O mais importante é que as lições ficaram, mas muitos não aprenderam com elas.
As maiores bolhas econômicas da
História do Mundo
Bolha da Tulipa (1637)
Esta foi a primeira bolha especulativa da história.
A Bolsa de Valores foi criada na Holanda em 1602 com o objetivo de
captar recursos e explorar os oceanos que abriam as portas do mundo aos países
europeus. A capitalização da Companhia Holandesa das Índias Orientais
foi o mote, que visava aumentar o comércio e a exploração dos mares e países ainda
desconhecidos e inexplorados. O método usado na Holanda foi usado depois em
diversos países que dominaram o mundo no século XVII e XVIII. O lucro dos
investidores mostrou que era viável, mas eles não conheciam ainda a especulação
(provocada sempre pela ganância) e as bolhas (provocada pelo amadorismo). Foi
criado o mercado futuro.
Muitas pessoas começaram a investir no negócio, vendendo suas propriedades para
lucrar com a especulação de tulipas. Criaram os mercados futuros na bolsa de
valores de Amsterdã, e os investidores compravam tulipas de uma próxima
colheita. As pessoas pagavam preços irreais por uma tulipa, porque elas achavam
que poderiam vender ainda mais caro no futuro. A tulipa chegou a valer o preço
de uma casa em Amsterdã.
Companhia do Mississipi (1720)
O rei Luís XIV teve longo reinado e diversas guerras que levaram à bancarrota a
economia e a monarquia francesa. Para sustentar sua ostentação começou a se
influenciar pelas teorias monetárias do economista escocês John Law.
O capitalismo incipiente não motivava as monarquias a investimentos
visando lucro e crescimento, apesar de Adam Smith já ter lançado a “História da
riqueza das nações.
Em 1717, John Law comprou a Companhia do Mississipi e abriu seu capital obtendo
o monopólio de comércio com os EUA, garantido pelo rei Luís XV.
Law abusou de um esquema efetivo de marketing, que levou à especulação das
ações da companhia em 1719. Lucros enormes atraíram mais investidores
para um preço artificial e o excesso de liberdade do banco sem intervenção e
controle monetário do governo francês que passou a emitir moeda. À medida que o
banco emitia veio a hiperinflação.
A bolha estourou no final de 1720 aconteceu quando não havia mais investidores
para comprar as ações e sustentar a alta, com o excesso de vendedores para não
sofrer prejuízo aconteceu a aplicação de velho axioma econômico: a oferta maior
do que a demanda, preços caem. Neste caso foram a zero.
A bolha South Sea Bubble, na Inglaterra agravou o problema França.
A maioria da população começa a sentir e a viver em pobreza extrema por muitas
décadas e acabou culminando na Revolução Francesa.
O mundo todo foi afetado pela crise na França.
O Pânico de 1873 e a Longa Depressão (1873-1896)
O Pânico de 1873 começa nos EUA e acaba afetando o mundo todo
após ter experimentado crescimento econômico nos anos anteriores, impulsionado
pela Segunda Revolução Industrial.
O fim da Guerra Civil nos EUA e a
exploração do Oeste para amenizar a crise econômica dispara a construção de estradas de ferro, foram construídos
53.000 km de linhas de trem entre 1868 e 1873 financiada por investidores.
O dinheiro acabou e os mercados entraram
em colapso. A Bolsa de Nova York parou por 10 dias. Nos EUA, mais de 18.000
empresas, incluindo companhias de trem e bancos, foram à falência.
A Bolsa de Viena foi afetada pela crise americana de 1873 e também afetou a
Alemanha, Inglaterra e por consequência, o resto da Europa.
As reações à crise e a necessidade de se
recuperarem acabaram levando a Europa a iniciar, anos mais tarde, a Primeira
Guerra Mundial. A falência do modelo econômico capitalista ressuscita modelos econômicos no extremo oposto, como o
Comunismo e Karl Marx.
Crash de Wall Street e A Grande Depressão (1929)
O Crash da Bolsa de Valores de Nova York, naquela quinta-feira negra em 1929
(seguida da terça-feira negra, na semana seguinte), iniciou a mais famosa
crise, e talvez também a mais devastadora da história.
Após a Primeira Guerra Mundial, os países europeus estavam arruinados. Os
Estados Unidos aproveitaram o aumento da demanda para expandirem sua indústria e
cresceram sem parar entre 1918 e 1928. Foi um dos períodos mais prósperos da
História dos EUA, dando origem ao termo "American way of life".
Americanos passaram a investir pesado em ações na bolsa de valores. Muitos
venderam bens ou tomaram dinheiro emprestado para investir. Mais de 8,5 bilhões
de dólares foram emprestados, isso era mais da metade de todo o dinheiro em
circulação nos EUA. Os preços das ações estavam subindo e incentivando
mais pessoas a investirem, criando uma bolha especulativa.
Além dos EUA, países como a Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Austrália e
Canadá foram duramente atingidos pela Grande Depressão, que acabou afetando o
mundo inteiro. Entre 1929 e 1932, o PIB mundial chegou a cair 15%, levando
milhões de pessoas ao desemprego e à miséria.
Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores que ajudaram a ascensão
de regimes ditatoriais radicais, como o Fascismo, comandados
por Adolf Hitler na Alemanha, e Benito Mussolini, na Itália.
Nos EUA, em 1933, o New Deal, conjunto de programas de intervenção do
Estado ajudaram a minimizar os efeitos da crise. O New Deal consistia
basicamente de:
- Investimento maciço em obras públicas (mesmo que isso significasse aumento da
dívida pública a curto a prazo), gerando milhões de empregos.
- Destruição de estoques de gêneros agrícolas para conter a queda dos preços
(nesta mesma época o Brasil fez o mesmo com o café, queimando milhões de
toneladas do produto).
- Controle sobre os preços e a produção.
- Programas de ajuda social, como diminuição da jornada de trabalho (o que
ajudou a abrir novos empregos), seguro-desemprego, seguro-aposentadoria e a
implementação de um salário mínimo.
A crise de 1929 culmina com a explosão da Segunda Guerra Mundial, que
deixou mais de 70 milhões de mortos ao redor do Mundo e deixou a Europa
arrasada.
A Grande Recessão (2008 - 2012)
A partir do final dos anos 1990, após o estouro das empresas ponto com e a “exuberância
irracional” termo cunhado por Allan Greenspan, os preços dos imóveis nos EUA
começaram a disparar baseados em especulação. O preço das casas em algumas
regiões chegou a subir de 20% a 30% por ano, enquanto que a renda não crescia
na mesma velocidade. Em 2007, existiam casebres nos EUA valendo o preço de uma
mansão.
A bolha estourou quando os bancos revelaram ter estendido hipotecas lixo (Subprime)
a pessoas sem condições de pagá-las, com a expectativa de que o preço dos
imóveis seguisse subindo. As hipotecas foram transformadas em títulos e
vendidas nos mercados, o que gerou centenas de bilhões de dólares de prejuízo aos
investidores quando as famílias não puderam mais pagar as hipotecas. O Lehman
Brothers, maior banco de investimentos dos EUA, com mais de 150 anos de
funcionamento, quebrou, arrastando consigo uma série de outros bancos nos EUA e
fora dos EUA.
Após uma queda brusca em diversas bolsas de valores nos EUA e ao redor do
mundo, a Europa começou a sentir. A Grécia foi obrigada a reconhecer que o
déficit do país era muito superior ao revelado anteriormente, o que alterou o
interesse nos mercados por seus bônus. União Europeia (UE) e FMI negociaram
durante meses um programa de ajuda, enquanto os investidores continuaram
castigando o país, retirando cada vez mais dinheiro. O pânico dos investidores
contagiou o resto da Europa, e os mercados então começaram a duvidar da
capacidade de outros países europeus de pagarem suas dívidas. Países como
Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, entre outros, entraram de vez na crise.
Vale ressaltar que Ben Bernanke o presidente do FED na época conseguiu com sua
sabedoria administrar a crise de 2008. Ele conhecia profundamente a crise
mundial de 1929 e seu trabalho acadêmico tinha sido sobre o Crash de 1929.
O Encilhamento no Brasil
O ministro da Fazenda Rui Barbosa emite moeda para tentar aproveitar o boom tecnológico
mundial da época. República recém fundada, iluminação, ferrovias, máquinas a
vapor, etc, e ainda incipiente a nossa República fizeram as autoridades a
emitir moeda para gerar investimento.
Acabamos com uma inflação recorde e uma crise interna de grande
repercussão com quebras de empresas e caos econômico.
Outras crises globais
Um resumo encontrado aqui ilustra bem, clique e leia. Crises
financeiras de 1991 2011, mas que não tiveram o impacto global tão forte
como as primeiras desta postagem.
O período de 1991-2011 presenciou as seguintes crises
financeiras:
1992-1993: BLACK WEDNESDAY
Ataques
especulativos às moedas do Mecanismo de taxas de câmbio europeu. Esta crise
iniciou-se a 16 de setembro de 1992 com a decisão do governo conservador
britânico de retirar a libra esterlina do sistema anteriormente mencionado, por
não conseguir manter a moeda britânica nos limites exigidos. Isto causou um
ataque de especulação quanto ao real valor das moedas do continente (naquela
época, o Euro ainda não existia, e os países europeus todos possuíam ainda suas
moedas nacionais), totalizando perdas de cerca de 3.4 bilhões de libras.
1994-1995: CRISE ECONÔMICA
DO MÉXICO DE 1994
Também conhecida em
espanhol como "el horror de diciembre", foi ataque especulativo
agravado pela inadimplência do México - esta crise se inicia com a
inesperada desvalorização do peso mexicano, em dezembro de 1994. Seu efeito
reverberou por toda a economia do cone-sul atingindo o Brasil especialmente,
naquilo que ficou conhecido pela imprensa mundial como o "Efeito
tequila". Teve que ser contornada a partir de um pacote de assistência ao
México, que também acalmaria os investidores internacionais, restaurando a
confiança no potencial de investimentos no país.
1997-1998: CRISE
FINANCEIRA ASIÁTICA
Desvalorizações
e crise bancária em vários países da Ásia. Com esta crise financeira,
muito da fama dos "Tigres Asiáticos", de possuírem economias
progressistas e sólidas desmoronou. Iniciada na Tailândia, com o colapso da
moeda local, o baht, ela se alastrou para mais cinco países, praticamente todos
os denominados tigres. Na Indonésia, a crise soou mais forte, chegando a causar
distúrbios de rua, a queda do ditador Suharto, e em última análise contribuiu
até para a independência de Timor, então ocupada militarmente por aquele país.
1998: CRISE FINANCEIRA
RUSSA
desvalorização
do rublo e inadimplência da Rússia - Cenário bastante parecido com o do México,
onde, uma vez demonstrada a fraqueza da economia de um país, logo se inicia a
especulação generalizada. O Brasil em especial sofreu com a crise russa, sendo
o episódio onde reconhecidamente as conquistas obtidas com o Plano Real de 1994
quase foram destruídas pela especulação em massa que varreu as economias
mundiais naquele momento.
2000: BOLHA "PONTO
COM"
A
bolha da internet, que alcançou seu auge em março de 2000, foi causada pela
rápida valorização das ações de empresas ligadas à internet. Com o tempo,
muitos investidores perceberam que o retorno não viria e começaram a vender
suas ações, em um efeito manada que derrubou a bolsa de valores Nasdaq.
2000-2001: CRISE TURCA
A
Turquia sofre com a rápida corrosão de sua moeda, levando a forte especulação e
aumento de preços.
2001-2002: CRISE ECONÔMICA
DA ARGENTINA
Quebra
do sistema bancário, dando origem a uma carestia de proporções imensas, que
evolui para o caos nas ruas das principais cidades. O presidente na época,
Fernando De La Rua, é forçado a renunciar, e o país entra em virtual falência,
da qual só recentemente se recupera, após abandonar tardiamente o receituário
de economia neo-liberal.
Bibliografia:
Financial
crisis (em inglês) . Disponível em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Financial_crisis . Acesso em: 25 ago. 2011