Assuntos que me interessam: Política, Meio Ambiente, Economia, Tecnologia, Internet e um pouco de filosofia.
sexta-feira, setembro 08, 2023
Ouro Preto - Muitas histórias
sábado, julho 08, 2023
Ainda Ecos da Reforma Tributária
Ainda ecos da Reforma Tributária, o Congresso aprovou alguns
destaques e agora vai ao Senado Federal.
Como disse, pior do que está não deve ficar. Se só
simplificar nosso sistema já terá valido a pena.
Alguns segmentos vão sentir e muitos ajustes devem ser
feitos, leis complementares e definições de alíquotas e detalhes serão
necessários. Dee certa forma esta nebulosidade assusta um pouco, mas vamos
torcer.
Algumas mudanças finais e considerações. No final coloco
duas matérias que complementam as informações daqui e esclarecem mais dúvidas.
1.
O imposto cobrado no destino é boa ideia e pode
ter ajudado os grandes estados a aderir, MG, SP e Rio.
2.
O peso de 60% de MG e SP no Conselho Federativo também
facilitou a adesão dos governadores com certeza. Ainda acho que este
instrumento centraliza mais BSB, aumenta custos administrativos pois deve have staff,
conselheiros, etc. Não acredito que funcione bem, é um dos problemas da reforma,
na minha visão. Sou a favor de Estado mínimo, burocracia zero.
3.
Impostos “zerados” na Cesta Básica é saudável
(sempre zerar imposto será saudável), mas ainda não definiram o que compõem a Cesta
Básica.
4.
O Cash Back é inteligente e de certa forma ajuda
os mais vulneráveis, volta dinheiro para o mercado e isso é saudável. Para quem
não entendeu ainda. A compra de produtos (ainda precisam ser definidos, mas deve
ser de consumo alimentar) quando registrados com o CPF do consumidor, e cruzado
com o Banco de Dados dos programas sociais e parte da grana volta. Parece que
no Rio Grande do Sul tem um já com ótimos resultados e muitas prefeituras fazer
isso. O instrumento serve para atacar a sonegação e, como já disse, volta
dinheiro ao mercado. “zerando “ a carga da Cesta Básica este cash back pode
ficar redundante, mas é positivo.
5.
Os regimes diferenciados podem abaixar impostos,
mas ainda não entendi como.
6.
O tal imposto Seletivo (IS), chamado de Impostos
do Mal é um grande perigo, pois quais serão os critérios para aumentar e
definir impostos para produtos que fazem mal a saúde e ao Meio Ambiente? Quem
definirá isso?
7.
Foi suspensa a isenção até 2032 de incentivos
fiscais para montadoras no Nordeste e atrapalhou a vinda da chinesa BYD ao
Brasil. Quer saber? Eles virão de qualquer forma aproveitando a infraestrutura
da Ford existente na Bahia.
Ainda muitas perguntas sem respostas com certeza, mas
aparentemente saldo positivo na minha visão.
O risco é ainda as indefinições e regulamentação, definição
de alíquotas e outros detalhes que precisam ser esclarecidos e determinados.
Duas matérias mais simplificadas para mais informações.
Uma matéria da CNN com mais detalhes: Clique
e leia
Uma matéria da Forbes com perguntas e respostas. Clique
e leia
quinta-feira, julho 06, 2023
Reforma Tributária? Somos o INGANA- Impostos da Inglaterra e serviços de Gana
Não há como ser contra uma reforma tributária no Brasil. Ela
é essencial e imprescindível.
O Brasil é o INGANA , Impostos da Inglaterra e serviços de
Gana. Já foi a Belíndia no passado (Impostos da Bélgica e serviços da ìndia).
Entre impostos federais, estaduais e municipais, taxas e
contribuições, o Brasil possui uma lista de 92 tributos
vigentes. Consultar quais? Clique aqui.
Segundo o Banco Mundial o brasileiro tem que trabalhar pelo
menos 1,5 mil horas por ano para honrar os compromissos com o poder
público e pagar os impostos estabelecidos pela legislação. O campeão mundial.
A carga tributária afeta a produtividade das empresas,
diminuiu a competitividade internacional, incentiva a sonegação e é atraso ao
país que não supre as necessidades básicas da sociedade que deveria ser
obrigação do Estado (Saúde, Educação e Segurança).
Ou seja, em “BOLD” – PRECISAMOS SIM DE UMA REFORMA
TRIBUTÁRIA.
O tema é discutido há muito tempo e parece que agora existe
uma luz no fim do túnel. Precisamos pensar que muitas vezes a solução ótima é
inimiga da boa. Precisamos avançar. Vou dar alguns detalhes e comentar vícios e
virtudes na minha visão.
Em resumo, O novo substitutivo da PEC nº 45, de 2019 de 22
de junho desde ano.
A proposta precisa simplificar - o sistema de impostos
com a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA)- Como em vários
países. Ideal? Não, mas muito melhor que uma salada de letrinhas de impostos,
taxas e contribuições.
A ideia básica é criar um IVA dual. Uma parcela gerida pela União e outra por
Estados e Municípios.
O objetivo é substituir
o PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS e ISS, dividido em
duas partes: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS),
administrado pelo governo federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços
(IBS), administrado por Estados e Municípios. A
PEC prevê também um Imposto Seletivo (IS) de competência da União, incidente
sobre a produção, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais
à saúde ou ao meio ambiente, e será definido em lei própria.
Não vou entrar em detalhes técnicos porque envolve
conhecimento jurídico e não é minha praia, quero dar minha visão sobre as
questões que podem impactar a economia e a sociedade.
Mais informações aqui para quem quer detalhes mais técnicos- Clique e leia
Detalhe importante. Não será uma disrupção imediata, há
prazo para transição que vai de 2025 a 2032.Isso é positivo.
A rigor, a intenção é boa (sempre será), mas tem que
funcionar na prática.
Pontos positivos já enxergados:
1.
Acabará com a confusão do sistema tributário
atual?
2.
Simplifica com a implantação do IVA, pelo menos
tende a simplificar.
3.
Apesar de ser um governo petista, o tema é
discutido há muito tempo e é um pleito da sociedade.
4.
Haverá um processo de transição.
Pontos Negativos:
1. Houve pouco debate, estão tentando "enfiar" goela abaixo no Congresso. Muitos deputados reclamam disso. Talvez precisasse mais debate.
Vai aumentar a insegurança jurídica? Hoje tudo
no Brasil é judicializado e a Juridicocracia em vigência desde o começo
do século XX (minha opinião é esta) não sei como se comportará. A palavra final
será deles, como vem sendo e sempre atropelando os outros poderes.
2. A Conselho Federativo do IBS, que será uma
mistura do Confaz, com os Fiscos, Conselhos e Tribunais Administrativos,
Dívidas Ativas e parte das Procuradorias dos Estados e DF e todos os
municípios. Em princípio a Assembleia Geral será composta de 5.595 membros,
sendo os votos distribuídos de forma paritária entre o conjunto de todos eles.
ISSO NÃO VAI FUNCIONAR. (Eu acho)
3.
Muitas coisas indefinidas serão regulamentadas
por leis próprias, talvez portarias e regulamentos, mas se seguido o exemplo da
CF de 88, não consigo enxergar pontos positivos nisso. A CF de 88 ficou
capenga, criou ao longo do tempo muita insegurança jurídica e falta de clareza
em diversos temas.
4.
Como ficam as taxas, contribuições e outros
nomes eufemistas para tributos? A Reforma pega os principais, mas de temos 92
no total, como ficam os outros?
5.
E os “tributos” específicos de municípios e
estados? Se querem e precisam acabar coma guerra fiscal, isso pode ser tiro no
pé de muitos municípios e estados.
6.
Vai gerar aumento em alguns segmentos com
certeza. Eles vão aguentar?
Ainda há muita pergunta sem resposta.
O pior erro, aparentemente, é a criação de Conselho para
deliberar sobre questões que afetam a vida das pessoas nos municípios e
estados. Alguns enxergam isso como mais
um excesso na CENTRALIZAÇÃO, que já é muito concentrada em Brasília. Para
muitos um erro histórico. Isso acabou ajudando o inchaço do Estado, na minha
opinião.
No geral, o conceito do IVA é saudável e promissor, a
reforma é necessária para restabelecer a competitividade, produtividade e
ajudar na criação de emprego e renda.
Temos muitas injustiças sociais e desequilíbrios e só serão
combatidos e enfrentados com geração de prosperidade, riqueza e emprego. O
resto é conversa.
O Estado hoje é “sócio” do setor produtivo e, atrapalha
muito. Perdemos o “bônus demográfico” e momentos de prosperidade global que não
voltam mais. Na minha opinião por culpa de governos e gestão que desdenharam da
economia livre da interferência de Estado.
Meu maior temor é um aumento exagerado em alguns segmentos
(vai ter aumento com certeza). Hoje, segundo estudos, na média, temos uma carga
tributária total média de 35% do PIB, coisa de primeiro mundo. Mas na verdade
INGANA- Impostos da Inglaterra e serviços de Gana.
Se cair de 35% será excelente, mesmo no médio prazo, mas
precisa mais.
Outro problema é a gestão desta reforma pro um governo que
adora gastar e aumentar o Estado, um risco alto e precisa de toda nossa
atenção.
Não podemos cair na narrativa que a reforma vai taxar mais
ricos do que pobres, isso não é tão simples e nunca funcionou. A reforma não se
propõe a isso.
Tomara que dê certo. A Reforma é necessária e imprescindível
para o futuro deste Brasil, que sempre foi o país do futuro, que nunca chega.
Existem riscos no horizonte, isso é fato, mas talvez o maior risco seja não correr riscos. Há 30 anos se debate o tema. Pena que vem em um governo que tem uma verve de excesso de Estado e gera toda desconfiança.
sexta-feira, março 31, 2023
O novo arcabouço fiscal , e ai?
- Melhor ter alguma regra e visibilidade do que nenhuma. Estavamos assim.
- Na teoria tudo funciona e os planos são sempre bem intencionados. Não quero antecipar crítica ou elogio, mas algumas idéias são bem interessantes se funcionarem na prática e no mundo real.
- Orçamento é peça de ficção, diria Roberto Campos, mas as despesas não são, são reais e primárias, obrigatórias. As discricionárias em muitas situações são definidas por governos e sempre visando o ataque ao dinheiro público, por isso é importante o controle de gastos e administração do "caixa". Planjemento é essencial, mas precisa ter racionalidade e não ser ficção ou narrativa política.
- É básico. Não se pode gastrar mais do que se ganha, só com investimentos que dão retorno, mas sempre tudo planejado e com contingências.
- O plano tem ideias boas, mas ainda sem explicação de muitos detalhes. Além disso será submetido ao Congresso e pode ser modificado, espero que para melhor.
domingo, março 19, 2023
Porque alguns países prosperam e outros não? A pergunta começa a ser respondida? Sim....muitas teses interessantes.
A Teoria Unificada do Crescimento, de forma bastante resumida, pode ser descrita da seguinte forma:Pule Matérias recomendadas e continue lendo
- O cérebro do homo sapiens deu vantagem sobre outras espécies e proporcionou a introdução de inovações
- Inovações possibilitam mais recursos para um grupo humano. Com mais recursos, mais crianças nascem, mais crianças conseguem sobreviver, e a população aumenta
- Consequentemente, com uma população maior, em determinado momento os recursos para sustentá-la se tornam insuficientes e há um retorno às condições anteriores de pobreza. Esse ciclo se repete por centenas de milhares de anos
- Mas a revolução industrial no século 19 criou a necessidade de desenvolvimento educacional. Assim, as famílias optam por menos filhos para investir em formação escolar, e as taxas de fertilidade caem
- Para Galor, o progresso tecnológico desde então se converteu em mais prosperidade e não em uma população maior
- No entanto, as desigualdades de riqueza entre nações persistem por fatores como geografia, instituições locais, cultura, diversidade genética e impactos da revolução agrícola.
A falácia do discurso que a pobreza de muitos é criada pela riqueza de alguns.
segunda-feira, março 13, 2023
Os presidentes do Brasil desde a Proclamação da República
OS PRESIDENTES DO BRASIL DESDE 1930
Publicado em 27 de junho de 2017 por Murilo Prado Badaró Clique e leia
REPÚBLICA TUPINIQUIM
Entender a história política do Brasil, da República em especial, é um exercício de paciência. Passados 128 anos desde que o marechal Deodoro destronou D. Pedro II, 14 presidentes brasileiros (nomeados e eleitos direta ou indiretamente) não concluíram seus mandatos: dois faleceram antes mesmo de assumir (Rodrigues Alves, em sua segunda gestão, e Tancredo Neves) e dois morreram na vigência do governo (Afonso Pena e Costa e Silva); dois foram afastados antes de tomar posse (Júlio Prestes e Pedro Aleixo); um cometeu suicídio durante o mandato (Getúlio Vargas) e três renunciaram (Deodoro da Fonseca, Jânio Quadros e Fernando Collor); cinco foram afastados ou derrubados do poder (Washington Luís, Getúlio Vargas, Café Filho, João Goulart e Dilma Rousseff).
Sem considerar os interinos (deputados, senadores ou vice-presidentes), 15 presidentes eleitos (direta ou indiretamente) concluíram seus mandados (incluindo o não eleito Castelo Branco, que assumiu após o golpe de 1964).Dois eram militares eleitos democraticamente (Hermes da Fonseca e Dutra) e três oficiais eleitos indiretamente durante a ditadura militar (Médici, Geisel e Figueiredo).Exerceram integralmente a presidência da República Prudente de Morais (1894-1898), Campos Sales (1898- 1902), Rodrigues Alves (1902-1906), Hermes da Fonseca (1910-1914), Wenceslau Brás (1914-1918), Epitácio Pessoa (1919-1922), Artur Bernardes (1922-1926), Eurico GasparDutra (1946-1951), Juscelino Kubitschek (1956-1961), Humberto Castelo Branco (1964-1967), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), Ernesto Geisel (1974-1979), João Figueiredo (1979-1985), Fernando Henrique Cardoso (1995- 2003) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011).
Desconsiderando a própria ação militar que derrubou a monarquia e todas as revoltas, pressões, articulações e maquinações em que as Forças Armadas estiveram envolvidas, os militares intervieram diretamente em cinco oportunidades ao longo do período republicano. Duas vezesagiram em favor da democracia (derrubaram uma ditadura em 1945 e garantiram a sucessão presidencial em 1955) e três vezes atuaram contra ela (em 1930, 1937 e 1964). Dos presidentes militares pós-golpe de 1964, só Costa e Silva não terminou seu mandato (1967-1969). Seu vice eleito, o civil Pedro Aleixo, foi impedido de assumir o poder por umajunta de militares.
sexta-feira, janeiro 27, 2023
O primeiro Golpe do Brasil
No dia 10 de novembro de 1823 a sessão foi suspensa.
Antônio Carlos tinha o “sangue fervendo em borbotões e os cabelos eriçados”. Mas enquanto o povo
carregava nos ombros ele e seu irmão Martim Francisco, D. Pedro concentrava
forças militares nos arredores da Assembleia.
Na manhã seguinte, em revista às tropas e em meio à saudação
de “Viva o imperador liberal e constitucional!”, ele ordenou que os soldados
cercassem o prédio onde se reuniam os deputados. O deputado paraibano Manuel Carneiro
da Cunha exclamou: “O que eu vejo nisso é o governo a querer dar-nos a lei”.
Acuados e na
esperança de resistir, os constituintes declararam-se em sessão permanente.
Passaram por uma “noite de agonia” em vão.
Quando o coronel Francisco Vilela Barbosa, recém-nomeado ministro-chefe,
entrou no recinto fardado e de espada na cintura, às 11 horas da manhã do dia
12, a Assembleia Constituinte foi dissolvida. O primeiro golpe da história brasileira!
Frei Caneca, líder da Revolução Pernambucana de 1817 (mais
tarde morto por sua participação na Confederação do Equador, em 1824), declarou
que o dia era de luto e “nefasto para a liberdade do Brasil”. As historiadoras
Lilia Schwarcz e Heloisa Starling escreveram que “é irônico pensar que não só o
modelo de independência brasileira preconizou uma monarquia em lugar de uma
república, como nosso primeiro projeto constitucional foi vetado, e nem chegou
a vingar”.
Quatorze deputados foram presos. Alguns fugiram e outros foram
enviados para o exílio. Afastado do ministério desde julho, Bonifácio foi preso
em casa. Encarcerado na Fortaleza da Laje e depois na Santa Cruz, foi
expatriado no ano seguinte.
CONSTITUIÇÃO “OUTORGADA”
O golpe que derrubou o primeiro parlamento brasileiro fez nascer
uma Constituição imposta de cima para baixo. imperador era “constitucional por entusiasmo,
arbitrário por natureza”.
Para elaborar a sua Constituição, D. Pedro reuniu dez conselheiros
(seis eram também ministros). Um mês de trabalho bastou para que o imperador
tivesse em mãos o projeto constitucional desejado. Muito porque o anteprojeto de
Antônio Carlos fora, em parte, aproveitado. A versão de D. Pedro, porém, era
mais bem redigida e sucinta. Continha 179 artigos apenas.
O Brasil seria uma monarquia constitucional, hereditária e representativa.
O diferencial do projeto era a proposta trazida pelo conselheiro José Joaquim
Carneiro de Campos — e que seu irmão Francisco Carneiro de Campos já havia apresentado
à Assembleia dissolvida: o uso do Poder “Moderador”. Segundo o próprio
documento, “a chave de toda organização política”, o “equilíbrio e a harmonia
dos demais poderes”. O conceito não era original; havia sido teorizado pelo
conde de Clermont-Tonnerre no século XVII e desenvolvido por Benjamin Constant
em seu livro Curso de política constitucional. No entanto, servia bem à ideia
de D. Pedro, ser o fiel da balança entre os Poderes Legislativo e Executivo. No
século XIX ainda se desconhecia completamente a funcionalidade do pilar
tríplice da política moderna: Legislativo, Judiciário e Executivo.
O direito ao voto — que era indireto e censitário — foi concedido
a homens com pelo menos 25 anos (ou 21 se casados, oficiais militares, clérigos
ou bacharéis) e uma renda mínima considerada baixa para os padrões da época.
Os deputados eram eleitos indiretamente. Nas eleições primárias,
votariam aqueles com renda líquida anual de 100 mil réis — proveniente de bens
e ou de emprego. Escolhidos os “eleitores”, que deveriam ter renda anual de 200
mil réis, estes seguiriam para a capital da província e seriam os responsáveis
por eleger os candidatos. Os senadores eram escolhidos pelo imperador com base
em listas tríplices de eleitos nas províncias. Embora não fosse explícito,
mulheres não tinham direito ao voto por questões sociais. Por outro lado, não
se excluía diretamente o voto de analfabetos. Fato que não deixa de ser
curioso. Mais tarde, na década de 1880, com pequenas diferenças nas leis
eleitorais, 50% da população masculina brasileira votava (13% do total), número
bem superior ao de países como Inglaterra (onde 7% da população ia às urnas) e
Estados Unidos (2,5%). Já na República, nas eleições de 1930, quando apenas o
brasileiro alfabetizado tinha direito ao voto, os votantes correspondiam a
pouco mais de 5% da população.
O projeto da Constituição foi enviado às câmaras das vilas
brasileiras — a maioria delas acordou com a proposta.
Em dezembro, a nova carta constitucional foi apresentada ao
Senado da Câmara e assinada pelos ministros e pelo Conselho de Estado. Em 22 de
abril, Luís Joaquim dos Santos Marrocos, o arquivista da Real Biblioteca,
escreveu a versão que seria solenemente jurada pelo imperador na Catedral da Sé
do Rio de Janeiro no dia 25 de março de 1824. “A marionete solta das cordas”,
como se referiram a ela Schwarcz e Starling, ou a “Outorgada”, como ficou conhecida,
foi a Constituição mais longeva do Brasil. Ao ser revogada pelo governo
republicano, em 1889, era a segunda constituição mais antiga do mundo, superada
apenas pela estadunidense.
CONSTITUIÇÃO “OUTORGADA”
O golpe que derrubou o primeiro parlamento brasileiro fez nascer
uma Constituição imposta de cima para baixo. imperador era “constitucional por entusiasmo,
arbitrário por natureza”.
Temos vocação para golpes? O momento do Brasil nos faz refletir sobre isso.
Todos os golpes são justificados na CF e sempre haverá controvérsias e discussões. Pode ser o que estamos vivendo hoje, mas correndo o risco deste momento escalar e ficar mais grave ainda. A Democracia pode muito, mas não tudo. Muitas vezes emn nome dela são vilipendiados direitos e liberdades individuais e coletivos.
Imperador? Pode até ser alguém que não tenha o título, mas possui as prerrogativas de poder.
D. Pedro foi nomeado imperador pelos seus pares da maçonaria.
A história se repete como farsa ou tragédia, disse Marx (a única coisa que concordo com ele). Todo cuidado é pouco.
Rasgar a constituição, interpretar com idiossincracia ou não respeitá-la não são as mesmas coisas?
Constituições brasileiras
Das sete Constituições, quatro foram promulgadas por assembleias constituintes, duas foram impostas — uma por D. Pedro I e outra por Getúlio Vargas — e uma aprovada pelo Congresso por exigência do regime militar. Na história das Constituições brasileiras, há uma alternância entre regimes fechados e mais democráticos, com a respectiva repercussão na aprovação das Cartas, ora impostas, ora aprovadas por assembleias constituintes. Abaixo, um resumo das medidas adotadas pelas Constituições do país:
Fonte: Agência Senado
sábado, dezembro 17, 2022
Um remédio de US$ 3,5 milhões
Quem quiser ver mais
A tecnologia avança rápido. A humanidade só agradece.
Mas sempre precisamos refletir sobre o qua acontece. Não são críticas, são reflexões.
US$ 3,5 milhões uma unidade, uma aplicação.
Quem pode pagar?
Quem não pode? Como faz?
Quanto foi a pesquisa ? Quem pagou?
Terá retorno financeiro?
São mistérios da nova economia?
Muita pergunta e pouca resposta na minha visão.
O importante é o avanço tecnológico na biomedicina. A onda é esta juntamente com a genética.
A humanidade agradece sempre, e continuará assim.
domingo, outubro 16, 2022
Jesus era socialista?
sábado, setembro 10, 2022
Democracia ameaçada?
Nunca imaginei que assistira a ópera bufa da democracia tupiniquim.
Todo mundo falando de boca cheia, Estado democrático de direito, democracia, mas relativizando a coisa principal da democracia. A liberdade.
Não gosto de discutir filigranas jurídicas, mas o Artigo 5 da no CF, aliás um elefante branco, é claro como a luz do sol. Estamos correndo riscos sim, de extirparem isso, ou interpretarem conforme a vaidade de alguns que não sei se são juizes e deveriam estar no lugar.
Vamos lá, vou listar aqui o que , na minha modesta opinião, é ameaça real a nossa democracia.
- O Bolsonaro pode não ser o ideal, tem muitos defeitos, mas foi eleito com 57 milhões de votos, conseguiu passar pela pandemia e uma guerra anacrônica. Mal ou bem, estamos mostranbdo ao mundo que o BRasil caminha forte. Administramos a inflação, conseguimos colocar a economia para andar novamente, ganhos de produtividade são visíveis. Entretanto, o sistema está todo contra ele. A mídia, 95% bate 24/7 no cara. A antiga chamada "vênus platinada', hoje globolixo deixou todos os escrupulos de lado para fazer notícia virar pauta de ataque ao cara. Impressionante, repugnante. Os interesses deles são maiores do que o do país?
- Assistimos o STF interferindo nos outros poderes, cada vez mais, juridicocracia pura e estranha, Montesquiseu se revira na tumba assistindo as ações de alguns juizes, juizes?, se achando imperadores do Brasil. Já impediram ações do executivo, se meteram na segurança pública (caso do Rio) e na saúde (pandemia) e agora com print de Whatsupp e matéria de jornal manda invadir empresas e tripudiar todo processo acusatório do país. Um projeto de lei aprovado no Congresso, sancionado pelo presidente, é suspenso pelo STF. Como assim? Eles são os reis do Brasil?
- Ainda o STF, invesntam uma jogada processual para tirar da cadeia e tentar limpar um bandido condenado por 17 juizes em 3 instâncias, pior, para concorrer a presidência. Como podemos explicar isso a investidores estrangeiros? O escárnio de não ter prisão em segunda instância ainda pessa pelo absurdo de anular um processo de um pilantra porque o CEP da delegacia era outro. Brincadeira, não sei se é para rir ou chorar.
- O "descondenado", mas não inocente, com vários processos ainda na justiça recebe o carinho da mídia que insiste jogar tudo para debaixo do tapete.
- Bolsonaro reune milhões de pessoas e é chamado de facista e "atos antidemocráticos". Como assim? A cor verde amarela e o patriotismo são fascistas? E as bandeira vermelhas do lixo esquerdista? São o que?
- Klu Klux Kan? O criminoso, deve ter sido orientado pelos marqueteiros, chama as manigestações de KKK? Eu fui, sou testemunha. Em BH tinha gente de todas as classes sociais e idades, espetáculo emocionante mostrando que o povo acordou e está percebendo a atuação do "mecanismo". Sim, cada vez tenho mais certeza que ele existe e quer voltar ao passado, sabemos bem porque.
- Bolsonaro acusado de golpista toda hora, misógino, machista, será que esqueceram o passado do ex-presidiário ou a indignação é seletiva? Piada.
quarta-feira, maio 25, 2022
A primeira reunião de Castelo Branco como presidente pós 64
Meu livro vai até 31/03/1964, não entro no Regime Militar. Sim, foi uma ditadura, muitos erros foram cometidos pela linha dura. Existiam dois grupos nas FFAAs, um legalista e outro linha dura.
Não podemos esquecer que a Guerra Fria estava no auge, o terrorismo aqui no Brasil financiado pela URSS, China e Cuba (meu livro conta detalhes) e a situação econômica era um caos. Isso era combustível para a linha dura.
Não há defesa para os equívocos do Regime Militar, podemos até entender pelo momento e conjuntura, mas nunca terão justificativas, outros caminhos poderiam ser tomados.
A cassação injusta de muito políticos, entre eles JK, foi um erro imperdoável.
Posso afirmar que Castelo Branco era legalista e ficou extremamente constrangido com a cassação de JK (que o havia promovido a General), mas foi vencido pela Linha Dura comandada por Costa e Silva naquele momento.
É a história sendo revelada e conhecida a cada momento.
Vejam os relatos de Lira Neto sobre a primeira reunião de Castelo Branco. Páginas 411 e 412 do livro Castello: A marcha para a ditadura
O cenário não era animador. A inflação projetada para o ano já rompera a marca dos 100%. Os índices de crescimento despencavam enquanto os investidores estrangeiros, escaldados pela política externa independente e pelas Reformas de Base de Jango, haviam sumido do mapa. O país, portanto, estava à beira da insolvência.
— O Brasil ficou entre um capitalismo sem incentivos e um socialismo sem convicção — sentenciou Roberto Campos, Ministro do Planejamento.
Muitos ministros chegaram a se encolher nas cadeiras. "Sou o síndico de uma massa falida", escreveria o próprio Castello ao filho, Paulo. A terapêutica sugerida por Roberto Campos era amarga: arrocho salarial, para conter a procura e para sinalizar um panorama favorável aos empresários; extinção dos subsídios sobre o petróleo e o trigo; fim dos tabelamentos que provocavam o desabastecimento nas prateleiras dos supermercados; incentivo às exportações, por meio da desvalorização do cruzeiro em relação ao dólar; e, por fim, para atrair investidores internacionais, estímulo ao capital de risco no país. As medidas, estava claro, não seriam nada populares.
Castello foi advertido por Roberto Campos de que o receituário ortodoxo geraria inevitáveis ondas de insatisfação em meio à opinião pública. Chegou-se a argumentar, na reunião, que somente um presidente eleito por vias indiretas teria mesmo condições de levar a cabo um programa rigoroso daqueles. De qualquer modo, apesar de o Ato Institucional garantir a aprovação de projetos do governo por decurso de prazo, o Congresso precisaria ser convencido da necessidade imediata das medidas econômicas, que deveriam ser postas em prática com a maior urgência possível.
Ou seja, a população que apoiou o Golpe, ou Contra Golpe, agora sentiria na pele as medidas que precisavam ser tomadas para consertar o rumo econômico do Brasil.
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quarta-feira, maio 11, 2022
Brizola daria o golpe?
Brizola daria um golpe?
Conto muitas coisas com provas, documentos e fontes sobre o financiamento da URSS e China aqui no Brasil. Depois de 1959, Cuba entrou no circuito.
Não eram só eles, os EUA também colocavam muita grana.
Isso se deu no mundo todo, aqui no Brasil também. As principais fontes de financiamento dos EUA foram o IPES e o IBAD, no livro conto tudo.
Pois bem, sempre ouvi falar que Brizola daria um golpe. Pesquisei muito. A criação do G11 em 1963 com documentos e o estatuto do G11 não deixa dúvidas, mas falta mais provas.
Olha só um pedaço do fac símile do Estatuto do G11- No livro tem a história mais completa.
Novamente me deparo com informações sobre o suposto golpe de Brizola.
Olhem isso:
Os revoltosos alegaram duas causas para explicar a revolta. A primeira delas era a desistência do ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros, de concorrer às eleições presidenciais de 1960. A decisão de Jânio — político carismático, campeão de votos, único candidato com chances reais de derrotar Lott na disputa —significava entregar a eleição de bandeja ao ministro da Guerra de JK, que vinha sendo abertamente cortejado por setores das esquerdas.
A segunda causa da revolta seria uma tentativa de resposta antecipada a um suposto golpe esquerdista, planejado por Leonel Brizola, a ser desencadeado por aqueles dias em várias capitais do país, de Porto Alegre a Belém, com a ajuda de lideranças sindicais.
Com a ação espetacular de Aragarças, Burnier imaginava estabelecer tamanha confusão na vida nacional que não restaria a Juscelino outra alternativa senão decretar o Estado de Sítio. Com isso, calculavam os revoltosos, o suposto golpe de Brizola seria esmagado e as eleições teriam que ser canceladas. Lott, portanto, não chegaria ao poder. Contudo, Burnier não conseguiu o apoio que esperava dos quartéis.
Página 280 do livro supra.
Aragarças foi uma frustrada tentativa de derrubar JK. Clique e veja Arquivo da FGV.
Vamos lá, contextualizar de forma objetiva. No meu livro tem mais detalhes:
- Guerra Fria no auge
- Financiamento dos EUA de um lado e URSS e China de outro.
- Revoltas e problemas graves de invasão de terras e badernas, greves e empoderamento dos sindicatos.
- As forças se organizavam, a guerrilha, mentirosamente contada, não surgiu para derrubar o regime militar, ela já estava sendo implantada. Meu livro conta mais.
- Brizola era uma liderança carismática e perigosa. Esquerdista, coisa que Jango não era, mas era subjugado pelo cunhado caudilho.
Ele não tinha clima, as FFAAs eram o empecilho (apesar de alguma infiltração) deveria ter o apoio de Jango se tentasse, mas a baderna no país, a revolta da sociedade, desemprego, inflação e recessão brecaram os planos dele. Eu acho, só acho.



















