 2026

A eleição chegando e as pesquisas começam a mostrar a verdade

 



As pesquisas começam a mostrar o que deve acontecer no final. Repito, começam, porque na semana final véspera é que podemos confiar. 

Claro que os institutos não querem errar e mostram um quadro momentâneo, mas podem sim manipular. Eu acredito nas pesquisas, mas precisamos olhar com cuidado e critério.

Margem de erro, universo pesquisdo e outras variáveis são sim passivas de manipulação, mas os institutos são responsáveis e não querem pagar mico. 

Vamos lá. Estudei uma série de pesquisas de alguns estados importantes. O que notei é que as pesquisas para o Senado Federal ainda têm 85% na média de indecisos. A de governador tem menos, mas ainda alta indecisão, 50% na média. A medida que for chegando o dia isso tende a acabar, mas muita gente decide o voto faltando 2 a 3 dias para o dia 03/10.

As pesquisas para presidente comentarei mais na frente, em outro post, mas Flávio começa a inverter a curva e já aparece na frente numericamente, mesmo com empate técnico com Lula. Este dado deve ter deixado Lula apavorado.

 
Isto não é previsão e nem pesquisa, é aposta, inclusive proibido no Brasil o site, mas acerta 98% das vezes, principalmente na reta final.

Uma compilação de estados principais com uso de IA e depois farei minhas previsões. Claro e reiterando, não tenho bola de cristal é uma visão e que pode mudar na semana final.

Eleições 2026: o mapa dos governos e do Senado estado por estado em Setembro de 2026 - 14 dias antes da eleição.

A fotografia das pesquisas de setembro mostra um cenário bastante diferente entre os estados. Em alguns, há candidatos que já abriram vantagem. Em outros, a eleição permanece essencialmente aberta. E, em praticamente todos, a rejeição será um fator decisivo para definir quem consegue ampliar seu eleitorado.

A seguir, o quadro dos estados já analisados.


MINAS GERAIS

Governo

Favorito nas pesquisas: Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Cleitinho aparece com 37% no Datafolha e 32% na Quaest, muito à frente dos demais candidatos. Patrus Ananias e Alexandre Kalil aparecem na segunda faixa, com 13% e 11% no Datafolha.

Indefinido: a liderança do primeiro colocado é clara, mas a disputa pelo segundo lugar está aberta. Patrus e Kalil aparecem próximos, enquanto Mateus Simões, Flávio Roscoe e Gabriel ainda estão em patamares mais baixos.

Rejeição: Patrus e Kalil apresentam os maiores índices entre os principais candidatos. Na Quaest, ambos chegam a 40%; no Datafolha, aparecem com 30% e 24%, respectivamente. Cleitinho apresenta rejeição menor, entre 15% e 20%.

A pesquisa Datafolha confirma a liderança de Cleitinho, com 37%, e mostra Patrus e Kalil tecnicamente próximos na segunda posição.

Senado

Favorita no primeiro voto: Marília Campos (PT).

Marília aparece com 12% no total das duas vagas, seguida por Carlos Viana e Aécio Neves, ambos com 10%, e Domingos Sávio com 8%.

Indefinido: a segunda vaga está completamente aberta entre Carlos Viana, Aécio Neves, Domingos Sávio e Marcelo Aro. A diferença entre eles está dentro ou próxima da margem de erro. 

Rejeição: Aécio é o grande ponto de atenção, com 53% de rejeição. Marília tem 19%, Viana 17%, Aro 14% e Domingos Sávio 13%.

Resumo MG: governo com liderança mais definida; Senado muito mais aberto.


RIO DE JANEIRO

Governo

O levantamento mais recente do Real Time Big Data coloca Eduardo Paes (PSD) na liderança, com 35%, contra 25% de Douglas Ruas (PL).

Favorito nas pesquisas: Eduardo Paes.

Indefinido: a distância existe, mas a disputa concentra-se essencialmente em Paes e Douglas Ruas. A campanha ainda pode alterar o quadro.

Rejeição: a rejeição pesa especialmente sobre os nomes mais conhecidos. No levantamento de agosto compilado no material, Marcelo Crivella tinha 65% e Benedita da Silva 50%, enquanto Pedro Paulo aparecia com 29%.

Senado

Liderança: Benedita da Silva e Carlos Jordy aparecem empatados com 15%, seguidos por Crivella, com 13%, e Pedro Paulo, com 12%.

Indefinido: é uma das disputas mais abertas. Quatro nomes estão concentrados na faixa de 12% a 15%, e a eleição de duas cadeiras torna o segundo voto particularmente importante.

Rejeição: Crivella tem 65%, Benedita 50% e Waguinho 43%. Em contraste, Jordy e Portinho têm 13%, e Monica Benicio 12%.

Resumo RJ: governo com Paes na frente; Senado extremamente aberto e fortemente condicionado pela rejeição.


SÃO PAULO

Governo

O Datafolha mais recente coloca Tarcísio de Freitas na liderança, com 49%, contra 29% de Fernando Haddad.

Favorito nas pesquisas: Tarcísio de Freitas.

Indefinido: a liderança é significativa, embora a campanha ainda esteja em curso.

Senado

Aqui está uma das eleições mais abertas do país.

Na Quaest, Marina Silva e Guilherme Derrite aparecem com 14%, seguidos por Simone Tebet, com 12%. No Datafolha, Marina e Simone aparecem com 13%, André do Prado com 11% e Derrite com 10%.

Favoritos momentâneos: Marina Silva e Simone Tebet aparecem no primeiro grupo, mas sem liderança consolidada.

Indefinido: praticamente toda a disputa pelas duas vagas. Marina, Tebet, André do Prado e Derrite estão muito próximos.

Rejeição: Marina tem 46%, Simone Tebet 34%, Ricardo Salles 18%, Derrite 15% e André do Prado 14%.

Resumo SP: governo mais definido; Senado totalmente aberto, com rejeição podendo alterar bastante o quadro.


PERNAMBUCO

Governo

O material aponta uma disputa marcada principalmente por João Campos e Raquel Lyra, com forte componente regional: João Campos apresenta força na Região Metropolitana do Recife, enquanto Raquel Lyra mantém presença no Agreste e Sertão.

Favorito: o material não apresenta números suficientes para estabelecer um favorito com segurança.

Indefinido: sim. A disputa aparece essencialmente concentrada nos dois nomes.

Rejeição: o principal dado disponível é a rejeição de Gilson Machado, de 51%, apontada como obstáculo para sua candidatura ao Executivo.

Senado

Liderança: Marília Arraes aparece com 18%, Humberto Costa com 16%, Mendonça Filho com 12% e Eduardo da Fonte com 10%.

Indefinido: Marília e Humberto formam o primeiro bloco, mas a segunda vaga permanece aberta.

Rejeição: Mendonça Filho tem 39%, Humberto Costa 35%, Marília Arraes 31% e Eduardo da Fonte 22%.

Resumo PE: governo aberto; Senado com dois nomes na frente, mas rejeição alta entre os principais concorrentes.


BAHIA

Governo

É uma das disputas mais equilibradas.

Jerônimo Rodrigues aparece com 45%, contra 44% de ACM Neto no Real Time Big Data. No segundo turno, os dois aparecem novamente praticamente empatados: 46% a 45%.

Favorito: não há favorito consolidado. Há empate técnico.

Indefinido: sim, claramente. É uma das eleições estaduais mais equilibradas do levantamento.

Rejeição: João Roma aparece com cerca de 42%, Jerônimo com cerca de 38% e ACM Neto com cerca de 35%.

Senado

Liderança: Rui Costa aparece com 26%, Jaques Wagner com 19%, João Roma com 17% e Angelo Coronel com 15%.

Favoritos momentâneos: Rui Costa e Jaques Wagner formam o primeiro bloco.

Indefinido: a segunda vaga pode envolver Jaques Wagner, João Roma e Angelo Coronel.

Rejeição: João Roma apresenta cerca de 42%, Jerônimo 38% e ACM Neto 35%.

Resumo BA: governo em empate técnico; Senado com vantagem inicial do grupo Rui/Wagner, mas segunda vaga aberta.


DISTRITO FEDERAL

Governo

Favorita nas pesquisas: Celina Leão (PP).

Ela aparece entre 34,6% e 45,9%, dependendo do cenário. Leandro Grass fica na segunda faixa.

Indefinido: a liderança é relativamente clara, mas há elevada variação entre cenários.

Rejeição: Celina aparece entre 26,3% e 40,9%; Arruda tem 27,9% e Leandro Grass entre 16,2% e 22,4%.

Senado

Favorita para a primeira vaga: Michelle Bolsonaro, com 21% a 24%.

Disputa pela segunda vaga: Leila do Vôlei aparece com 18%, seguida por Bia Kicis, 15%, e Erika Kokay, 14%.

Rejeição: Erika Kokay 42%, Bia Kicis 38%, Michelle Bolsonaro 34% e Leila 22%.

Resumo DF: governo com Celina na frente; primeira vaga do Senado mais definida; segunda vaga aberta.


SANTA CATARINA

Senado

O material disponível traz principalmente os dados de rejeição.

Rejeição: Décio Lima apresenta 45%, Esperidião Amin 31%, Afrânio Boppré 14%, Carol de Toni 12% e Antídio Lunelli 6%.

O dado mais importante é a diferença entre conhecimento e rejeição. Amin possui alta notoriedade e, por isso, também apresenta rejeição elevada. Já Carol de Toni tem rejeição menor, mas 65% dos entrevistados ainda dizem não conhecê-la, o que significa que seu espaço de crescimento é muito maior.

Resumo SC: ainda não temos, no material compilado, números suficientes de intenção de voto para classificar com segurança os favoritos ao Senado.


O MAPA GERAL

EstadoGovernoSenadoPrincipal característica
MGCleitinho na frenteMarília na frente; 2ª vaga abertaRejeição pesa muito
RJPaes na frenteBenedita/Jordy na frenteSenado muito pulverizado
SPTarcísio na frenteMarina/Tebet/Derrite/André muito próximosSenado totalmente aberto
PEDisputa abertaMarília/Humberto na frenteAlta rejeição dos principais
BAEmpate Jerônimo × ACM NetoRui/Wagner na frenteGoverno é uma das disputas mais equilibradas
DFCelina na frenteMichelle na frente; 2ª vaga abertaRejeição divide os polos
SCDados de rejeição disponíveisFalta intenção de voto consolidada no material

A leitura que emerge

Há três tipos de eleição neste momento:

1. Liderança relativamente estabelecida
Minas Gerais no governo, São Paulo no governo e Distrito Federal no governo apresentam um primeiro colocado mais claro.

2. Eleições abertas
Bahia, Senado de São Paulo, Senado do Rio de Janeiro e segunda vaga de Minas Gerais apresentam forte competição entre vários candidatos.

3. Eleições em que a rejeição pode mudar o resultado
Esse talvez seja o elemento mais importante do mapa. Em Minas, Rio, São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal, há candidatos com boa intenção de voto, mas também com rejeição elevada.

Por isso, a fotografia de setembro não deve ser confundida com uma previsão do resultado. Pesquisas medem a intenção no momento da coleta; não antecipam necessariamente o resultado das urnas.

O próximo passo pode ser exatamente o mais interessante para o livro/blog: separar pesquisa de previsão e montar, estado por estado, a nossa leitura — “minha previsão” — para Governo e Senado, incluindo quem pode subir, quem pode cair e quais são as duas vagas que considero hoje mais prováveis.

Minha leitura das eleições estaduais — setembro de 2026

Depois de analisar as pesquisas, os índices de rejeição, o conhecimento dos candidatos e a estrutura política de cada estado, chega o momento de separar a fotografia das pesquisas da minha leitura do cenário eleitoral.

Não se trata de pesquisa nem de previsão matemática. É uma análise baseada no quadro disponível em setembro, considerando também aquilo que as pesquisas muitas vezes não capturam completamente: força política, transferência de votos, rejeição, estrutura partidária e capacidade de crescimento durante a campanha.

UMA VISÂO MINHA PESSOAL. Sem ser pitonisa, se tivesse bola de cristal operava em Wall Street

MINAS GERAIS

Governo

Minha leitura é de que a eleição tende a caminhar para um segundo turno.

Cleitinho parte de uma posição muito forte nas pesquisas, mas a disputa pela segunda colocação é bastante mais aberta. O nome de Mateus Simões pode ganhar espaço justamente pela associação com a continuidade administrativa e pela capacidade de crescimento durante a campanha.

Patrus Ananias e Alexandre Kalil aparecem hoje à frente de Simões em algumas pesquisas, mas Mateus aparece em segundo em outras, mas o cenário ainda tem espaço para mudança.

Ponto decisivo: a capacidade dos candidatos de transformar conhecimento em voto sem aumentar significativamente a rejeição.

Senado

Aqui o cenário é muito mais aberto. 85% de indecisos. A exemplo de 2018 quando Dilma aparecia com folga nas pesquisas e chegou em terceiro. Fator Rejeição.

Marília Campos tem uma base eleitoral própria e consolidada, mas enfrenta o problema da rejeição associada ao PT. Sua candidatura começa com uma vantagem importante, mas precisará transformar essa base em votos suficientes para garantir uma das duas cadeiras. Ainda acho que a Marília corre risco se colar a rejeição do PT nela.

Aécio Neves aparece com recall elevado, mas sua rejeição, de 53% na Quaest, é um obstáculo muito grande.

Por isso, a disputa pelas duas cadeiras tende a ficar concentrada em um grupo formado por Marília Campos, Carlos Viana e Domingos Sávio, enquanto Aécio depende de sua capacidade de converter notoriedade em voto efetivo.

Minha principal conclusão sobre Minas: o governo e o Senado apresentam dinâmicas completamente diferentes. No governo, há uma liderança inicial mais clara; no Senado, a rejeição será determinante.

RIO DE JANEIRO

Governo

Eduardo Paes parte de uma posição competitiva, mas o segundo turno pode ser mais difícil do que a fotografia atual sugere.

O ponto central é a capacidade de transferência de votos e a formação dos dois campos no segundo turno. A eleição para o governo não deve ser analisada apenas pelo percentual atual do primeiro colocado.

Senado

A situação é ainda mais interessante.

Benedita da Silva aparece na frente, mas sua rejeição é elevada. No levantamento compilado, ela aparece com 15%, enquanto Carlos Jordy também tem 15%; Crivella tem 13% e Pedro Paulo 12%.

Benedita tem uma base eleitoral muito importante, mas a rejeição de 50% cria um limite potencial para seu crescimento.

Carlos Jordy aparece, portanto, como um nome com possibilidade de crescimento, mas a segunda cadeira continua aberta.

Ponto decisivo: quem conseguir ocupar o segundo voto dos eleitores que já decidiram sua primeira escolha.

SÃO PAULO

Governo

Aqui o cenário é muito mais definido.

Tarcísio de Freitas parte de uma vantagem muito grande, e a principal questão é se essa vantagem será suficiente para evitar o segundo turno.

Minha leitura é de um cenário de forte concentração de votos no atual governador.

Senado

Esta é uma das eleições que mais merece cuidado.

A fotografia do Datafolha mostra:

  • Marina Silva: 13%;
  • Simone Tebet: 13%;
  • André do Prado: 11%;
  • Guilherme Derrite: 10%.

Os quatro estão tecnicamente empatados.

Outro levantamento, do Paraná Pesquisas, coloca Marina com 30,4%, Tebet com 29,5% e Derrite com 28,9%, enquanto André do Prado aparece com 19,3%.

Ou seja: a disputa pelas duas cadeiras está muito longe de estar matematicamente definida.

Minha leitura considera Marina e Simone fortes nas pesquisas, mas não devem se eleger, nenhuma das duas, mas Derrite e André do Prado têm condições de crescer e devem ser os senadores. A campanha e a capacidade de transferência do voto de Tarcísio serão  importantes para a disputa.

PERNAMBUCO

Governo

É uma das eleições que considero mais interessantes do Nordeste.

João Campos e Raquel Lyra concentram a disputa, mas com bases eleitorais diferentes. O material mostra justamente essa divisão entre Região Metropolitana e interior.

Minha leitura é de uma eleição muito disputada, na qual a capacidade de Raquel de ampliar sua presença além de sua base tradicional será fundamental. Acho que ganha.

Senado

Marília Arraes aparece em posição muito competitiva.

Humberto Costa vem logo atrás, enquanto Mendonça Filho e Eduardo da Fonte formam o grupo seguinte.

A segunda cadeira permanece aberta entre os candidatos que aparecem no primeiro grupo das pesquisas.

BAHIA

Governo

É uma das eleições mais equilibradas do país.

Jerônimo Rodrigues aparece com 45% e ACM Neto com 44% no levantamento do Real Time Big Data. No segundo turno, a diferença também é mínima: 46% a 45%.

Portanto, não existe hoje uma liderança suficientemente ampla para considerar a eleição definida. Para mim ganha ACM. PT tem desgaste de material grande de tantos anos no poder.

Senado

Rui Costa aparece na frente, com 26%, seguido de Jaques Wagner, 19%, João Roma, 17%, e Angelo Coronel, 15%.

A primeira posição está mais organizada, enquanto a segunda cadeira é o grande ponto de interrogação.

A possibilidade de Jaques Wagner perder espaço é uma das questões que merecem acompanhamento na reta final. Acho que perde.

DISTRITO FEDERAL

Governo

Aqui há uma variável que pode alterar completamente o cenário: a situação de José Roberto Arruda.

Celina Leão aparece na frente nos cenários pesquisados, mas a retirada definitiva de Arruda e a reorganização do campo político podem mudar a distribuição dos votos.

Além disso, Kiko Caputo pode ser um nome a observar na reta final, pode surpreender.

Senado

A primeira vaga apresenta uma candidatura muito forte de Michelle Bolsonaro.

A segunda é bem mais aberta.

Leila do Vôlei aparece com 18%, Bia Kicis com 15% e Erika Kokay com 14%.

A rejeição é um fator importante: Para mim vai dar Michele e Bia Kicis

SANTA CATARINA

Governo

O quadro do governo apresenta uma vantagem bastante expressiva para o campo governista nas pesquisas disponíveis.

A questão principal é saber se essa vantagem será suficiente para resolver a eleição ainda no primeiro turno.

Senado

A disputa apresenta dois nomes com grande potencial: Carol de Toni e Esperidião Amin.

O dado interessante é que a rejeição não conta toda a história. Amin tem 31% de rejeição, mas também elevado conhecimento. Carol de Toni tem apenas 12% de rejeição, mas 65% dos entrevistados ainda declaravam não conhecê-la., Carlos Bolsonaro tem 40% de rejeição.

Isso significa que a campanha pode alterar significativamente seu nível de voto.

Carlos Bolsonaro não deve se eleger. .

PARANÁ

Governo

Sergio Moro aparece na frente nos levantamentos disponíveis e pode liquidar no primeiro turno.

Senado

Deltan Dallagnol aparece muito forte nos levantamentos disponíveis. Uma pesquisa Neokemp/OCP de setembro registra Dallagnol com 47,3%, Filipe Barros com 37,7%, Alexandre Curi com 29,2% e Gleisi Hoffmann com 27,1%, na soma das duas menções.

A segunda cadeira, entretanto, permanece aberta, mas para mim vai dar Dalagnol e Filipe Barros, Gleisi não chega.

RIO GRANDE DO SUL

Governo

A disputa aparece bem mais equilibrada e imprevisível, mas aposto no Zucco,  mas a eleição ainda deve ser tratada como aberta.

Senado

Marcel van Hattem surge como um nome importante na disputa.

A segunda cadeira permanece em aberto.

Manuela d'Ávila possui uma base eleitoral conhecida, mas a polarização e sua rejeição podem limitar sua capacidade de expansão para além de seu eleitorado tradicional.

O QUE MAIS CHAMA ATENÇÃO NO MAPA

Depois de colocar as pesquisas lado a lado, quatro padrões aparecem.

1. O Senado está muito mais aberto do que os governos

Em vários estados, a eleição para governador já apresenta um primeiro grupo bastante definido. No Senado, a existência de duas vagas cria uma dinâmica completamente diferente.

O eleitor pode escolher dois candidatos de campos políticos diferentes, e o segundo voto pode decidir a eleição.

2. Rejeição pode ser mais importante do que intenção de voto

Esse é especialmente o caso de candidatos muito conhecidos.

Minas Gerais é o exemplo mais evidente: Aécio tem 10% na soma das duas vagas, mas 53% de rejeição.

No Rio, Crivella tem 13%, mas 65% de rejeição.

São Paulo apresenta fenômeno semelhante com Marina: 13% no Datafolha e 46% de rejeição.

3. O desconhecimento pode ser tão importante quanto a rejeição

Candidato desconhecido tem um problema, mas também uma oportunidade: ainda pode crescer sem necessariamente enfrentar uma rejeição consolidada.

Carol de Toni em Santa Catarina é um exemplo claro: 12% de rejeição, mas 65% de desconhecimento.

4. A reta final pode mudar muito o mapa

Com campanhas de rádio, televisão, redes sociais, debates e alianças estaduais ganhando intensidade, os números de setembro ainda são uma fotografia.

O elemento mais interessante da eleição de 2026 será justamente observar quais candidatos conseguem transformar baixa rejeição em crescimento e quais ficam presos ao seu teto eleitoral.

É nesse ponto que pesquisa e análise começam a se separar.