domingo, maio 13, 2018

As eleições de 2018 ainda estão completamente indefinidas.



Um verdadeiro "blur", 'fog", nevoeiro. Ninguém pode prever nada ainda,  apesar de algumas racionalidades existirem.
Quem irá ao segundo turno, quem tem chance real de se eleger presidente?
Já disse e repito que presidência é destino- Leia o artigo dos últimos presidentes desde os anos 30 e tire as conclusões - Clique e leia

Vi ontem o Globo News Painel com 3 cientistas políticos. Notei que eles todos, inclusive a apresentadora desdenham Bolsonaro como "player forte", mas eu discordo. Hoje ele tem maior chance de ir ao segundo turno, se vai ganhar é outra conversa, pois a eleição de segundo turno é uma nova eleição com tempo de TV igual, etc.

O PT insiste candidatura de Lula, que não existe, mas vão esticar a corda o máximo. Não creio que eles sobrevivam como partido se não lançarem um candidato. Hoje se fizerem alguma composição é passar recibo que eles estão próximos do fim, por isso esticam a corda.

Vi que a aposta  grande é em um candidato da esquerda e outro da direita, os vermelhos e os azuis como definiram.
Quem seriam os azuis? Com chance de ir ao segundo turno, Bolsonaro, Alvaro Dias e Alckim, e os vermelhos. Ciro Gomes, Marina e um nome do PT. Os outros de ambas matizes serão figurantes como sempre, afinal, eleição, partido e agora o fundo partidário são grande negócio e meio de vida para muita gente.

Rejeição dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas é muito parecida, pouco a dizer, apesar de alguns acharem que qualquer um bate Bolsonaro no segundo turno. Eu discordo e lembro que Trump, de quem Bolsonaro é fã, derrotou a máquina do partido Republicano, o governo Obama e a mídia que sempre foi frontalmente contra ele, aliás ainda é. Aqui o quadro pode ser parecido com este. Anotem ai. Bolsonaro pode repetir isso na onda conservadora que toma conta do mundo, isso é fato.

Na esquerda, Ciro Gomes é o mais forte e pode aglutinar parte do centro, assim como Alvaro Dias pode ainda crescer se fechar acordos e composições. Meireles? Não creio que tenha viabilidade e nem a legenda do PMDB, assim como vaticinei o caso do Barbosa, este é ainda mais fácil prever. Um vice, poderia ser na composição com algum dos partidos que tenham chance real. PMDB tem máquina partidária e isso vale muito. Afif, Paulo Rabelo de Castro, são bons candidatos, mas não creio que cheguem, infelizmente talvez.

A logística e estrutura partidária estarará presente em vários municípios e favorece o PT, PSDB e PMDB, mas ambos queimados como legenda. Agora, vamos falar sério? O eleitor nem sabe direito o que é legenda ou partido. Aqui eles servem como um cartório eleitoral, hoje com mais poder por conta do fundo partidário, que aliás favorece estes 3 partidos.

Ainda falta muito, mas o jogo começa a ficar mais forte. O fundo partidário vai acabar matando algumas candidaturas menores, porque o dinheiro vai ficar para as eleições proporcionais, como deputado e senador. Estrategicamente os partidos precisam eleger deputados e senadores, mais deputados. Alguns precisam desesperantemente eleger deputados porque a cláusula de barreira começa e quem não tiver 1,5% dos votos perderá muita coisa.

Ainda não dá para fazer prognóstico. Como em 1989 com 22 candidatos o segundo turno se deu entre dois candidatos nunca vistos como favoritos e a disputa foi cabeça a cabeça. Lula e Collor surpreenderam a classe política e todos os caciques tradicionais, podemos ter um repeteco agora.

Nos meios de "analistas" a aposta é em Ciro x Alckmin , pelo menos é o que tenho sentido.
Acho que Bolsonaro estará no segundo, minha visão. A esquerda pode até ficar fora, eventualmente.
Eleição e mineração só depois da apuração, o resto é especulação. Quanto mais se aproxima da data o quadro ficará mais claro e as pesquisas passam a valer mesmo. Por hora é só um retrato que pode ser maquiado.
Vamos acompanhar.



sábado, maio 12, 2018

O memorando da CIA que acusa Geisel e Figueredo de execuções




Vamos lá. Não tenho procuração para defender os militares, mas acho que uma notícia destas neste momento precisa ser melhor entendida.

O tal memorando pode ser lido aqui, em uma página disponibilizada pela CIA. Clique e leia.
No final colocarei o testo do memorando também.

Vamos fazer algumas considerações para reflexão:

  1. Este memorando é do diretor da CIA para Henry Kissinger, mas não cita a fonte de sua informação. Claro que deve ter sido uma agente, mas não podemos imaginar que este agente tenha participado de uma reunião entre as pessoas citadas. Parece que o agente pode ter ouvido de alguém, relatado ao diretor que fez o memorando ao secretário. Não carecia de mais detalhes para atestar a veracidade? Quer dizer que documentos da CIA agora são a verdade dos fatos sem questionamento? 
  2. O Brasil estava em guerra contra o terrorismo. Os militares aquela altura ganhavam a guerra, mas ainda existia a Guerrilha do Araguaia que só terminou em 1975. Ou seja, em uma guerra inimigos devem ser mortos, faz parte. O regime militar endureceu muito por causa do terrorismo, isso já é fato revelado e entendido. O terrorismo não lutava contra o regime militar, mas a favor do regime comunista e com financiamento de Cuba, URSS e China. Escrevo sobre isso, pesquisei e estudei muito o tema, vou mostrar documentos e fatos no meu livro que está quase pronto.
  3. O memorando fala em inglês:  He emphasized that Brazil cannot ignore the subversive and terrorist threat, and he said that extra-legal methods should continue to be employed against dangerous subversives. Vamos traduzir isso? Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e disse que métodos extra-legais devem continuar a ser empregados contra subversivos perigosos. Ou seja, ele não fala de opositores do regime, mas de terroristas e subversivos perigosos. A interpretação dada sem esclarecer este ponto me parece muito estranha, como se as ordens fossem para "executar todo mundo". No memorando fica claro que ele fala em terrorismo e subversivos e isso era a regra do jogo. 
  4. Mais uma parte do sumário: would limit executions to the most dangerous subversives and terrorists. Explicitamente Terroristas e subversivos perigosos. Não seriam os que atacavam a sociedade e os militares? Os soldados do outro lado da guerra? Os inimigos?
  5. A ilação de que Wladmir Herzog , capa das chamadas da mídia, foi morto por ordem de Geisel é mentirosa e falaciosa. Este episódio acabou gerando um problema grave no sistema militar e Geisel demitiu o comandante do III Exército após as mortes de Herzog e Fiel, um metalúrgico morto em condições suspeitas. Clique e veja a matéria. REITERO que não defendo as mortes e a tortura, e a "tigrada" como eram conhecidos os membros da linha dura, ainda eram fortes neste momento, principalmente com todos atos de terrorismo nos anos anteriores.
  6. Porque soltaram este documento agora se ele existe desde 2015? Porque a tal Comissão da Verdade nem sequer mencionou? Esta repercussão agora parece endereçada a queimar as Forças Armadas e ressuscitar o fantasma do Regime, chamado de Ditadura Militar, mas que não foi tão dura assim. 
  7. Para mim querem atingir Bolsonaro que lidera as pesquisas e tem chance real de ser eleito presidente.
  8. A mídia, que na sua maioria tem um lado esquerdista, repercute com uma interpretação que atinge os objetivos de quem quer denegrir as forças armadas.
  9. Os citados estão todos mortos, sem chance de se defender, outro fato lastimável e desrespeitoso.
  10. A Anistia de 1979 foi para os dois lados e não vale ressuscitar defuntos de um lado só. Houve mortos e feridos de ambos os lados e negar isso é negar a história.
  11. O escarcéu feito pela média vai acirrar os ânimos ainda mais e no meu sentimento, vai acabar ajudando ainda mais Bolsonaro. Deram um tiro no pé, na minha opinião.
Escrevo sobre o tema 1964. Estudei e pesquisei muito. Não posso negar os erros da Revolução de 1964, mas não podemos ultrapassar o limite de que estes fatos já foram, são história.
Nenhuma ditadura pode ser justificada, mas tem gente que defende e elogias outras ditaduras e possam de democratas. Nossa ditadura, com todos seus erros e mazelas, ainda fez muitas coisas para a nação e muitos a chamam Ditabranda. Veja este artigo que escrevi sobre: Democracia x Ditadura, clique e leia


Ainda afirmo que 1964 foi contragolpe e meu livro provará isso, com fatos e documentos.
Ainda não defini meu voto, quero ver todos os candidatos, mas não posso deixar de analisar o ataque subliminar a Bolsonaro. Os lideres de pesquisa apanham mais, mas vamos interpretar os fatos com seriedade e sem emoções.

99. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger 1

SUBJECT

  • Decision by Brazilian President Ernesto Geisel To Continue the Summary Execution of Dangerous Subversives Under Certain Conditions
1. [1 paragraph (7 lines) not declassified]
2. On 30 March 1974, Brazilian President Ernesto Geisel met with General Milton Tavares de Souza (called General Milton) and General Confucio Danton de Paula Avelino, respectively the outgoing and incoming chiefs of the Army Intelligence Center (CIE). Also present was General Joao Baptista Figueiredo, Chief of the Brazilian National Intelligence Service (SNI).
3. General Milton, who did most of the talking, outlined the work of the CIE against the internal subversive target during the administration of former President Emilio Garrastazu Médici. He emphasized that Brazil cannot ignore the subversive and terrorist threat, and he said that extra-legal methods should continue to be employed against dangerous subversives. In this regard, General Milton said that about 104 persons in this category had been summarily executed by the CIE during the past year or so. Figueiredo supported this policy and urged its continuance.
4. The President, who commented on the seriousness and potentially prejudicial aspects of this policy, said that he wanted to ponder the matter during the weekend before arriving at any decision on [Page 279]whether it should continue. On 1 April, President Geisel told General Figueiredo that the policy should continue, but that great care should be taken to make certain that only dangerous subversives were executed. The President and General Figueiredo agreed that when the CIE apprehends a person who might fall into this category, the CIE chief will consult with General Figueiredo, whose approval must be given before the person is executed. The President and General Figueiredo also agreed that the CIE is to devote almost its entire effort to internal subversion, and that the overall CIE effort is to be coordinated by General Figueiredo.
5. [1 paragraph (12½ lines) not declassified]
6. A copy of this memorandum is being made available to the Assistant Secretary of State for Inter-American Affairs. [1½ lines not declassified] No further distribution is being made.
W.E. Colby
  1. Summary: Colby reported that President Geisel planned to continue Médici’s policy of using extra legal means against subversives but would limit executions to the most dangerous subversives and terrorists.
    Source: Central Intelligence Agency, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A: Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Secret; [handling restriction not declassified]. According to a stamped notation, David H. Blee signed for Colby. Drafted by Phillips, [names not declassified] on April 9. The line for the concurrence of the Deputy Director for Operations is blank.

terça-feira, março 20, 2018

Eleição 2018- A hora da definição das candidaturas vai chegando. - Final de março- Mais uma reflexão


O prazo final de filiação é dia 06/04 a meia noite.
Algumas candidaturas já estão postas:

  1. Bolsonaro - Patriotas
  2. Boulos - Psol
  3. Alvaro Dias - Podemos
  4. Manoela Davila - PC do B
  5. Alckmim - PSDB
  6. Ciro Gomes - PDT
  7. Rodrigo Maia - DEM
Algumas reflexões baseadas em informações e minhas ilações:
  1. PMDB não deve lançar, se sair pode ser com Meirelles, mas acho improvável. Temer quer participar, mas não será candidato, apesar de ter até julho para decidir quando será a convenção dos partidos.
  2. Rodrigo Maia não deve largar a sua eleição garantida de deputado e futuro presidente da CD por uma eleição difícil e incerta de presidente. Hoje ser presidente da CD é muito melhor de=o que presidente que depende do congresso. A CF de 88 criou este parlamentarismo tupiniquim, mais uma aberração.
  3. PT deve ter candidato, não deve ser Lula, mas ele vai esticar a corda até onde conseguir. Ouvi uma tese, que não é tão irreal, que Lula sendo retirado a "forceps" pela justiça, pode criar comoção e conseguir eleger seu candidato. Esta história me foi contada lembrando o caso de Minas Gerias na eleição de 1965. Tião Medonho candidato do PSD, de JK, favorito absoluto, foi cassado há 20 dias da eleição a pedido de Magalhães Pinto que era o governador da UDN e disputava com o médio Roberto Resende. Segundo meu amigo, a comoção da cassação de Tião Medonho fez Israel Pinheiro que o substituiu ar com 70% dos votos. Ouvi a história atentamente, mas os tempos são outros, Lula e o PT, e quem for o candidato tem rejeição alta, mas em política tudo é possível como dizem aqui em MG.
  4. Falando em rejeição, vi uma pesquisa qualitativa e aqui é a bomba que deixarei registrado.
  5. Anotem ai: O PSB deve fechar com Joaquim Barbosa. Ele tem rejeição pequena e grande potencial votos no cruzamento rejeição x grau de conhecimento do eleitor. Se ele for mesmo pode ser player forte, nome até aqui apagado na mídia pode entrar forte.
  6. A rejeição de Alckmin é altíssima, 70%, Bolsonaro 50%, Lula 40%. Isso mesmo, por esta pesquisa Lula tem 40% de rejeição somente. Já vi pesquisa que ele tem 60%.
  7. Alvaro Dias parece não decolar, mas ainda o jogo não começou, precisamos observar estes dois nomes. Alvaro Dias e Joaquim  Barbosa, se ele for mesmo candidato.
  8.  Aqui em MG, Rodrigo Pacheco segue firme. Ele construiu bem uma força e mesmo com Anastasia se lançando, não acredito que desista, vamos ver.
  9. Aqui em MG, teremos Anastasia (que ainda pode desistir e virar vice de Alckmin)  Márcio Lacerda (que tem problemas no próprio partido e não se assustem se ele perder a legenda). Se mudar de partido estará morto.  Rodrigo Pacheco, jovem com proposta de renovação é no meu entendimento o mais forte hoje. O DEM estará fortalecido e ele constrói uma aliança que lhe dará tempo e logística. A conferir estas previsões.
A bomba de hoje é de fato o PSB quase confirmando Joaquim Barbosa que tem grande potencial de votos. O maior de todos.
Claro que ainda é cedo, mas as pesquisas qualitativas começam a mostrar algumas coisas interessantes.
Como já escrevi e falo. Presidência é destino. Quem quiser ler este artigo dos últimos presidentes desde os anos 30, pode tirar suas conclusões. Clique e leia - 

Presidência da república é destino? Um pouco da história, dos anos 30 para cá. Tirem suas conclusões.

Estudei e pesquisei muito a história política e econômica do Brasil, vivi uma parte dela dos anos 80 até aqui. Escrevi um livro e escrevo outro e farei algumas considerações sobre a política no que tange aos presidentes da república de um tempo para cá. Não é um tratado de história, é um artigo resumido para convite a reflexão do leitor e algumas observações importantes.

Leia mais em: https://www.webartigos.com/artigos/os-presidentes-do-brasil-desde-1930/152173#ixzz5ALWfWKrb


sexta-feira, março 09, 2018

As eleições se aproximam, qual o retrato hoje? Março 2018


Estamos quase lá, apesar de não estarmos oficialmente em campanha, já começou a articulação.

Esta pesquisa da CNT/MDA mostra já algumas coisas importantes. Clique e veja

Em uma corrida presidencial sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 4 candidatos disputariam uma vaga no 2º turno contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). O ex-capitão do Exército pontua de 20% a 20,9% a depender da combinação de cenários. O 2º lugar fica embolado entre Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Ela não fala de rejeição, mas por outras pesquisas, podemos inferir, a rejeição de todos é alta, e semelhantes, portanto vamos deixar para considerar isso adiante.

7 meses até lá, mas algumas coisas parecem claras, vamos deixar registrado, com a ressalva de que não existe futurologia na política e tudo pode mudar, mas "ceteris paribus":

  1. Lula não será candidato
  2. PT deve lançar candidato, provavelmente Fernando Haddad
  3. Bolsonaro se consolida para ir ao segundo turno
  4. As projeções, por esta pesquisa, do segundo turno mostra imprevisibilidade total, estão todos embolados e o detalhe da campanha pode definir.
  5. Acredito que o PT não vá ao segundo turno e deve apoiar Ciro ou Marina, mais para Ciro.
  6. Considerando isso, eu arriscaria dizer que o segundo turno será entre Ciro Gomes e Bolsonaro.
  7. Alvaro Dias ainda não pontua bem, seu tempo de começar a subir está se esgotando. Ele tem potencial por ser desconhecido para a maioria e ter rejeição baixa. Acho que no caso dele, o final de março (até 06 de abril) com a data do fechamento das filiações, podemos enxergar o quadro do partido dele, o Podemos e ai ver se as chances dele melhoram ou pioram.
  8. Esta eleição será atípica, mas a renovação será baixa. Insisto nisso e confirmo cada vez mais minha convicção nisso. A população espera muito, mas terá uma grande decepção. O dinheiro de fora não virá, ilegal e as empresas não farão (a não ser poucas), o dinheiro virá dos partidos, do fundo partidário e vai privilegiar quem está já lá. Não vão salgar carne nova.
  9. Chuto a renovação do congresso, CD  entre 30% e 40%, historicamente é isso.
  10. No SF pode ter mais renovação, deve ter, mas sem a definição dos candidatos fica difícil tentar mensurar isso,
  11. As redes sociais servirão mais para desconstruir e atacar do que para alavancar as candidaturas, será importante, mas não determinante.
  12. Os quadros estaduais podem e devem ser influenciados pelo quadro nacional. Os candidatos a governador terão que optar por um candidato. A influencia não será do estadual para o nacional, mas o contrário.
Vamos deixar registrado. Já tenho a minha linha, mas ainda não revelarei, em breve vou divulgar meus candidatos e meu partido. Sim, vou me filiar a um partido. 
Vai disputar a eleição? me perguntam. Ainda não decidi, mas existe esta possibilidade, dependendo de algumas articulações que estamos fazendo.

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

A eleição de 2018, algumas considerações- Vamos deixar registrado.





Na verdade ainda é cedo para afirmar qualquer coisa, mas o quadro começa a ficar mais claro.
Até 07 de abril é preciso fechar as filiações partidárias e as incompatibilizações.
Por exemplo, especulam que o governador Pimentel será candidato ao SF, ele precisa renunciar, assim como os prefeitos Kalil e Medioli. Os candidatos que precisam mudar de partido precisam estar devidamente filiados aos novos partidos. Fica mais claro em abril.
Vamos lá, vou fazer algumas considerações, não é chute, é um pouco de informação e tem meu "felling" também:

  1. Pimentel será candidato ao governo, Kalil e Medioli não serão candidatos a nada. Se Pimentel nem ser candidato a nada pode acontecer, mais abaixo saberão porque, mas acho improvável que não seja. Ao SF duvido muito.
  2. Alguns deputados federais que têm processo no STF podem ser candidatos a deputado estadual ou mesmo nem ser candidato. Mais adiante direi a razão.
  3. Bolsonaro se consolida e deve estar no segundo turno, a questão é quem será o adversário dele. Ele tem rejeição alta, mas todos outros têm também. Bolsonaro capitaliza a indignação da população com a classe política e tem o discurso da segurança e endurecimento das leis, a pauta número um dos brasileiros que não aguentam mais a violência e nem a impunidade.
  4. Despreparado? Depois de Lula e Dilma chamar Bolsonaro de despreparado é piada. Isso não estará em julgamento na eleição, aliás nunca esteve.
  5. Ciro Gomes deve ser o nome que herdará, ou tentará, os votos de Lula. Deve ter um petista de vice, provavelmente Haddad, ex prefeito de SP. 
  6. O desgaste do PT, PMDB e PSDB será sentido nas urnas e nas campanhas, todos os escândalos voltarão forte nas redes sociais e nas inserções da TV.
  7. Geraldo Alckmim deve ser candidato, é sério e preparado, mas não sei se consegue suportar ou ultrapassar o desgaste do seu partido, PSDB.
  8. Alvaro Dias é outro nome com potencial, tem baixa rejeição e pouco conhecimento por parte do eleitorado. A questão dele é partido, logística e tempo de TV. Será que o podemos consegue atender? Estamos  a 7 meses da eleição, apesar de ainda não começar pra valer a campanha, os candidatos precisam mostrar viabilidade e densidade eleitoral. No Sul ele tem, é preparado e experiente.
  9. Em Minas Gerais tudo indica que a disputa se dará entre, Marcio Lacerda, Rodrigo Pacheco e Pimentel. Pimentel no segundo turno com grande chances, mas podemos ter surpresas dependendo do desgaste do PT. Considerando a força do PL (Palácio da Liberdade) nas eleições, tudo indica que estará nos segundo turno. A questão será quem disputa contra ele. Rodrigo Pacheco ou Márcio Lacerda. Aposto em Rodrigo Pacheco, jovem preparado, sem desgaste e com um discurso moderno. Ele constrói uma grande aliança em MG. Márcio Lacerda é experiente, preparado, mas este partido dele PSB, tem rachas, tem ambiguidade no discurso de esquerda e sua ligação com Ciro Gomes/PT pode e deve atrapalhar.
  10. Haverá uma renovação do congresso muito baixa. O dinheiro do fundo partidário estará com os deputados e senadores atuais que disputam a reeleição. Não há dinheiro privado, muito pouco, e o que mandará será o dinheiro público do fundo partidário, aliás muito dinheiro. Será que os atuais mandatários arão dinheiro para os entrantes? Óbvio que não.
  11. Normalmente a renovação se dá em torno de 30%. Este ano será em torno disso, podendo até ser menor. A população que espera uma grande renovação terá uma grande decepção.
  12. As redes sociais serão ferramentas importantes, mas não determinantes. Nas grandes cidades terão mais relevância, mas no interior não. Ainda a política dos lideres políticos do interior será a principal ferramenta. As redes sociais servirão mais para atacar adversários do que para construir candidaturas. Haverá muita fake news e o nível deverá ser muito baixo Infelizmente.
Agora vamos lá deixar registrado aqui: Os políticos que tem problema e são réus ou estão na fila do STF, STJ não necessariamente buscarão o foro privilegiado. Existem duas razões para isso. A primeira é que o foro deve cair, via STF e a própria CD. E demanda da sociedade forte.
A segunda é questão jurídica. A perda do foro faz os processo voltarem a primeira instância. Neste fórum os réus terão mais tempo e mais recursos.  Já houve casos de renúncia de mandatos para conseguir resultados jurídicos seguindo esta lógica. Não se surpreendam se alguns candidatos simplesmente nem concorrerem para se livrar da justiça. Estas são as regras e alguns podem usa-las.

A conferir algumas considerações.


O calendário oficial para quem tiver curiosidades mais.


7/4 – Último dia para governadores, presidente da República e prefeito deixarem o mandato, caso queiram disputar a eleição para outro cargo.

7/4 – Quem pretende concorrer aos cargos eletivos no pleito de outubro deve se filiar a um partido político até esse dia, ou seja, seis meses antes da data das eleições.

10/4 – A partir desse dia fica vedado aumento salarial para servidores públicos. O aumento é proibido até a posse dos eleitos, a não ser que seja um reajuste para recompor perda de poder aquisitivo no ano.

9/5 – Prazo final para o eleitor regularizar o título e fazer atualizações no cadastro.

18/6 – Justiça Eleitoral vai divulgar o valor do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O fundo é uma novidade instituída pela minirreforma eleitoral.

20/7 a 5/8 – período para convenções partidárias escolherem as coligações e candidatos.

15/8 – Último dia para os partidos registrarem no TSE os candidatos.

16/8 – Início da propaganda eleitoral.

7/10 – 1º turno das eleições.

12/10 – Início da propaganda eleitoral do 2º turno.

28/10 – 2º turno das eleições

Fonte: TSE/Portal Uai




quarta-feira, janeiro 17, 2018

As bolsas de valores estão bombando em 2018. Isso deve ser bom sinal para 2018.


O ano começou bem. As bolsas mundiais estão todas subindo bem, com força.
Dow Jones bateu recorde e a sintonia espalha. Aqui no Brasil Bovespa bate 80 mil, e ronda este patamar há algum tempo.

Quem quiser ver as Bolsas Mundiais- Clique aqui

Quem quiser acompanhar Bovespa - Clique aqui

O mercado sempre se antecipa as boas notícias e as projeções na economia. O que está acontecendo?

O Brasil acompanha o ritmo global, que começa a retomar o vigor de seu ciclo de prosperidade que foi abalado em 2008. Nova onda positiva? Pode ser.

Só fatores exógenos podem mudar o clima. O gordinho maluco que parece tomar jeito é um dos vetores positivos (eu acho), e ele não fizer bobagem ou não tiver alguma outra catástrofe (econômica por erros de algum país) global, 2018 parece que irá bem. Tomara.
 Aqui a economia surpreendeu pelos bons indicadores atingidos. Longe do ideal, precisamos de muito mais, mas já retomamos o caminho certo.
Inflação baixa, indústria e transporte se recuperando, serviços com boas perspectivas, estou otimista.
Aqui ainda falta acertar as contas públicas, muita irresponsabilidade com os gastos públicos que mesmo após a saída do irresponsável PT ainda continua. Infelizmente,

Vamos acompanhar.

E ai? Perguntaria alguém, o que você faria?
Eu já operei muito com bolsa, hoje estou distante (mas louco para voltar).
Bolsa precisa de cautela e acompanhamento de profissional.
Pensar em médio e longo prazo. Analisar as ações de empresas boas e rentáveis.
Fugir da jogatina e especulação, elas existem e dão liquidez a bolsa, fazem parte, pode dar muito dinheiro, mas pode fazer perder também, muito. Saia fora disso, a não ser que seja um jogador, mas mesmo assim, como nos jogos em geral, estude, pesquise e minimize o seu risco.

2018 promete ser um bom ano na economia aqui no Brasil e mundialmente também.
Aqui temos eleição e copa do mundo que sempre deixa o país em "slow motion", mas é parte de nossa cultura.
Particularmente em ano eleitoral as bolsas podem ser muito mais voláteis e suscetíveis a especulação, portanto é para ter cuidado com bolsa, em ano eleitoral é redobrar o cuidado.

Mas e ai? Invisto ou não?
Para quem nunca mexeu com a bolsa, sugiro pegar 10% do disponível para investimento, estudar algumas ações, depois buscar ajuda especializada e investir. Pensar em médio e longo prazo.

Sorte? Sempre é preciso, em tudo na vida, uma pitada dela. Acontece que ela vem para quem corre atrás dela.

Um assunto que vai deixar todos curiosos. O bitcoin Falaremos mais outra oportunidade, ainda estou estudando o assunto, mas não tem nenhuma relação com bolsa de valores, são coisas que se assemelham em alguns aspectos, mas diferem na sua grande maioria.

terça-feira, dezembro 26, 2017

O que aconteceu na economia em 2017 e para 2018?


Quase caímos no abismo depois do estrago populista, mas agora estamos saindo do buraco, ainda demora, mas já foi um alivio.
Como sempre faço, vamos conferir o que foi previsto e o que aconteceu.
Clique e veja 2016 para 2017: Clique e leia

Vamos ver as projeções para 2018:


Vejamos o que aconteceu:


Os indicadores são infinitamente melhores.
Saímos da recessão, dominamos a inflação, os juros caíram, os saldos melhoraram, tudo foi positivo.
Destaco para 2018 algumas coisas:
  1. Acho que os juros podem cair mais.
  2. A inflação e o câmbio podem ficar acima do previsto.
  3. PIB pode ficar maior
  4. Investimentos externos serão maiores.

Mesmo sendo ano eleitoral e de copa do mundo, que sempre atrapalham o Brasil, sou otimista para 2018.
Na questão política, apesar do Temer e os problemas políticos, conseguimos consertar algumas coisas graças a qualidade e competência da equipe econômica e da mudança de rumo.
Temos chance de continuar a limpeza e mazelas da política. Que continue assim.

Desejo a todos 2018 cheio de saúde e realizações. 

Viajo o mês de janeiro todo para China e EUA, trabalhando. Bom começar o ano assim. Tanks God



sábado, dezembro 23, 2017

Inflação- Artigo de 2009, mas muito atual.

Artigo escrito em 2009. Era fácil enxergar, mas não fizeram nada, ao contrário, fizeram mais bobagens.

Clique e leia- 



O perigo da inflação já ronda o Brasil e pode destruir o futuro promissor.
Winston Churchill dizia que quando mais se recua na observação do passado, mais se avança na visão do futuro. Ele estava corretíssimo. A crise econômica de 2008 foi debelada pela ação firme que surgiu a partir do aprendizado com a crise de 1929. Um fantasma do passado ronda alguns países, principalmente os ditos emergentes.
O mundo viveu momentos inflacionários terríveis que hoje estão provados e com asserção de que não foram provocados pelas guerras, mas ao contrário, causaram guerras. A República de Weimar, Alemanha após a primeira guerra, é o caso mais notório. Uma combinação de impostos insuficientes e gastos excessivos criaram déficits nos idos de 1919 e desaguou na terrível e conhecida hiperinflação que teve pico de 182 bilhões por cento, isso mesmo. Na Hungria a inflação chegou a 4,19 quintilhões por cento em 1946, nem dá para imaginar este número.
A combinação da depreciação do marco alemão na ilusão de pagar as indenizações da guerra elevou as importações, aumentaram o consumo e os preços saíram do controle. Após a festa na floresta da explosão de consumo e da produção, vem a escassez e o desemprego, a quebra da confiança, calotes e uma espiral de problemas, sociais e políticos.
Como diz o historiador Niall Ferguson, se as hiperinflações fossem explicadas pelas indenizações de guerra era fenômeno fácil de ser entendido.
Milton Friedman diz que inflação é fenômeno monetário, mas hiperinflação é fenômeno político, e sempre por má gestão, tendo como protagonistas principais governos populistas e irresponsáveis.
Mais um exemplo, Argentina, em 1913, um dos dez países mais ricos do mundo. A Argentina chegou a crescer mais que Alemanha e Estados Unidos. Capital estrangeiro jorrava como as águas do Rio De La Plata, o futuro era promissor e positivo. Entretanto, a história mostra se não fosse em 1946, com a assunção de Juan Perón ao poder, a Argentina poderia ser um dos grandes e prósperos países mundiais, comparáveis aos Estados Unidos talvez. Populista e irresponsável, gastos públicos sem controles, calotes nas dívidas e desmandos que levaram a golpes diversos fizeram a Argentina penar até os dias atuais, com inflação e crises monetárias gravíssimas, planos de governos fracassados e até uma guerra. A inflação foi o seu maior flagelo nestes anos todos. Na volta de Perón em 1973 existia uma espiral inflacionária global e todos os países pagaram, ele acaba provando do veneno que inaugurou na década de 40.
Considerando que inflação é complexa, mas pode ser causada principalmente por déficit público, má gestão, aumento de consumo e depreciação monetária, vamos avaliar um pouco o caso do Brasil atual.
Enfrentamos a crise inflacionária causada pelo choque do petróleo na década de 70, mas ofuscada pelo milagre econômico, só voltaríamos a percebê-la nos anos 80, inclusive em 1989 experimentamos 80% ao mês de inflação. Esta década penalizou diversas gerações.
Ainda em escala mundial a inflação taxou em diversos países todas as classes sociais, Estados Unidos, Inglaterra e todo primeiro mundo experimentaram os dois terríveis dígitos de um indicador de inflação. O pior imposto que existe é o inflacionário. Na confusão e luta por interesses próprios, classes de trabalhadores, governo, funcionalismo público e entidades de classe criam um clima de idas e vindas que acabam beneficiando alguns, mas que acaba sendo ilusão pelos problemas futuros que as mazelas e confusão inflacionária causam a sociedade.
No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal (lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), estabeleceu um conjunto de regras de controle sobre as finanças públicas. Isso foi um tremendo avanço, freio nos governantes irresponsáveis. Mesmo passando despercebido pela grande maioria, podemos inferir que foi um dos grandes avanços conseguidos na mudança de comportamento gerencial das contas públicas junto com a estabilização da moeda. Isso não parece ter sido suficiente.
O Brasil vive no século XXI um momento impar, de prosperidade e estabilidade. O governo do PT teve responsabilidade em diversas ações de gestão pública e surfando nas ondas globais de riqueza passamos incólumes pela crise de 2008 e somos a " bola da vez" com a Copa de 2014, Olimpíadas de 2016 e o tri campeonato em "investment grade" conseguido nas três melhores instituições avaliadoras. A euforia é total, com razão.
Porém, um fato tira o sono de economistas sérios e preocupados com o futuro tão promissor deste país. O descontrole de gastos públicos, principalmente nas despesas correntes.
Luz amarela acessa: O governo central registrou déficit primário de 7,632 bilhões de reais em setembro de 2009, o pior resultado para o mês desde o início da série, em 1997. Se ao menos fosse a elevação dos investimentos, mas não é.  Vemos pelos problemas ainda recorrentes na saúde, educação e infra-estrutura, principalmente estradas e portos, que o gasto é despesa pura, sem o devido retorno a todos os contribuintes, mas privilegiando algumas categorias.
A herança de Lula pode ir pelo espaço. Ele tem altos índices de popularidade, o Brasil perspectivas positivas, seu legado ainda é protegido por algumas medidas que mesmo questionáveis, traz algum resultado social.
O cuidado deve ser redobrado na gestão das finanças públicas, este tem sido o seu calcanhar de Aquiles. O BC tem feito seu papel, Meireles é craque, mas existem correntes dentro do governo antagônicas no cuidado com o gasto público.
As taxas de juros em declínio, a apreciação do real, um aumento de consumo das famílias e o aumento constante dos gastos públicos nas despesas correntes podem ser combustível para a chama inflacionária que começa se encetar no país.Vários alertas estão sendo dados.
Se o monstro inflacionário voltar, deverá ser diferente, mas destruirá o sonho deste promissor futuro e causará danos que penalizará muitas gerações futuras.
Sempre olhei com otimismo a nova mudança da ordem econômica, as novas premissas, o aprendizado com problemas passados e as ferramentas de gestão atuais jamais nos deixaram voltar a viver os perigos inflacionários como no passado, mas todo cuidado é pouco.
Uma coisa deve ficar clara. Não devem se repetir os mesmos  efeitos dos percalços inflacionários decorridos, mas as causas ainda devem ser as mesmas, as consequências podem vir de forma modificada, mas ainda assim maléficas e causadoras de problemas políticos e sociais mais a frente.
A luz amarela está acessa há algum tempo, a euforia é saudável, mas a responsabilidade e competência na administração da potencial prosperidade são mais importantes que o sonho a ser vivido. Sempre digo, não podemos confundir o estado brasileiro com governo do Brasil, são coisas distintas e não podem ser misturadas. Ganhos políticos atuais podem significar problemas grandes no futuro, sempre foi assim.


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domingo, novembro 26, 2017

quinta-feira, novembro 16, 2017

A 7ª maior economia do mundo e sem problemas colossais não poderia flertar com o fracasso

Excelente artigo. recomendo.



A 7ª maior economia do mundo e sem problemas colossais não poderia flertar com o fracasso: Por que, apesar da crise política, a economia voltou a crescer? Porque as empresas e a sociedade deram as costas para Brasília, onde sobram burocratas e falta sociedade civil

domingo, outubro 29, 2017

quarta-feira, outubro 18, 2017

A máfia dos bancos e a usura dos juros cobrados!


O Peso Do Estado E A Farra Da Banca

Artigo escrito em 2008. A máfia dos bancos ainda manda e muito. Com inflação deste ano em 3%, eles ainda cobram juros de 5% a.m. e cartões chegam a 15%. ASSALTO a Mão Armada.


Precisamos mudar isso.

Sábado na manhã, depois do tênis, gosto de verificar algumas coisas econômicas relacionando o passado ao presente, sempre com foco nas distorções que o estado brasileiro provoca. O estado e não governantes quero deixar claro. Neste período tivemos vários governos, de 1985 até hoje. O estado é o mesmo, os governantes foram Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula, bem ecléticos na ideologia e na competência, mas deixemos de lado esta questão.
Vamos ao cerne da minha ilação: A farra da banca.
Na minha visão, indignada por sinal, a súcia dos banqueiros monta no estado desde a década de 80,no governo Sarney. Não preciso lembrar que no final do governo Sarney, em 1989, a inflação chegou a 80% ao mês, alguém se lembra?
Esqueçamos o lado negro da inflação e dos planos mirabolantes, do Cruzado, Bresser, Collor, etc, e chegamos finalmente ao Plano Real (1994) e a Política de Metas Para a Inflação (1999). Este sim, o Real, o baluarte da estabilização até hoje, muito pela conjuntura mundial e responsabilidade dos governantes.
Fiz uma conta simples: US$ 10.000,00 dólares em março de 1985 valia (Cruzeiro) CR$ 39.510.000,00. Atualizado até abril de 2008 pelos índices oficiais (ORTN, OTN, BTN, INPC, UFIR até 1996 e depois a SELIC) chego ao seguinte número: R$ 61.189,00. Este número convertido pelo câmbio atual (US$ 1 = R$ 1,66) dá exatamente US$ 36.860,84. Ou seja. Quem tinha US$ 10 mil em março de 1985 e aplicou só nos papeis lastreados em títulos oficiais teria agora quase US$ 37 mil. Sabe quanto foi o reajuste? 369%.
Considerando que a década de 90 até aqui foi mundialmente de inflação baixa, imaginem o ganho real em US$.
O PPI Índex (um dos indicadores americanos de inflação) não ficou em 50% no período de 23 anos que analisei.
Quem é o maior emprestador? Adivinhou, a banca. Isso mostra como eles ganhavam com a inflação e ganham sem inflação. As razões são várias, mas o estado é o maior tomador de recurso, gasta mal e tem ânsia arrecadadora, cria estes mecanismos e enche a burra dos potentados.
Tudo bem que alguém pode dizer que sofismei pela conversão ao câmbio e hoje nossa moeda, o Real, está forte. Se ainda assim o US$ estivesse mais forte e a paridade fosse R$ 3,00, o ganho real ainda seria o dobro da média dos EUA.
Além de bancar o governo, eles extorquem os incautos com a farra do crédito, sem risco no caso consignado.
Hoje temos 30% do PIB na mão de analfabetos matemáticos que pagam "spreads" absurdos. Podem escrever ai: Teremos na primeira crise mundial que arrastar o Brasil, uma crise do "sub prime" do crédito brasileiro.
A minha revolta é antiga, mas a cada momento constato que de boas intenções estamos cheios, mas as coisas não funcionam como deveria, dentro de preceitos democráticos e da justiça social. Montesquieu do "Espírito das Leis" escreveu: "Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda parte." Aqui tudo parece funcionar, mas as distorções são enormes. O Banco Central só pode ser refém da banca, a questão das tarifas é caso de polícia.
Meu sábado segue em frente, mas com a triste sensação de que somos um povo abençoado e acomodado, que aceitamos calados as mazelas e nos contentamos com as migalhas que sobram.
O Brasil nunca chegará onde deveria estar. Não com a classe política sempre eleita nos enganos ao povo e do povo eleitor.
Murilo Prado Badaró- Empresário- Economista- mpbadaro@terra.com.br


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