Interessante, queria ver e entender o modelo deles. A micro economia, que é a essência de tudo na econmia, e a Destruição Criativa de Shumpter voltando a pauta.
Nobel de Economia 2026: por que
olhar para as decisões das famílias e das empresas mudou a economia?
A ideia
central do texto é simples, mas importante: para entender o que acontece com a
economia de um país, não basta observar inflação, produção, consumo e
desemprego. É preciso entender as decisões que milhões de pessoas e empresas
tomam todos os dias.
Os pesquisadores desenvolveram modelos teóricos que explicam como as decisões individuais de consumo e investimento de famílias e empresas afetam a inflação, os ciclos econômicos e as taxas de juros, ajudando bancos centrais e governos a lidar com crises e recessões.
Vou
explicar com exemplos práticos e depois resumir as duas ideias: a estabilidade
econômica e o crescimento pela inovação.
1. A mudança de visão: da economia como um todo
para as decisões individuais
Imagine
que a inflação no Brasil esteja subindo. Um modelo econômico tradicional pode
relacionar a inflação com juros, consumo, salários e produção para estimar o
que acontecerá nos próximos meses.
Mas por
que a inflação subiu? Para responder melhor, precisamos olhar também para o
comportamento de cada agente econômico.
As
famílias
Quando os
juros sobem, algumas famílias adiam a compra de um carro ou de um imóvel,
reduzem o consumo e poupam mais. Outras, endividadas, passam a gastar uma
parcela maior da renda com prestações.
As
empresas
Com o
crédito mais caro, algumas adiam investimentos, contratam menos e ampliam menos
sua capacidade produtiva. Outras tentam compensar os custos aumentando os
preços ou buscando mais eficiência.
A
economia como um todo
A soma
dessas decisões influencia o consumo, o investimento, o emprego, a produção e a
inflação. É esse resultado agregado que os modelos macroeconômicos procuram
explicar.
Essa é a
lógica dos fundamentos microeconômicos da macroeconomia: compreender os
fenômenos da economia como um todo a partir das decisões de famílias, empresas
e outros agentes.
Uma
ressalva importante: os modelos macroeconômicos anteriores não ignoravam
necessariamente as pessoas e as empresas. A mudança foi construir modelos mais
rigorosos, nos quais as decisões individuais, os incentivos e as expectativas
explicam os resultados agregados.
2. O que significa o paradigma neokeynesiano?
O
pensamento keynesiano tradicional destacou a importância da demanda agregada —
o consumo, os investimentos e os gastos do governo — para explicar crises e
desemprego.
A
abordagem neokeynesiana procurou combinar essa preocupação com modelos mais
fundamentados no comportamento dos agentes econômicos, incorporando elementos
como expectativas, concorrência imperfeita e preços e salários que não se
ajustam imediatamente.
Um
exemplo ajuda a entender.
Imagine
que o Banco Central aumente a taxa de juros para combater a inflação.
- O crédito fica mais caro.
- Famílias e empresas
reavaliam suas decisões de consumo e investimento.
- A demanda por produtos e
serviços tende a desacelerar.
- Com menor pressão sobre a
demanda, a inflação pode diminuir.
- A atividade econômica e o emprego
também podem ser afetados.
O
resultado depende de como as pessoas e empresas reagem, de suas expectativas e
de fatores como a origem da inflação. Por isso, não basta saber que os juros
subiram: é necessário entender os mecanismos pelos quais essa mudança se
transmite à economia.
A
contribuição desses modelos é ajudar a prever os efeitos das políticas
econômicas e comparar alternativas, em vez de apenas identificar relações
estatísticas entre variáveis.
3. E como isso ajuda o Banco Central e o governo?
A grande
utilidade é avaliar como a economia reage a diferentes choques.
Pense em
três situações:
Eles não
oferecem previsões infalíveis. Seus resultados dependem das hipóteses
utilizadas, dos dados e da capacidade de representar o comportamento dos
agentes. Mas ajudam a organizar o raciocínio e a avaliar os possíveis efeitos
de cada política.
4. E o Nobel de 2025? A inovação como motor do
crescimento
O texto
também menciona o Nobel de 2025, concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e
Peter Howitt.
A
contribuição deles trata de outra questão: por que algumas economias conseguem
crescer continuamente durante décadas, enquanto outras ficam para trás?
A
resposta passa pela inovação tecnológica, pelo conhecimento e pelos incentivos
para criar novos produtos e métodos de produção.
Mokyr
estudou as condições históricas e intelectuais que permitiram o avanço
tecnológico sustentado. Aghion e Howitt desenvolveram uma teoria do crescimento
baseada na chamada destruição criativa.
O
conceito é fácil de entender.
A
tecnologia antiga perde espaço
A máquina
a vapor substituiu parte do trabalho e das técnicas anteriores, alterando
profundamente a produção industrial.
Uma nova
tecnologia transforma o mercado
A
automação e a inteligência artificial podem elevar a produtividade, criar novas
atividades e tornar outras menos necessárias.
Esse
processo recebe o nome de destruição criativa: a inovação cria oportunidades e
riqueza, mas também torna obsoletas empresas, profissões e tecnologias.
O
crescimento não depende apenas de acumular máquinas, trabalhadores ou capital.
Depende também da capacidade de produzir mais e melhor com os recursos
disponíveis.
Há,
entretanto, uma condição importante: a inovação precisa encontrar um ambiente
que favoreça o conhecimento, o empreendedorismo, o investimento e a difusão das
novas tecnologias.
5. Qual é a diferença entre as duas contribuições?
Estudos sobre estabilidade econômica
Pergunta
central: como evitar que choques provoquem inflação persistente, recessões e
desemprego?
Foco:
decisões de famílias e empresas, expectativas e efeitos das políticas
monetárias e fiscais.
Nobel de 2025 — inovação e crescimento
- Destruição Criativa: Formulada em 1992, demonstra como novas tecnologias substituem as antigas, impulsionando a produtividade.
- Conhecimento e Sociedade: Mokyr destacou que a prosperidade depende de sociedades abertas que acumulam conhecimento científico.
Pergunta
central: como uma economia aumenta sua produtividade e sua riqueza ao longo do
tempo?
Foco:
progresso tecnológico, incentivos à inovação e substituição de tecnologias e empresas
antigas por novas.
Em outras
palavras, são duas questões complementares: uma procura entender como manter a
economia relativamente estável; a outra, como ampliar sua capacidade de
produzir e gerar riqueza.
Resumo final
- Microeconomia: estuda as decisões
de famílias e empresas.
- Macroeconomia: estuda os
resultados agregados dessas decisões, como inflação, produção e emprego.
- Paradigma neokeynesiano:
procura explicar os fenômenos macroeconômicos com modelos fundamentados
também nas decisões individuais, nas expectativas e nas imperfeições dos
mercados.
- Estabilidade econômica:
esses modelos ajudam governos e bancos centrais a avaliar como a economia
reage a juros, crises e outras mudanças.
- Nobel de 2025: destacou como
a inovação e a destruição criativa sustentam o crescimento econômico de
longo prazo.
A grande
lição é que estabilidade e crescimento são problemas diferentes, mas
interligados. Para controlar a inflação, precisamos compreender como os agentes
reagem às políticas econômicas. Para elevar a prosperidade, precisamos
compreender como conhecimento, inovação e produtividade transformam a economia.
Joseph Schumpeter (1883–1950)
Foi ele quem popularizou o conceito de destruição criativa, segundo o qual o
capitalismo se transforma continuamente pela introdução de novas tecnologias,
produtos, empresas e formas de organização.
Qual é a relação com o Nobel de 2025?
A distinção é importante:
·
Schumpeter: formulou, décadas antes, a ideia de
que o empreendedor e a inovação são forças centrais do desenvolvimento
capitalista.
·
Philippe Aghion e Peter Howitt: desenvolveram
uma formulação matemática moderna do crescimento econômico baseada na
destruição criativa.
·
Joel Mokyr: investigou as condições históricas e
intelectuais que permitiram o progresso tecnológico sustentado.
Portanto, o Nobel de 2025 não foi concedido a Schumpeter, que morreu em
1950, mas reconheceu trabalhos que aprofundaram teorias relacionadas a uma de
suas ideias fundamentais.
A essência do pensamento de Schumpeter
Uma inovação não apenas aumenta a produção: ela pode transformar todo um
setor econômico.
Pense na fotografia digital, que praticamente eliminou o mercado tradicional
de filmes fotográficos; ou nos aplicativos de transporte, que modificaram o
setor de táxis.
O processo cria empresas e oportunidades, mas também destrói negócios e
empregos associados às tecnologias antigas.
A ideia central de Schumpeter é que o capitalismo não cresce apenas
acumulando riqueza: ele se transforma por meio da inovação.
Para A Viagem de Pedro, eu faria uma conexão entre Keynes e Schumpeter:
Keynes ajuda a explicar as flutuações da economia no curto prazo; Schumpeter,
sua transformação estrutural e seu desenvolvimento no longo prazo. É uma
síntese didática, embora as contribuições de ambos sejam mais amplas do que
essa distinção.