segunda-feira, outubro 12, 2026

Nobel de Economia de 2025 e 2026

  


Interessante, queria ver e entender o modelo deles. A micro economia, que é a essência de tudo na econmia, e a Destruição Criativa de Shumpter voltando a pauta.

Nobel de Economia 2026: por que olhar para as decisões das famílias e das empresas mudou a economia?

A ideia central do texto é simples, mas importante: para entender o que acontece com a economia de um país, não basta observar inflação, produção, consumo e desemprego. É preciso entender as decisões que milhões de pessoas e empresas tomam todos os dias.

 Os pesquisadores desenvolveram modelos teóricos que explicam como as decisões individuais de consumo e investimento de famílias e empresas afetam a inflação, os ciclos econômicos e as taxas de juros, ajudando bancos centrais e governos a lidar com crises e recessões. 

Vou explicar com exemplos práticos e depois resumir as duas ideias: a estabilidade econômica e o crescimento pela inovação.

1. A mudança de visão: da economia como um todo para as decisões individuais

Imagine que a inflação no Brasil esteja subindo. Um modelo econômico tradicional pode relacionar a inflação com juros, consumo, salários e produção para estimar o que acontecerá nos próximos meses.

Mas por que a inflação subiu? Para responder melhor, precisamos olhar também para o comportamento de cada agente econômico.

As famílias

Quando os juros sobem, algumas famílias adiam a compra de um carro ou de um imóvel, reduzem o consumo e poupam mais. Outras, endividadas, passam a gastar uma parcela maior da renda com prestações.

As empresas

Com o crédito mais caro, algumas adiam investimentos, contratam menos e ampliam menos sua capacidade produtiva. Outras tentam compensar os custos aumentando os preços ou buscando mais eficiência.

A economia como um todo

A soma dessas decisões influencia o consumo, o investimento, o emprego, a produção e a inflação. É esse resultado agregado que os modelos macroeconômicos procuram explicar.

Essa é a lógica dos fundamentos microeconômicos da macroeconomia: compreender os fenômenos da economia como um todo a partir das decisões de famílias, empresas e outros agentes.

Uma ressalva importante: os modelos macroeconômicos anteriores não ignoravam necessariamente as pessoas e as empresas. A mudança foi construir modelos mais rigorosos, nos quais as decisões individuais, os incentivos e as expectativas explicam os resultados agregados.

2. O que significa o paradigma neokeynesiano?

O pensamento keynesiano tradicional destacou a importância da demanda agregada — o consumo, os investimentos e os gastos do governo — para explicar crises e desemprego.

A abordagem neokeynesiana procurou combinar essa preocupação com modelos mais fundamentados no comportamento dos agentes econômicos, incorporando elementos como expectativas, concorrência imperfeita e preços e salários que não se ajustam imediatamente.

Um exemplo ajuda a entender.

Imagine que o Banco Central aumente a taxa de juros para combater a inflação.

  1. O crédito fica mais caro.
  2. Famílias e empresas reavaliam suas decisões de consumo e investimento.
  3. A demanda por produtos e serviços tende a desacelerar.
  4. Com menor pressão sobre a demanda, a inflação pode diminuir.
  5. A atividade econômica e o emprego também podem ser afetados.

O resultado depende de como as pessoas e empresas reagem, de suas expectativas e de fatores como a origem da inflação. Por isso, não basta saber que os juros subiram: é necessário entender os mecanismos pelos quais essa mudança se transmite à economia.

A contribuição desses modelos é ajudar a prever os efeitos das políticas econômicas e comparar alternativas, em vez de apenas identificar relações estatísticas entre variáveis.

3. E como isso ajuda o Banco Central e o governo?

A grande utilidade é avaliar como a economia reage a diferentes choques.

Pense em três situações:


Eles não oferecem previsões infalíveis. Seus resultados dependem das hipóteses utilizadas, dos dados e da capacidade de representar o comportamento dos agentes. Mas ajudam a organizar o raciocínio e a avaliar os possíveis efeitos de cada política.

4. E o Nobel de 2025? A inovação como motor do crescimento

O texto também menciona o Nobel de 2025, concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt.

A contribuição deles trata de outra questão: por que algumas economias conseguem crescer continuamente durante décadas, enquanto outras ficam para trás?

A resposta passa pela inovação tecnológica, pelo conhecimento e pelos incentivos para criar novos produtos e métodos de produção.

Mokyr estudou as condições históricas e intelectuais que permitiram o avanço tecnológico sustentado. Aghion e Howitt desenvolveram uma teoria do crescimento baseada na chamada destruição criativa.

O conceito é fácil de entender.



A tecnologia antiga perde espaço

A máquina a vapor substituiu parte do trabalho e das técnicas anteriores, alterando profundamente a produção industrial.



Uma nova tecnologia transforma o mercado

A automação e a inteligência artificial podem elevar a produtividade, criar novas atividades e tornar outras menos necessárias.

Esse processo recebe o nome de destruição criativa: a inovação cria oportunidades e riqueza, mas também torna obsoletas empresas, profissões e tecnologias.

O crescimento não depende apenas de acumular máquinas, trabalhadores ou capital. Depende também da capacidade de produzir mais e melhor com os recursos disponíveis.

Há, entretanto, uma condição importante: a inovação precisa encontrar um ambiente que favoreça o conhecimento, o empreendedorismo, o investimento e a difusão das novas tecnologias.

5. Qual é a diferença entre as duas contribuições?

Estudos sobre estabilidade econômica

Pergunta central: como evitar que choques provoquem inflação persistente, recessões e desemprego?

Foco: decisões de famílias e empresas, expectativas e efeitos das políticas monetárias e fiscais.

Nobel de 2025 — inovação e crescimento

O Estudo Premiado
  • Destruição Criativa: Formulada em 1992, demonstra como novas tecnologias substituem as antigas, impulsionando a produtividade.
  • Conhecimento e Sociedade: Mokyr destacou que a prosperidade depende de sociedades abertas que acumulam conhecimento científico.

Pergunta central: como uma economia aumenta sua produtividade e sua riqueza ao longo do tempo?

Foco: progresso tecnológico, incentivos à inovação e substituição de tecnologias e empresas antigas por novas.

Em outras palavras, são duas questões complementares: uma procura entender como manter a economia relativamente estável; a outra, como ampliar sua capacidade de produzir e gerar riqueza.

Resumo final

  • Microeconomia: estuda as decisões de famílias e empresas.
  • Macroeconomia: estuda os resultados agregados dessas decisões, como inflação, produção e emprego.
  • Paradigma neokeynesiano: procura explicar os fenômenos macroeconômicos com modelos fundamentados também nas decisões individuais, nas expectativas e nas imperfeições dos mercados.
  • Estabilidade econômica: esses modelos ajudam governos e bancos centrais a avaliar como a economia reage a juros, crises e outras mudanças.
  • Nobel de 2025: destacou como a inovação e a destruição criativa sustentam o crescimento econômico de longo prazo.

A grande lição é que estabilidade e crescimento são problemas diferentes, mas interligados. Para controlar a inflação, precisamos compreender como os agentes reagem às políticas econômicas. Para elevar a prosperidade, precisamos compreender como conhecimento, inovação e produtividade transformam a economia.

Joseph Schumpeter (1883–1950)

Foi ele quem popularizou o conceito de destruição criativa, segundo o qual o capitalismo se transforma continuamente pela introdução de novas tecnologias, produtos, empresas e formas de organização.

Qual é a relação com o Nobel de 2025?

A distinção é importante:

·         Schumpeter: formulou, décadas antes, a ideia de que o empreendedor e a inovação são forças centrais do desenvolvimento capitalista.

·         Philippe Aghion e Peter Howitt: desenvolveram uma formulação matemática moderna do crescimento econômico baseada na destruição criativa.

·         Joel Mokyr: investigou as condições históricas e intelectuais que permitiram o progresso tecnológico sustentado.

Portanto, o Nobel de 2025 não foi concedido a Schumpeter, que morreu em 1950, mas reconheceu trabalhos que aprofundaram teorias relacionadas a uma de suas ideias fundamentais.

A essência do pensamento de Schumpeter

Uma inovação não apenas aumenta a produção: ela pode transformar todo um setor econômico.

Pense na fotografia digital, que praticamente eliminou o mercado tradicional de filmes fotográficos; ou nos aplicativos de transporte, que modificaram o setor de táxis.

O processo cria empresas e oportunidades, mas também destrói negócios e empregos associados às tecnologias antigas.

A ideia central de Schumpeter é que o capitalismo não cresce apenas acumulando riqueza: ele se transforma por meio da inovação.

Para A Viagem de Pedro, eu faria uma conexão entre Keynes e Schumpeter: Keynes ajuda a explicar as flutuações da economia no curto prazo; Schumpeter, sua transformação estrutural e seu desenvolvimento no longo prazo. É uma síntese didática, embora as contribuições de ambos sejam mais amplas do que essa distinção.

 

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