Vamos usar a IA para entender a reta final da eleição. Além de gostar do tema, eu provoco as IAs e coloco uma contra a outra para ver o entendimento. Na reta final a análise começa a ficar mais díficil porque entra a torcida no meio e pode deturpar a isenção para fazer a análise fria e racional, mas vamos lá.
Provoquei 2 aplicativos com as ultimas pesquisas e o agregador de pesquisas dos principais veiculos.
A conclusão é que não temos como concluir. Alguns sinais são dados, mas ainda tudo imprevisível.
O meu post da semana passada e a tese do "tiro no pé" no aumento do Bolsa Família será confirmado nas urnas.
Minha aposta hoje? Não faria, apesar de que os sites de apostas dão vantagem a Flávio. A questão das BETs? Pode ter sido tiro no pé de Lula também, a conferir. Nas urnas saberemos.
Vamos esperar as pesquisas desta semana que pode retratar mais o que deve aparecer nas urnas. A inflexão era favorável ao Flávio, mas o caso das BEts e o reajuste do Bolsa Família ainda não deram para perceber se muda ou não o cenério e atendência. O fato é que podem ser negativas para Lula e diferente do efeito que imaginaram. As urnas vão mostrar a realidade.
Enquanto isso ficamos com esta análise com ajuda da IA das pesquisas da semana passada. Reta final e a verdade começará a aparecer. Doa a quem doer.. Nesta semana, quinta ou sexta faremos uma análise com ajuda da IA e vamos ver como elas vão ser em entender o comportaqmento do eleitor.
Futura chegando a 50% para Flávio. E isso é particularmente relevante porque a Gerp também chegou a 50% para Flávio em uma rodada recente, contra 43% para Lula; a Futura registrou 48,1% contra 43,7%.
Isso cria
um bloco de pesquisas claramente mais favorável a Flávio, enquanto Nexus e
Datafolha têm mostrado Lula à frente ou muito próximo.
Mas há
uma coisa muito interessante quando olhamos o histórico de 2022.
Quem errou menos no passado?
Uma base
independente que calcula o erro médio absoluto nas pesquisas finais de 2022
apresenta:
|
Instituto |
Erro
médio 2022 |
Histórico |
|
Futura |
3,0 p.p. |
relativamente bom |
|
Gerp |
3,1 p.p. |
relativamente bom |
|
Datafolha |
4,5 p.p. |
pior que Futura/Gerp nessa
métrica |
|
Nexus |
não havia série comparável |
sem histórico eleitoral
nacional equivalente |
O viés de cada instituto
O mesmo
estudo mostra algo ainda mais interessante:
- Gerp: em 2022 teve forte viés pró-Bolsonaro
— subestimou Lula em aproximadamente 6,2 pontos na véspera.
- Futura: teve viés muito menor,
cerca de +1 ponto para Lula.
- Datafolha: superestimou Lula em
aproximadamente 3 pontos.
- Nexus: o histórico disponível
aponta apenas cerca de +1 ponto para Lula.
Minha conclusão factual
Eu faria mais
confiança na tendência agregada do que em qualquer instituto isolado.
As sete pesquisas mais recentes
|
Instituto |
Campo mais
recente |
Lula 1ºT |
Flávio 1ºT |
Lula 2ºT |
Flávio 2ºT |
|
Nexus/BTG |
25–27/9 |
42 |
37 |
46 |
44 |
|
Datafolha |
22–23/9 |
40 |
36 |
47 |
45 |
|
Palver |
20–23/9 |
43 |
43 |
45 |
48 |
|
Real Time |
19–23/9 |
41 |
37 |
44 |
45 |
|
Quaest |
17–20/9 |
37 |
33 |
41 |
42 |
|
Gerp |
14–16/9 |
37 |
40 |
43 |
50 |
|
Futura |
11–15/9 |
38,3 |
37,7 |
43,7 |
48,1 |
Fontes:
Nexus ; Datafolha ; Palver ; Real Time ; Quaest ; Gerp ; Futura .
Então existe uma "inflexão"?
Sim, há
evidência de mudança na relação entre os dois candidatos,
especialmente no segundo turno.
Eu descreveria a inflexão desta maneira:
Não é
uma inflexão comprovada para Flávio no primeiro turno. É uma aproximação/virada
numérica em parte das pesquisas de segundo turno.
E há uma diferença enorme entre as duas
coisas.
No primeiro turno:
Lula
ainda aparece à frente no agregado.
No segundo:
Flávio
aparece numericamente à frente no agregado das sete pesquisas que levantamos.
E o que aconteceu com Lula?
A pesquisa Nexus de hoje é particularmente
importante porque ela interrompe
parcialmente a sequência de pesquisas que vinham mostrando Flávio ganhando
terreno.
Nexus:
40 → 42
Lula
enquanto Flávio:
37 → 37
Portanto, nessa rodada específica, a distância voltou de +3 para +5 para Lula.
Isso impede dizer que a curva de Flávio esteja
simplesmente em trajetória ascendente contínua.
Minha leitura estatística, sem fazer
previsão eleitoral
Eu colocaria a fotografia atual assim:
Primeiro turno
Lula
🟦
aproximadamente 40%
Flávio
🟥
aproximadamente 37%
Diferença
agregada: algo entre 2 e 3
pontos, dependendo do método de agregação.
Segundo turno
Lula
🟦
aproximadamente 44%
Flávio
🟥
aproximadamente 46%
Diferença
agregada: cerca de 2 pontos para
Flávio, mas dentro de um cenário de forte incerteza.
Minha conclusão factual hoje
Eu colocaria assim:
🟦
Primeiro turno
Há possibilidade
matemática de terminar no primeiro turno, porque qualquer candidato
que ultrapasse 50% dos votos válidos vence nessa etapa.
Mas as
pesquisas atuais não colocam Flávio nesse patamar.
Hoje, o melhor retrato agregado que temos está
aproximadamente na faixa de 37–40% dos
válidos para Flávio, dependendo dos institutos e da data. O
levantamento mais recente da Nexus o coloca em 39% dos válidos.
🟥
Segundo turno
Aqui a situação é muito mais apertada: algumas pesquisas recentes colocam
Flávio à frente, outras Lula, e a Nexus de hoje mostra 46 × 44 para Lula, dentro da margem de erro.
Portanto,
eu não usaria os 50% da Futura/Gerp como argumento para um primeiro turno de
Flávio. Eu usaria esses números como evidência de que o segundo turno está
bastante competitivo.
E há
uma conta que vale muito a pena fazer agora: pegar a série desde agosto e calcular quanto Flávio ganhou/perdeu
por semana nos votos válidos, separando o crescimento real da
oscilação de cada instituto. Isso permite enxergar se existe uma inflexão consistente ou apenas uma
dispersão entre pesquisas.
Agora entra a parte realmente
interessante: quem tem mais eleitor disponível para voto útil?
Aqui não devemos olhar apenas para o tamanho
do candidato.
Devemos olhar para a convicção do eleitor.
O Datafolha encontrou na pesquisa de 15–17 de
setembro:
|
Eleitor de |
Está decidido |
Ainda pode
mudar |
|
Lula |
84% |
16% |
|
Flávio |
82% |
18% |
|
Cury |
54% |
46% |
|
Caiado |
56% |
44% |
|
Renan |
53% |
47% |
Os dois líderes têm bases muito mais cristalizadas.
Enquanto:
Lula →
84% convictos
Flávio →
82% convictos
os candidatos intermediários têm algo próximo
de:
Cury →
54% convictos
Caiado →
56%
Renan →
53%
Portanto, o eleitorado que pode alimentar o voto útil está concentrado
principalmente fora das duas candidaturas principais.
Palver traz uma informação ainda mais
interessante
Na Palver, os eleitores dos candidatos menores
mostraram maior transferência para Flávio no cenário de segundo turno:
- Eleitores de Renan:
25% Flávio × 6% Lula
- Eleitores de Cury:
42% × 22%
- Outros candidatos:
51% × 37%
A própria pesquisa mostra, portanto, uma vantagem de Flávio na transferência dos
eleitores dos candidatos menores para o segundo turno.
Mas novamente:
isso é
segundo turno.
O comportamento no voto útil antes do primeiro turno pode ser diferente,
porque o eleitor ainda pode preferir manter seu candidato.
Minha síntese dos números
Lula
está matematicamente mais perto do 50%: precisa transformar
aproximadamente 5,5 dos 16 pontos dos
candidatos menores.
Flávio
precisa de aproximadamente 10,5 dos mesmos 16 pontos.
Por outro lado, as pesquisas de transferência mostram que uma parcela relevante
dos eleitores de Cury, Caiado e Renan está aberta a Flávio no segundo turno,
embora os subgrupos tenham margens de erro grandes.
E há um dado particularmente relevante para o
voto útil: os eleitores de Cury, Caiado e
Renan são muito menos convictos do que os de Lula e Flávio.
Portanto, o jogo do primeiro turno agora é essencialmente uma disputa pelo
reservatório de 16% dos candidatos menores. A próxima rodada de
pesquisas será muito mais informativa se mostrar qual dos dois está absorvendo a queda desses candidatos,
e não apenas quem está em primeiro lugar.