segunda-feira, setembro 28, 2026

Reta final, com a ajuda da IA vamos ver como andam as coisas

 


Vamos usar a IA para entender a reta final da eleição. Além de gostar do tema, eu provoco as IAs e coloco uma contra a outra para ver o entendimento. Na reta final a análise começa a ficar mais díficil porque entra a torcida no meio e pode deturpar a isenção para fazer a análise fria e racional, mas vamos lá. 

Provoquei 2 aplicativos com as ultimas pesquisas e o agregador de pesquisas dos principais veiculos.

A conclusão é que não temos como concluir. Alguns sinais são dados, mas ainda tudo imprevisível.

O meu post da semana passada e a tese do "tiro no pé" no aumento do Bolsa Família será confirmado nas urnas. 

Minha aposta hoje? Não faria, apesar de que os sites de apostas dão vantagem a Flávio. A questão das BETs? Pode ter sido tiro no pé de Lula  também, a conferir. Nas urnas saberemos.

Vamos esperar as pesquisas desta semana que pode retratar mais o que deve aparecer nas urnas. A inflexão era favorável ao Flávio, mas o caso das BEts e o reajuste do Bolsa Família ainda não deram para perceber se muda ou não o cenério e atendência. O fato é que podem ser negativas para Lula e diferente do efeito que imaginaram. As urnas vão mostrar a realidade.

Enquanto isso ficamos com esta análise com ajuda da IA das pesquisas da semana passada. Reta final e a verdade começará a aparecer. Doa a quem doer.. Nesta semana, quinta ou sexta faremos uma análise com ajuda da IA e vamos ver como elas vão ser em entender o comportaqmento do eleitor.

Futura chegando a 50% para Flávio. E isso é particularmente relevante porque a Gerp também chegou a 50% para Flávio em uma rodada recente, contra 43% para Lula; a Futura registrou 48,1% contra 43,7%.

Isso cria um bloco de pesquisas claramente mais favorável a Flávio, enquanto Nexus e Datafolha têm mostrado Lula à frente ou muito próximo.

Mas há uma coisa muito interessante quando olhamos o histórico de 2022.

Quem errou menos no passado?

Uma base independente que calcula o erro médio absoluto nas pesquisas finais de 2022 apresenta:

Instituto

Erro médio 2022

Histórico

Futura

3,0 p.p.

relativamente bom

Gerp

3,1 p.p.

relativamente bom

Datafolha

4,5 p.p.

pior que Futura/Gerp nessa métrica

Nexus

não havia série comparável

sem histórico eleitoral nacional equivalente

O viés de cada instituto

O mesmo estudo mostra algo ainda mais interessante:

  • Gerp: em 2022 teve forte viés pró-Bolsonaro — subestimou Lula em aproximadamente 6,2 pontos na véspera.
  • Futura: teve viés muito menor, cerca de +1 ponto para Lula.
  • Datafolha: superestimou Lula em aproximadamente 3 pontos.
  • Nexus: o histórico disponível aponta apenas cerca de +1 ponto para Lula.

Minha conclusão factual

Eu faria mais confiança na tendência agregada do que em qualquer instituto isolado.

As sete pesquisas mais recentes

Instituto

Campo mais recente

Lula 1ºT

Flávio 1ºT

Lula 2ºT

Flávio 2ºT

Nexus/BTG

25–27/9

42

37

46

44

Datafolha

22–23/9

40

36

47

45

Palver

20–23/9

43

43

45

48

Real Time

19–23/9

41

37

44

45

Quaest

17–20/9

37

33

41

42

Gerp

14–16/9

37

40

43

50

Futura

11–15/9

38,3

37,7

43,7

48,1

Fontes: Nexus ; Datafolha ; Palver ; Real Time ; Quaest ; Gerp ; Futura .

Então existe uma "inflexão"?

Sim, há evidência de mudança na relação entre os dois candidatos, especialmente no segundo turno.

Eu descreveria a inflexão desta maneira:

Não é uma inflexão comprovada para Flávio no primeiro turno. É uma aproximação/virada numérica em parte das pesquisas de segundo turno.

E há uma diferença enorme entre as duas coisas.

No primeiro turno:

Lula ainda aparece à frente no agregado.

No segundo:

Flávio aparece numericamente à frente no agregado das sete pesquisas que levantamos.

 E o que aconteceu com Lula?

A pesquisa Nexus de hoje é particularmente importante porque ela interrompe parcialmente a sequência de pesquisas que vinham mostrando Flávio ganhando terreno.

Nexus:

40 → 42 Lula

enquanto Flávio:

37 → 37

Portanto, nessa rodada específica, a distância voltou de +3 para +5 para Lula.

Isso impede dizer que a curva de Flávio esteja simplesmente em trajetória ascendente contínua.

 Minha leitura estatística, sem fazer previsão eleitoral

Eu colocaria a fotografia atual assim:

Primeiro turno

Lula
🟦 aproximadamente 40%

Flávio
🟥 aproximadamente 37%

Diferença agregada: algo entre 2 e 3 pontos, dependendo do método de agregação.

Segundo turno

Lula
🟦 aproximadamente 44%

Flávio
🟥 aproximadamente 46%

Diferença agregada: cerca de 2 pontos para Flávio, mas dentro de um cenário de forte incerteza.

Minha conclusão factual hoje

Eu colocaria assim:

🟦 Primeiro turno

Há possibilidade matemática de terminar no primeiro turno, porque qualquer candidato que ultrapasse 50% dos votos válidos vence nessa etapa.

Mas as pesquisas atuais não colocam Flávio nesse patamar.

Hoje, o melhor retrato agregado que temos está aproximadamente na faixa de 37–40% dos válidos para Flávio, dependendo dos institutos e da data. O levantamento mais recente da Nexus o coloca em 39% dos válidos.

🟥 Segundo turno

Aqui a situação é muito mais apertada: algumas pesquisas recentes colocam Flávio à frente, outras Lula, e a Nexus de hoje mostra 46 × 44 para Lula, dentro da margem de erro.

Portanto, eu não usaria os 50% da Futura/Gerp como argumento para um primeiro turno de Flávio. Eu usaria esses números como evidência de que o segundo turno está bastante competitivo.

E há uma conta que vale muito a pena fazer agora: pegar a série desde agosto e calcular quanto Flávio ganhou/perdeu por semana nos votos válidos, separando o crescimento real da oscilação de cada instituto. Isso permite enxergar se existe uma inflexão consistente ou apenas uma dispersão entre pesquisas.

 Agora entra a parte realmente interessante: quem tem mais eleitor disponível para voto útil?

Aqui não devemos olhar apenas para o tamanho do candidato.

Devemos olhar para a convicção do eleitor.

O Datafolha encontrou na pesquisa de 15–17 de setembro:

Eleitor de

Está decidido

Ainda pode mudar

Lula

84%

16%

Flávio

82%

18%

Cury

54%

46%

Caiado

56%

44%

Renan

53%

47%

Os dois líderes têm bases muito mais cristalizadas.

Enquanto:

Lula → 84% convictos

Flávio → 82% convictos

os candidatos intermediários têm algo próximo de:

Cury → 54% convictos

Caiado → 56%

Renan → 53%

Portanto, o eleitorado que pode alimentar o voto útil está concentrado principalmente fora das duas candidaturas principais.

  Palver traz uma informação ainda mais interessante

Na Palver, os eleitores dos candidatos menores mostraram maior transferência para Flávio no cenário de segundo turno:

  • Eleitores de Renan: 25% Flávio × 6% Lula
  • Eleitores de Cury: 42% × 22%
  • Outros candidatos: 51% × 37%

A própria pesquisa mostra, portanto, uma vantagem de Flávio na transferência dos eleitores dos candidatos menores para o segundo turno.

Mas novamente:

isso é segundo turno.

O comportamento no voto útil antes do primeiro turno pode ser diferente, porque o eleitor ainda pode preferir manter seu candidato.

Minha síntese dos números

Lula está matematicamente mais perto do 50%: precisa transformar aproximadamente 5,5 dos 16 pontos dos candidatos menores.

Flávio precisa de aproximadamente 10,5 dos mesmos 16 pontos.

Por outro lado, as pesquisas de transferência mostram que uma parcela relevante dos eleitores de Cury, Caiado e Renan está aberta a Flávio no segundo turno, embora os subgrupos tenham margens de erro grandes.

E há um dado particularmente relevante para o voto útil: os eleitores de Cury, Caiado e Renan são muito menos convictos do que os de Lula e Flávio.

Portanto, o jogo do primeiro turno agora é essencialmente uma disputa pelo reservatório de 16% dos candidatos menores. A próxima rodada de pesquisas será muito mais informativa se mostrar qual dos dois está absorvendo a queda desses candidatos, e não apenas quem está em primeiro lugar.

domingo, setembro 20, 2026

A eleição presidencial na reta final

 


Agora as pesquisas começam a funcionar para valer. A população começa a se tocar com a eleição.

Ainda , nesta semana, os indecisos são 50%, mas com uma tendência clara de como caminha a eleição.

A polarização e a rejeição foram e serão os fatores principais. Acho que o voto útil em ambos os lados vai prevalecer, apesar de que no PT o voto é concentrado em algumas regiões e locais que podem ser explicadas por vários motivos.

18 anos de governo do PT e 40 de Lula já cansaram a maior parte da população. Os extratos das pesquisas mostram isso claramente. O Nordeste ainda é o reduto eleitoral do PT. A pobreza e a dependência dos programas sociais em parte explicam isso. O sudeste já teve mais votos petistas, mas claramente perderam terreno.

Já disse, não tenho bola de cristal e nem sou pitonisa, mas gosto de estudar as pesquisas e o assunto me interessa e me diverte.

A análise que fiz é baseada nas pesquisas desta semana. Pode mudar? Claro, a política é como as nuvens, diria Magalhães Pinto, mas quanto mais perto do dia da eleição, mais a realidade se impoem.

Hoje eu diria que o Flávio Bolsonaro ganha e pode ser no primeiro turno. Não que seja o candidato dos sonhos, mas é o voto útil para derrotar o PT e Lula. O movimento das curvas das últimas pesquisas mostram claramente isso.

O fantasma das urnas e do roubo nunca mais sairão da nossa história. Muitos fatos corroboram estes receios, mas eu pessoalmente não acredito que haja "roubo" e fraude sistêmica. Isoladamente e pontualmente eu tenho certeza que tem, mas não a  ponto de comprometer o resultado. Minha opinião é esta.

O papel do STF e do TSE pode mudar e influenciar? Com certeza e em 2022 tivemos amostras de politização do judicário que é outro problema do Brasil atual. O episódio de hoje com a cassação da candidatura do Deltan Dalagnol pode pesar contra o incubente e o judiciário, e muito.

A pauta continua a ser: Segurança pública, corrupção e STF. Agora parace ter invertido a ordem: STF, Segurança pública e corrupção. Os três temas são pontos fracos para o PT, mais fracos do que para o Flávio. Eu acho.

Vamos lá. Um estudo  que fiz e explica algumas variáveis que podem interferir na reta final, aliás já interferem.

Deixo claro que não é um tratado de sociologa e nem político estas minhas considerações. São uma visão pessoal e uma percepção somente. 

A conferir, por isso deixo registrado aqui.

Os dados das últimas pesquisas divulgadas em setembro indicam uma inflexão clara na trajetória da reta final, caracterizada por uma aproximação e subida gradual de Flávio Bolsonaro (PL) combinada com a oscilação para baixo ou estagnação de Lula (PT).

Os levantamentos da Quaest e do Datafolha mostram os seguintes vetores de movimento:

1. Inflexão no 2º Turno (Cruzamento de Linhas)

·         Cruzamento inédito na Quaest (14/set): No cenário de 2º turno, Flávio Bolsonaro passou para a liderança numérica com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula (empate técnico no limite da margem de erro).

·         A trajetória dos últimos 30 dias:

o    Meados de Agosto: Lula 43% x 40% Flávio.

o    Início de Setembro: Lula 41% x 41% Flávio.

o    Metade de Setembro: Flávio 42% x 40% Lula.

2. Estreitamento no 1º Turno

·         Quaest (14/set): A vantagem de Lula sobre Flávio caiu de 7 para 5 pontos percentuais. Lula registrou 36% (tinha 38%), enquanto Flávio subiu para 31%.

·         Datafolha (17/set): Registrou um cenário convergente no 1º turno, com Lula marcando 39% e Flávio atingindo 36%.

Onde está acontecendo a virada?

De acordo com os diretores e analistas das pesquisas, o movimento de subida de Flávio e compressão das margens de Lula se deve a dois fatores centrais:

1.      Adesão dos Eleitores Independentes (Sem Apadrinhamento): Pela primeira vez desde agosto, Flávio ultrapassou Lula fora da margem de erro entre os eleitores que não se identificam puramente nem como "lulistas" nem como "bolsonaristas". Na faixa independente, Flávio abriu 36% a 26% sobre o petista.

2.      Consolidação dos Votos da Terceira Via: Candidatos como Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos perderam ligeira atração, e a migração natural do voto útil do eleitorado de centro-direita acelerou a subida de Flávio na reta final.

Mercados de Apostas - Polymarket e outro - Acertam muito, principalmente na reta final.

Diferente das pesquisas eleitorais tradicionais (que medem intenção de voto do eleitorado), os sites de previsão financeira/apostas como o Polymarket medem a probabilidade percebida pelos apostadores/investidores de quem vai vencer:

·         Odds Atuais: A cotação reflete oscilações com ligeira vantagem de probabilidades para Flávio Bolsonaro (entre 52% e 54%) contra Lula (entre 45% e 47%).

·         Como interpretar: O Polymarket opera via precificação de mercado (quanto mais pessoas compram o "Sim" para um candidato, maior fica sua porcentagem). Isso reflete a percepção de risco do mercado financeiro e dos apostadores, e não uma amostragem científica da população brasileira.



Sites  proibidos  no Brasil

Kalshi (EUA)

·         Como funciona: É uma das principais plataformas norte-americanas reguladas pela CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA). Trabalha com contratos de "Sim/Não" no estilo derivativo financeiro.

·         Cenário Atual: Mostra um mercado bastante volátil e apertado entre Flávio Bolsonaro (com cerca de 55% a 58%) e Lula (com 42% a 45%) em probabilidade de vitória.

·         Perfil do público: Investidores institucionais e operados com dólares/dólar digital via transferência bancária tradicional nos EUA.

A canetinha prometida, a picanha de 2022 e Reajuste do Bolsa Família Tiro no Pé

A “canetinha” prometida vai acabar repetindo a história da picanha de 2022? Pode ser e forte.

O reajuste do Bolsa Família anunciado agora é de 15,04%. O benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.

Considerando o eleitorado de 2026, de 158,7 milhões de pessoas, e utilizando uma estimativa por faixas de renda, a distribuição da base de menor renda seria aproximadamente:

Classe

Perfil

% estimado

Eleitores

E

Extrema pobreza / beneficiários do Bolsa Família

25%–30%

40–45 milhões

D

Baixa renda sem benefício

25%–28%

38–43 milhões

C

Classe média baixa / trabalhadores

28%–30%

43–47 milhões

C + D

Trabalhadores e classe média baixa

53%–58%

82–90 milhões

Por que o ganho na classe E pode ser menor que a perda na C e na D?

Primeiro, pelo tamanho da população. A classe E pode reunir 40 a 45 milhões de eleitores, enquanto C e D, juntas, podem chegar a 82 a 90 milhões. Portanto, uma pequena mudança de preferência nas classes C e D pode representar mais votos do que uma mudança maior dentro da classe E.

Segundo, pelo efeito teto. Se o governo já possui forte apoio entre os eleitores de menor renda, aumentar o benefício pode consolidar votos que já estavam próximos do governo, mas não necessariamente produzir a mesma quantidade de novos votos.

Terceiro, pela sensação de tratamento desigual. O trabalhador que ganha pouco mais do limite do programa pode receber apenas a conta mais alta do supermercado, sem receber o reajuste do benefício. Se ele interpretar a medida como favorecimento de quem está fora do mercado formal, a reação pode ocorrer justamente na classe D e em parte da classe C.

A matemática eleitoral é simples: não é preciso perder muitos pontos percentuais nas classes C e D para neutralizar alguns pontos ganhos na classe E, porque a população potencialmente afetada é muito maior. Além da medida ser escancaradamente eleitoreira e revoltante.

Uma medida destinada a reforçar a renda dos mais pobres pode também criar uma pergunta incômoda entre milhões de trabalhadores:

“E eu, que trabalho e pago impostos, ganho o quê?”

O problema do "ganha aqui, perde ali"

Beneficiário do Bolsa Família

efeito provável da medida:

  • percepção positiva;
  • aumento da renda disponível;
  • reforço da associação entre benefício e governo;
  • possibilidade de redução de eventual insatisfação.

Mas ele já era majoritariamente favorável a Lula na pesquisa.

Não beneficiário de baixa renda

Aqui a reação é mais ambígua.

Pode ocorrer:

efeito positivo → "o governo está ajudando os mais pobres."

ou

efeito negativo  → "eu trabalho e não recebo."

E esse segundo grupo é numericamente importante.

Sumário da tese

O reajuste de 15% do Bolsa Família pode produzir um paradoxo eleitoral. Ele fortalece a relação do governo com os beneficiários, mas esse grupo já apresenta elevada preferência por Lula. O efeito marginal, portanto, tende a depender menos da conquista de novos beneficiários e mais da reação dos milhões de brasileiros de baixa renda que trabalham, possuem renda semelhante ou pouco superior ao limite do programa e não recebem o benefício. Para esses eleitores, o reajuste pode ser percebido tanto como proteção social quanto como diferença de tratamento em relação ao trabalhador que não recebe transferência. O ponto decisivo da análise não é quantos votos o reajuste acrescentará entre beneficiários, mas se eventual ganho nesse grupo será acompanhado ou não por alguma reação negativa entre os não beneficiários de baixa renda. Os dados atuais permitem identificar essa hipótese, mas ainda não permitem quantificar uma eventual perda de votos causada pelo reajuste.

Tamanho do eleitorado

O TSE contabiliza 158,7 milhões de eleitores aptos em 2026.

O Datafolha de setembro encontrou 20% dos entrevistados recebendo Bolsa Família ou morando com alguém que recebe.

Aplicando os 20% ao eleitorado:

158,7 milhões × 20% = 31,7 milhões de eleitores no universo BF/domicílio BF.

Portanto:

Grupo

Eleitores aproximados

BF ou morador de domicílio BF

31,7 milhões

Não BF

127,0 milhões

Total

158,7 milhões

Isso é uma aproximação porque o Datafolha mede pessoas entrevistadas, enquanto o TSE mede eleitores aptos.

E como isso se distribui pelas classes?

Aqui temos uma base particularmente interessante da FGV Social.

Em 2024, a FGV estimou:

  • Classe E: 7,56%
  • Classe D: 15,00%
  • Classe C: 59,39%
  • Classe AB: 18,06%

Aplicando essas proporções aos 158,7 milhões de eleitores como proxy:

Classe

% população

Eleitores equivalentes

E

7,56%

12,0 mi

D

15,00%

23,8 mi

C

59,39%

94,2 mi

AB

18,06%

28,7 mi

Total

100%

158,7 mi

A FGV também mostra uma informação extremamente relevante para nossa tese: entre pessoas em domicílios com Bolsa Família, a concentração nas classes E e D é muito maior. Na medida per capita, 20,49% estavam na E e 36,83% na D em 2024. Entre os não beneficiários, eram 3,60% e 8,32%, respectivamente.

Ou seja: o Bolsa Família está fortemente concentrado no universo E/D.

O número que interessa para a hipótese

Temos aproximadamente:

E + D = 35,8 milhões de eleitores.

O universo BF/domicílio BF é aproximadamente:

31,7 milhões.

Isso significa que, grosso modo, a maior parte do universo E/D está dentro ou próxima do universo atingido pelo Bolsa Família, mas não todo ele.

Sob essa aproximação:

35,8 mi E+D − 31,7 mi BF ≈ 4,1 milhões

seriam um pequeno, mas politicamente interessante, grupo de E/D que não recebe ou não convive diretamente com o Bolsa Família.

É justamente aí que a tese começa a ficar quantitativamente interessante.

O ponto de equilíbrio é muito interessante

Essa talvez seja a informação mais importante do modelo.

Se o reajuste gerar:

+3 p.p. entre os 31,7 milhões do universo BF

o ganho é: 951 mil votos.

Portanto, basta que os outros grupos produzam conjuntamente uma perda de 951 mil votos para neutralizar completamente o benefício.

Isso equivale a:  951 mil ÷ 127 milhões = 0,75%

Portanto:

Se Lula ganhar 3 pontos no universo BF, uma perda média de apenas 0,75 ponto percentual entre os 127 milhões de não beneficiários já anularia matematicamente esse ganho.

A verdadeira hipótese para testar nas urnas

"O reajuste do Bolsa Família poderá reforçar Lula entre os beneficiários, mas o efeito líquido dependerá de eventual transferência dessa percepção para a classe D não beneficiária e, principalmente, para parcelas da classe C trabalhadora."

Porque a classe C tem aproximadamente 94 milhões de eleitores equivalentes na nossa aproximação.

Um movimento de apenas:

1 ponto percentual na classe C = aproximadamente 942 mil votos.

É praticamente exatamente o tamanho do ganho de 3 pontos no universo BF.

 A matriz

Tamanho dos principais blocos eleitorais

Estimativa usando o eleitorado de 158,7 milhões de 2026 e as participações de classes econômicas da FGV Social de 2024 como proxy.

025 mi50 mi75 mi100 mi

BF / domicílio BF

Classe E

Classe D

Classe C

Classe AB

Valores são aproximações; classes econômicas da FGV referem-se à população, não ao eleitorado.

Teste de sensibilidade

Ganho BF

Perda não-BF

Resultado aproximado

+1 p.p.

−0,25 p.p.

praticamente neutro

+2 p.p.

−0,50 p.p.

aproximadamente neutro

+3 p.p.

−0,75 p.p.

neutro

+3 p.p.

−0,50 p.p.

+317 mil

+3 p.p.

−1,00 p.p.

−317 mil

+3 p.p.

−1,50 p.p.

−951 mil

+3 p.p.

−2,00 p.p.

−1,585 mi

A matemática não sustenta ainda a afirmação de que o aumento necessariamente prejudicará Lula, mas ela sustenta algo mais interessante:

um ganho de 3 pontos no Bolsa Família é relativamente pequeno em relação ao tamanho do eleitorado não beneficiário.

Com 31,7 milhões no universo BF, 3 pontos = 951 mil votos.

Já 1 ponto na classe C = 942 mil votos.

Portanto, uma oscilação de apenas 1 ponto na classe C tem praticamente o mesmo peso eleitoral que uma oscilação de 3 pontos entre os beneficiários do Bolsa Família.

H0: o reajuste melhora a posição de Lula predominantemente entre beneficiários e não produz reação relevante nos demais grupos.

H1: o reajuste melhora Lula entre beneficiários, mas produz uma reação negativa mensurável entre não beneficiários de baixa renda, especialmente na classe D/C trabalhadora.

O dado mais interessante para acompanharmos nas próximas pesquisas será, portanto, não apenas Lula entre beneficiários, mas Lula entre eleitores de 2 a 5 salários mínimos e entre trabalhadores que não recebem Bolsa Família.

A pesquisa já mostra que existe uma diferença estrutural: entre beneficiários/domicílios BF, Lula tinha 53%, contra 36% entre não beneficiários.

É exatamente nessa diferença que a nossa experiência de outubro poderá dizer se a hipótese estava correta.