| — | 16,447,259[4] | |
| 1 | 14,256,275 | |
| 2 | 5,068,059 | |
| 3 | 4,908,982[2] | |
| 4 | 3,352,742 | |
| 5 | 2,675,951 | |
| 6 | 2,183,607 | |
| 7 | 2,118,264 | |
| 8 | 1,574,039 | |
| 9 | 1,464,040 | |
| 10 | 1,336,427 | |
| 11 | 1,235,975 | |
| 12 | 1,229,227 | |
| 13 | 997,201 | |
| 14 | 874,903 | |
| 15 | 832,512 |
Assuntos que me interessam: Política, Meio Ambiente, Economia, Tecnologia, Internet e um pouco de filosofia.
domingo, agosto 15, 2010
A economia mundial no futuro - China desponta
segunda-feira, agosto 09, 2010
A economia em 2010 e a política
segunda-feira, agosto 02, 2010
O caos nos aeroportos em 08/2010.
sexta-feira, julho 23, 2010
Dilma abre vantagem de 7%
terça-feira, julho 20, 2010
o novo treinador da seleção brasileira visando 2014
segunda-feira, julho 19, 2010
Frota de moto cresce 105% de 2005 até 2010. E a mobilidade urbana?

- O número de veículos para cada 100 brasileiros é hoje de 32, sendo 19 carros, 8 motos, e caminhonetes, 1 caminhão e 1 outro.
- Em 2005 existiam 25,4 milhões de carros, em 2010 são 35,4 milhões. Aumento de 40%.
- Em 2005 eram 7,4 milhões de motos, em 2010 são 15,3 milhões, aumento de 105%.
- Todas as categorias tiveram crescimento, no total de veículos, em 2005 tínhamos 40 milhões, em 2010 temos 61 milhões, aumento de 52%.
- A população aumenta, mas o crescimento é maior. Isso deve estar abalando o transporte coletivo, afinal muitos têm trocado o ônibus pela moto.
- Isso mostra a evolução e ascensão social das classe C,D e E.
- Existem já municípios com graves problemas de mobilidade urbana, por conta inclusive das motos.
- Sei pelos dados de uma cidade aqui de Minas Gerais que o número de motos cresce e o de acidentes também, isso sobrecarrega a saúde pública, mas principalmente nas pequenas cidades quase sempre sem estrutura.
- Problemas ambientais podem ser esperados pelo aumento do CO2 e ON2, além do enxofre e particulados emitidos, a nossa frota e nosso combustível não possuem cuidados tecnológicos para atacar estes problemas, mesmo com regulamentação já em vigor.
- Como sempre tem o lado bom desta história e não é possível impedir este crescimento, mas outras medidas em paralelo precisam ser tomadas para evitar mais problemas ambientais e de sustentabilidade e mobilidade urbana. Por mais que achemos que as motos são problema menor, acho que são tão graves como o crescimento dos veículos, este ano é previsto novo recorde de vendas. O país crescendo como programado, as chances de aumentar este crescimento é real.
domingo, julho 18, 2010
Pesquisas eleitorais para acompanharmos
quinta-feira, julho 15, 2010
A prosperidade mundial desde 1960 e o Brasil
- O terceiro mundo não chegou minimamente mais perto do primeiro mundo e ambos tiveram a mesma taxa de crescimento per capita.
- A linha de pobreza da miséria diminui
- Crescimento médio dos países em desenvolvimento de 1960 até 2008 foi de 2,7% ao ano
- A renda per capita aumentou 3,5 vezes neste período
- Este crescimento de 2,7% médio proporcionou a maior escapada da pobreza absoluta da história humana
- A pobreza humana (definida como renda de menos de 1 US$/dia) diminuiu de 32% em 1960 para 10% em 2008.
- A mortalidade infantil decaiu e a democracia e direitos individuais cresceu
segunda-feira, julho 12, 2010
As projeções econômicas para 2010 no meio deste ano.
Juros- 10,75%
US$ - 1,75
PIB- 5,2%
Saldo Comercial- US$ 11,3 bilhões
PIB- 7,2%
Saldo Comercial- US$ 15,72 bilhões
Saldo Comercial- US$ 7,83 bilhões
- 2011 ainda será bom, mas precisamos aproveitar 2010
- 7,2% é crescimento em ritmo chines, quero ver se nossa infraestrutura suportará. Os portos e estradas já têm gargalos sérios. A energia ainda é incógnita.
- Nossas exportações hoje estão quase na metade 45% lastreadas nas comodities brutas, com pouco valor agregado e dependendo da demanda chinesa principalmente. O minério e a agricultura são nossa força, mas isso traz riscos. Precisamos aproveitar 2010 e mudar este quadro, ou tentar mudar.
- Politicamente a situação ajuda Lula, mas ele precisa ter responsabilidade. Dois graves sinais estão sendo disparados a todo momento: O aumento exagerado dos gastos públicos e uma potencial explosão da demanda, ambos combustíveis para inflação. Todo cuidado é pouco.
sábado, julho 10, 2010
A Economia, a eleição de 2010 e as ilusões políticas.
- O jornal inglês "Financial Times" pelo comentarista-chefe, Martin Wolf, fez uma comparação nada lisonjeira entre o comportamento da economia do Brasil e o das de Índia e China nesses últimos 15 anos, de 1995 a 2009, governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula.
- O crescimento médio anual do país nesse período foi de 2,9%, fazendo com que a elevação da renda tenha sido de apenas 22%, contra 100% na Índia e 226% na China.
- O resultado dessa performance medíocre foi que a participação brasileira na produção mundial caiu de 3,1% em 1995 para 2,9% em 2009, enquanto a China saltou de 5,7% para 12,5%, e a Índia, de 3,2% para 5,1%.
- O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil medido pela paridade do poder de compra (PPC), que já foi correspondente a 30,5% do dos Estados Unidos em 1980, era equivalente a 22,7% em 2009.
- A Coreia do Sul é um exemplo mais próximo de nós. Em 1980, seu PIB per capita em PPC equivalia a 18,8% do norte-americano, quase a nossa situação hoje e 60% menor do que o PIB per capita brasileiro naquela ocasião. Mas nesses 30 anos conseguiu aumentar o percentual para 60,3%.
- No período de praticamente meio século, que vai de 1932 até 1980, a participação do país no PIB mundial aumenta de menos de 1% no final dos anos 1920 para 3,6% em 1980.
- O governo Lula, a participação do Brasil na economia mundial (PIB) foi de 2,81% em 2002 para 2,79% em 2009, com uma média de 2,74%, próxima da observada quase 40 anos antes, no início dos anos 1970, enquanto no governo FHC (1995-2002) a participação média é de 2,93%.
- Em ambos os governos, porém, a economia brasileira retrocede em termos de sua participação na economia mundial.
MST opina na eleição de 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
Política Nacional de Resíduos Sólidos é aprovada na Câmara dos Deputados

O caso do goleiro Bruno
terça-feira, julho 06, 2010
A bolha do crédito fácil pode estourar?
segunda-feira, julho 05, 2010
Projeção para eleição de 2010
As campanhas começam de fato agora
- Amanhã, dia 06/07 começa oficialmente, apesar de alguns já terem atropelado e tomado multas que podem criar grande confusão no futuro.
- Dia 17/08, 47 dias antes da eleição começa a propaganda gratuita, ai quem não tomou conhecimento tomará.
- Debates e mídia impressa só até dia 30/09.
- Serra tem 21 palanques estaduais e Dilma 45. Na mídia eletrônica hoje isso pode interferir pouco, é mais fácil Dilma ajudar alguns candidatos embalados na onda Lula do que o contrário.
- Algumas projeções indicam que quando Lula assumir a campanha de Dilma ela sobe forte e pode chegar a 47%. Pode ganhar no primeiro turno? Acho que pode, mas lembrem-se que o perfil do eleitor dela é de muita perda de voto, já Serra não. Acho que Marina ainda vai subir, mas tira mais de Serra do que de Dilma.
- Lula tem uma estrela incomparável. Além de sua vida que já mostra sua sorte, ele pega em pleno ano eleitoral uma economia forte e crescente, comparada a crescimento chineses, nenhum político poderia desejar coisa melhor. O Estado de Minas ontem mostrou matéria de capa falando do problema do crescimento do número de veículos nas cidades do interior, as revistas semanais mostram outras facetas deste ciclo virtuoso. Eles eleitores vão votar contra Lula? Não creio.
- Serra ainda andou tropeçando, indicou um vice do Paraná e depois o tirou. O eleitor do Alvaro Dias não deve estar gostando disso. Se eles disseram que Alvaro Dias daria 2 milhões de votos em Serra, quantos ele perderá com a sua destituição?
- O vice indicado agora não parece agregar muitos votos, pelo menos não consegui enxergar isso. Tempo de TV? Acho que 3 minutos a mais, mas pode ser problema para Serra, qual será seu discurso? Estou ansioso para ver.
quinta-feira, julho 01, 2010
STF
Pinto, eu e meus irmãos viemos participar. Muitos ministros, gente
importante e em solenidade simbólica e emblemática eu, como filho, e o
Bilac, como neto, assinamos alguns exemplares. Nunca tinha ouvido
falar de algo parecido, um livro sendo lançado, sem o autor ou o personagem, ambos falecidos e tendo como signatários dos exemplares seus descendentes. Foi emocionante e interessante.
quarta-feira, junho 30, 2010
O péssimo serviços das operadoras de Celular, a Anatel precisa ver o que está ocorrendo!

O vice de Serra é retrato dos problemas da candidatura
- Ela passou Serra.
- Ela é menos conhecida do que Serra
- Serra perdeu estes pontos no Sudeste e parece que só lidera no Paraná agora
- Lula não entrou para valer e a campanha não começou.
- A rejeição de Serra é maior do que a dela
- Ela ganha na espontânea
- O discurso de Serra tem uma dicotomia enorme, ao mesmo tempo que se apresenta para continuar, ele precisa atacar o governo atual e quando Lula tem 80% de aprovação, é complicado.
domingo, junho 27, 2010
A alma de Minas e a morte
A alma de Minas
Não se trata de bairrismo, alguns mineiros são privilegiados com a alma de Minas Gerais. Poucos sabem o real significado da Alma de Minas.
Os designados com a alma de Minas estão nos segmentos da política e da cultura, das artes, seria difícil nominar todos, nos esportes podemos destacar alguns também.
Existem centenas de mineiros que se ressaltam na mídia, perante seus pares, seus setores específicos, mas nem todos necessariamente têm a alma de Minas.
A alma de Minas tem o altruísmo, a abnegação e a vocação pública como pilares, outros valores, todos positivos estão impregnados também na Alma de Minas.
Ouvi o ex-governador Aécio falar no velório do meu pai: Murilo tinha a alma de Minas.
Ele está certo, sou testemunha e posso contar.
Murilo Badaró é um dos escolhidos para ter a alma de Minas, levou parte dela junto consigo, outros tantos ainda a levarão, mas infelizmente estão diminuindo os homens dignos desta essência.
Conversávamos muito ultimamente, aproveitei “meu velho” até o último instante. Ele me contou muitas histórias, debatíamos sobre a década de 50 e 60, sobre Vargas, a revolução de 64, os anos 70 e 80, enfim, tínhamos muitas conversas que uniam a minha curiosidade com a sua sabedoria.
Ele me contou a sua decepção e desconforto quando a linha dura, que implantou a ditadura, desvirtuou os ideais da legítima revolução de
Nossas conversas eram muitas. Quando, com muito prazer de minha parte, levava um vinho para degustarmos no domingo, as histórias surgiam. Murilo Badaró me contava de sua atuação como oposição a Magalhães Pinto, então governador nos idos de 60.
-Murilo, a política precisa de uma oposição combatente, legítima. Estamos perdendo isso. Os interesses, muitas vezes econômicos se sobressaem sobre a essência política do embate e do confronto, educado e necessário. Exclamava ele na sua serenidade.
Nunca vi meu pai alterar seu tom de voz, nem em momentos que fizessem qualquer pessoa normal mudar seu comportamento. Isso é parte da alma de Minas.
Ele me contou o episódio da convenção que disputou no PSD, então com 26 anos, para ser candidato a Vice Governador na chapa de Israel Pinheiro perdendo por muito pouco. Derrotado pelos caciques do partido, muitas mágoas para frente podem ter selado seu destino. Pela alma de Minas, ele sempre relevou tudo.
Ele nunca teve inimigos políticos, nem adversários, no estrito senso da palavra. A Alma de Minas dá a estes escolhidos esta prerrogativa, eles conseguem conversar com adversários, conviver, conciliar, negociar, enfim, esta é a essência da política mineira para os que têm a alma de Minas. Nunca testemunhei uma expressão de ódio, desamor ou sentimento de vingança no meu pai, por mais que tivesse motivos ou razão.
Isso é parte da Alma de Minas.
-Murilo, na política muitas vezes, a ousadia é a estratégia, perder ou ganhar é parte deu uma eleição, disse-me quando contou episódios de sua vida em que disputou eleição, mesmo sabendo da derrota iminente e da luta inglória. Nas suas candidaturas a bandeira sempre foi a vocação pública, o sentido de servir a Minas Gerais, nada, além disso.
A coragem é parte da Alma de Minas, derrotas podem ser vitórias perante aos preferidos pelo destino para possuírem esta alma de Minas Gerais. Os escolhidos para ter a alma de Minas relativizam a vitória, ela é parte do contexto político, ou não. A luta e a estratégia podem ser mais importantes do que a vitória ou a derrota. Isso muitas vezes faz a diferença do político mineiro.
Contou-me seu voto contra a cassação de Márcio Moreira Alves e o discurso de protesto contra a anulação de JK, estes quase lhe custaram o mandato, mas ele triunfou perante as suas convicções. Ele assumiu os riscos, conseguiu conciliar e contemporizar evitando o pior, mas nunca transigiu dos seus ideais de liberdade e democracia.
Murilo Badaró estava incomodado com a destruição das instituições, com o excesso do dinheiro na política e a deterioração da classe política. Ele como testemunha ocular e presencial de vários episódios deste país, deve ser levado em consideração, os fatos falam mais do que suas ilações.
Meu pai teve a morte dos justos, ele morreu em 5 minutos. Todos têm defeitos e qualidades, mas os que representam a alma de Minas têm seus desígnios.
Não me conformo com a morte dele. A morte não pode ser discutida, nem entendida, ela só pode ser aceita, nada mais. Ele poderia ficar mais alguns anos com a gente, fazendo o bem, ajudando conhecidos e desconhecidos, como sempre fez. A alma de Minas faz as pessoas não pensarem em si, mas nos outros, ele sempre foi assim.
A morte e o certo dito destino têm seus mistérios, assim como a vida, mas isso não pode ser motivo de resignação.
Minhas lágrimas podem estar secando, minha dor se arrefecendo, mas a saudade tomará conta destes espaços e será eterna, pública e reconhecida por alguns que tiveram este privilégio de ter convivido com ele.
Não estou lamentando, nem me confortando aqui, quero que muitos saibam que perdemos mais um personagem com a alma de Minas, e como ele mesmo me disse, a classe política está se degenerando, infelizmente. Espero que ele, na sua sabedoria, estivesse errado, mas os fatos nos mostram isso.
Não se trata de troca de gerações, alguns valores são imutáveis, inegociáveis. A alma de Minas não possui genéricos.
O exemplo dele pode ser resumido pela alma de Minas, para quem o conheceu é fácil entender o que escrevo aqui com a dor da perda, quem não o conheceu, ainda ouvirá seu nome ecoando nas montanhas das alterosas, nas homenagens que ainda virão, nos livros que escreveu ou nas histórias de Minas e do Brasil.
Nunca será difícil um filho escrever ou falar sobre um pai em momento como este. No meu caso pode ser mais complicado, falar sobre o político, o homem da cultura, o pai, o “detentor” da alma de Minas?
Não importa, afinal, a dor é pessoal e intransferível, que fiquem os seus bons exemplos. São vários!
sexta-feira, junho 18, 2010
Ainda Murilo Badaró...a saudade será eterna!
Quando os pássaros adormecem
Por Petrônio Souza Gonçalves
Os grandes são sempre maiores. De perto, agigantam-se, aprumam vôos, fazem sombra sem nunca nos privar de sua luz. Assim vi, ouvi e convivi com o presidente da Academia Mineira de Letras, assim conheci o ser humano Murilo Badaró, ex-ministro e ex-senador da República.
Sua vida foi um palco iluminado, ora pela política, ora pelas apresentações como cantor de ópera, quando usava o pseudônimo de Ricardo Villas e arrebatava multidões na Belo Horizonte dos anos 50. Seu talento era tanto, que um parceiro de palco me confidenciou: “Por maior político que o Murilo tenha sido, ele nunca iria superar o barítono que era!”
Seu grande projeto era comemorar os 80 anos, em 2011, com uma grande festa, quando distribuiria um cd com suas óperas resgatadas. Ao imaginar o evento, finalizava: “Será que eu vou conseguir chegar até lá?”
Fez da voz a sua espada, da palavra o seu caminho e duelou com o mundo à sua volta. Jovem deputado estadual, depois de se aconselhar com o pai, tomou a tribuna da Assembléia Legislativa de Minas Gerais para protestar contra a cassação de Juscelino. Discurso este que os militares nunca perdoaram. Depois, como deputado federal, votou contra a cassação de Márcio Moreira Alves, o que quase lhe fez perder o mandato. Ao saber que quem o salvou das garras militares foi o adversário e vice-presidente Pedro Aleixo, foi agradecê-lo, quando ouviu de Aleixo: “Que isso, essa reunião foi secreta, portanto, ela nunca aconteceu. Se ela não aconteceu, não tem nada que agradecer meu filho”.
Muito poderia dizer do homem público, dos vários cargos e mandatos, do escritor de várias obras e premiadas biografias, do acadêmico respeitado que tinha como chave da porta para as realizações dos nossos sonhos e projetos junto à Academia Mineira de Letras apenas um telefonema inesperado. Quando tudo parecia esgotado, ele se lembrava de alguém, ligava e tudo renascia. Era um parceiro perfeito...
Eu, seu funcionário, sempre me convidava para acompanhá-lo nas viagens, o que era minha obrigação. No trajeto, contava histórias, rememorava fatos, dividia confidências e inconfidências, viajava no tempo tendo ao lado um atento e sereno passageiro.
Trazia no peito a chaga aberta que nunca cicatrizou, por ter sido impedido a se candidatar ao governo de Minas pela Arena, quando estava em sua melhor forma e a vitória lhe parecia certeira. Havia visitado todas as cidades mineiras da época, em todas as regiões. Ao rememorar a campanha, me contava: “Estava em casa à noite quando recebi um telefonema de uma cidade que ainda não havia ido. Respondi: Pode ajuntar o pessoal que amanhã eu estarei aí na hora do almoço”. Esteve! Era verdade o que o seu slogan dizia: “Não importa em qual cidade de Minas que você nasceu, Murilo Badaró já esteve lá!”. Era o trenzinho das melhores tradições mineiras varrendo o interior de sua gente. Essa mágoa o consumiu até o último minuto de sua vida.
Me ensinou, em política, a diferença entre o adversário e o desleal. Me fez ler a história pelas entrelinhas. Os discursos, pelas interrogações. As versões, pelas pausas.
Fui com ele visitar antigos correligionários no Sul de Minas e pude testemunhar a comovida força da amizade que os unia, além do tempo e espaço, coisas que não existem mais. Ao final, indagou: “Como eu poderia ser político nos dias de hoje?”. Como que vencido pela imperiosa realidade, constatei: “O senhor não sabe o bem que fez a eles com essa visita”.
Certa feita, fomos a Juiz de Fora. Como era de seu feitio, chegamos antes, muito cedo. Juiz de Fora amanhecia. Sentamos em um banco da praça para ler os jornais do dia. Do outro lado da rua, dois mendigos acordavam na praça e começaram a discutir. Um deles veio até nós e perguntou ao Murilo: “O senhor é adevolgado ou juiz?” Murilo respondeu: “Sou padre. Este aqui é meu sacristão”. “Uai, então me dê uma bençãozinha aqui seu padre!” Murilo fez o sinal da cruz no ar e falou: “Vá em paz e que Deus te acompanhe.” O mendigo voltou para onde estava seu companheiro e falou baixinho: “Hoje estou com sorte, fui abençoado pelo padre Murilo Badaró”.
Ultimamente, estava de volta ao bom e velho combate, motivado pelo convite do ex-presidente Itamar Franco para compor a chapa de Itamar como suplente na candidatura ao Senado. E não parava de idealizar projetos. Imaginava fundar uma editora, tendo a participação de um dileto amigo. Queria dinamizar a Fundação das Academias de Letras de Minas Gerais, criada por ele em 2009, com o nome de FALEMG.
Na segunda-feira, dia 14 de junho, não foi à Academia. Às 18h7 terminamos nossa ligação aos risos. Às 19h45, foi encontrar-se com o pai e o avô, no céu, só faltou combinar com a gente. O infarto foi fulminante. Quando cheguei a sua casa, dona Lucy, sua esposa, estava abraçada a ele, como que se quisesse trazê-lo para a longa caminhada, para os palcos da vida, seu lugar natural. Ela representava todos nós, mas ele já não estava mais aqui.
Murilo Badaró levou com ele um pedaço de nós, daqueles sentimentos nobres que todos os dias nutria em cada um que estava a sua volta, indistintamente. O sentimento da boa convivência, do respeito às opiniões, do amor à literatura, do livre pensar, uma forma leve de ver o mundo e encarar a vida. A convivência com ele era uma renovada alegria, um privilégio.
Um dia, quando já tarde da noite íamos embora, na garagem cheia de carros e passarinhos, Carmen, sua secretaria, acendeu a luz para abrir a porta do carro. Ele protestou: “que isso Carmen, assim você vai acordar os passarinho”, saiu do carro e apagou a luz.
Essa é a imagem que trago dele, um homem que vôo alto mas nunca esqueceu dos passarinhos aprisionados, dos passarinhos esquecidos que não descobriram a liberdade do ar, os passarinhos do canto limitado, do vôo retido. Na verdade, acho que ele era, no mais fundo, um deles também.
Petrônio Souza Gonçalves - é jornalista e escritor.
|quarta-feira, junho 16, 2010
Minas Gerais perde um grande homem público: Murilo Badaró
terça-feira, junho 08, 2010
Crescimento do Brasil é equiparado ao da China no primeiro trimestre de 2010
domingo, junho 06, 2010
O mundo sem petróleo
