quinta-feira, novembro 14, 2019

A prisão após condenação em segunda instância.

Essa discussão jurídica é complexa e apaixonante, são fortes os argumentos contra e a favor do cumprimento de pena após a condenação em segunda instância. Nunca chegaremos a um consenso. Algumas coisas que extrapolam as questões jurídicas precisam ser refletidas.
O que vem a ser trânsito em julgado? Quando ocorre no trâmite de um processo? .
A presunção de inocência se confunde com a falta de culpa? Aqui é o cerne da questão. .
No primeiro grau, como falam os juristas, são apresentadas as provas, oitivas, testemunhas, etc. Ali é analisada a materialidade da culpa, ou não. Na segunda instância normalmente são confirmadas as questões processuais, inclusive a confirmação da culpa ou não. Não seria já transito em julgado? Sabemos que ainda caberia recursos para o STJ e o STF em alguns casos. Uma festa na floresta de recursos que dependendo do crime por chegar a 100, custo a acreditar nisso. .
A maioria dos países não existe isso, salvo raras exceções ou mesmo, o réu pode recorrer em liberdade sob pagamento de fiança. Primeiro mundo é assim. .
A justiça falha e esses são os maiores argumentos para manter a tal “presunção de inocência”, mas ela falha se não punir os criminosos. Onde fica a virtude? .
Lula foi sim o instrumento para reverter uma situação esdrúxula no STF. A insegurança jurídica é nosso maior mal hoje. Como atrair investidores externos, relações comerciais externas sustentáveis se não temos leis que funcionam, ou mudam de acordo com interesses da elite ou poderosos? .
Vamos a cronologia do vexame e comprovar como os ventos políticos e da elite dirigem nossas leis. Sim, existe um mecanismo que protege a elite, é muito evidente isso: .
Em 1973 alterou-se a lei processual penal, em regime de urgência, e deu origem à lei 5.941/73, conhecida como Lei Fleury, abrindo a possibilidade do réu primário, e de bons antecedentes, aguardar o julgamento em liberdade, mas nada mudava quanto à prisão em após a condenação em segunda instância. .
Em 1977, a Lei Fleury foi revogada sob o argumento de que ela permitia a impunidade de pessoas influentes. Foi substituída a lei 6.416/77, que alterou o sistema de prisão provisória, caso de Fleury. A prisão em segunda instância permanece. .
O princípio da presunção da inocência foi legitimado na CF de 88. Como em vários outros temas, faltava regulamentação. O conflito entre a CF e o CPP fica evidente. A súmula 9 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sanou a dúvida e prisão após condenação em segunda instância não ofendia a garantia constitucional da presunção de inocência — continuava permitida a prisão em segunda instância. .
Em 2008, com a Reforma do Código de Processo Penal Brasileiro, os procedimentos criminais foram modificados em diversos pontos, reduzidos de cinco para três as hipóteses de prisão antes do julgamento: se hoje contamos com a prisão em flagrante, a prisão temporária e a prisão preventiva antes dessa alteração legal ainda se acresciam a essas a prisão decorrente de pronúncia no procedimento do júri, e a prisão em razão de sentença condenatória de 1ª Instância. .
O Supremo Tribunal Federal, após o Mensalão, em 2009, mudou o entendimento, quando julgou o habeas corpus (HC) 84.078 — que tratava do caso de um condenado por tentativa de homicídio— estabelecendo pela primeira vez o direito do condenado em segunda instância recorrer em liberdade. Grifo meu: Pela primeira vez. Será que teve influência dos poderosos que estavam sendo condenados no escândalo do Mensalão? Pode apostar que sim. Detalhe: o crime que mudou a regra prescreveu e o réu saiu livre, leve e solto. .
Em 2016, no julgamento de outro HC, o 126.292, a jurisprudência sobre o tema mudou novamente e determinou o início da execução da pena. É sim possível a execução da pena depois de decisão condenatória confirmada em segunda instância disse o STF. .
Em 2019, volta o entendimento de que “a presunção da inocência” do artigo 5 da CF de 88 é direito fundamental. Só haverá prisão após o trânsito em julgado, mesmo que isso represente a chance de prescrição do crime e a letargia na punição do culpado.Convenhamos, após julgado e condenado por duas cortes, sendo a segunda colegiada, observada e confirmada a materialidade do crime cometido, a chance de o réu ser inocente é pífia, restando-lhe recursos e recursos, se tiver, claro, dinheiro para pagar bons advogados. Isso não é mais do que privilégios no enfrentamento a justiça para pessoas abastadas e a manutenção da impunidade. .
Nossa imagem é prejudicada. A sociedade assiste atônita a institucionalização da chicana. Pesquisas mostram que 75% da população apoia a manutenção da prisão após condenação em segunda instância. .
Lula foi o vetor de tudo isso? Muito certo que tenha sido. Queria entender como os recursos que envolvem Lula andam rápido no STF, enquanto centenas, talvez milhares, ficam na fila. Um processo no STF de 21 de abril de 1956 só foi julgado 31 de maio de 2019, levou 63 anos. Um dia espero saber qual é o critério deles. .
Lula precisa ser decifrado como político e como cidadão. .
Como cidadão, ele está solto, mas não está livre. Ele ainda responderá a 8 processos e mesmo com toda louvação é réu condenado, com trânsito em julgado já em várias instâncias. Próximo dia 27 haverá julgamento no TRF-4 do caso do sítio em Atibaia, segundo alguns o mais crítico para Lula. Ele já está condenado na primeira instância pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro a 12 anos e 11 meses de reclusão. .
Como político ele é inelegível por conta da Lei da Ficha Limpa e não pode concorrer a nada. Pode influenciar nas eleições? Parece que sim, teremos chance de comprovar isso nas eleições do ano que vem. Na minha visão, ele influencia 25% (no máximo) dos eleitores, a marca histórica da esquerda, apesar de esquerda o Lula tem nada. Eu acho, só acho. .
E Bolsonaro? Ele surpreende desta vez. Com seu estilo de confronto, não se manifestou no episódio, pelo menos até agora. Pode ser maturidade, respeito ao conceito da independência dos poderes (Montesquieu agradece), ou mesmo estratégia que ainda não sabemos. .
Bolsonaro precisa consertar a economia e o Brasil voltar a crescer, esse é seu desafio e não Lula o chamando para briga. Aposto que ele não dará palanque a Lula. Parte da mídia tradicional dará palco a Lula, mas hoje o mundo mudou na disseminação da informação, vamos ver os próximos capítulos. A narrativa de preso político de Lula não se sustenta, salvo para a claque dele, mas isso acontecia com ele preso ou solto. .
O ataque a agenda atual do governo, que tem muitos méritos e parece acertada, só dará frutos a Lula se a economia continuar patinando. As desigualdades não acabarão da noite para o dia, são muitos anos de desmandos, corrupção e irresponsabilidades, mas, entretanto, a sociedade poderá sentir em qual direção os ventos vão soprar. .
A chance de aumentar a polarização entre eles é real, é preciso ver até onde isso vai chegar. Violência, badernas e conflitos têm de ter limites. A lei e a ordem são pilares da democracia e precisam ser exercidas, doe a quem doer. .
O Congresso pode salvar a pátria e restabelecer a justiça. Vários projetos tramitam lá, desde PEC (que demanda 2/3 dos votos e é complicada a aprovação) até mexidas no CPP, limite de recursos protelatórios, etc. Algo sairá de lá, tenho certeza, demora, mas sairá. Considerando que 75% da população é a favor da prisão após a segunda instância, o Congresso não fugirá de seu papel, pode apostar. .
Os defensores da “presunção de inocência” alegarão que o Artigo 5 é cláusula pétrea e não pode ser modificada. Haverá embates com certeza, mas a sociedade escolheu seu lado. Cláusula pétrea que estimula a impunidade e oficializa a chicana? Algo está errado. .
Eu como modesto cidadão, pagador de impostos, acho que manutenção de privilégios a criminosos que têm dinheiro e pagam bons advogados e a instituição da impunidade e da chicana, oficialmente no país, não tem nada de pétrea e nem é direito fundamental, só se for para alguns, sempre da elite. Simples assim. .
Lugar de bandido é na cadeia, principalmente depois de julgado e condenado, seja ele de que raça, cor, classe social, partido político, sexo, ele for. .
Só assim teremos futuro. 

sábado, outubro 26, 2019

Porque fracassam as nações. Excelente livro.


Vou sempre que possível colocar passagens desse livro, coisas que considero relevantes, apesar do livro sem todo relevante, com contexto histórico e da colonização de vários países, mostrando claramente porque alguns progridem e outros fracassam.
No caso aqui, vou falar sobre a URSS que até 1989 parecia ser o sonho de regime econômico, a panaceia da igualdade. Depois o sonho acabou e a saca ruiu.

Trecho do livro na página 131:

Até 1928, a maioria dos russos vivia no campo. A tecnologia usada pelos camponeses era primária e poucos eram os incentivos à produtividade. Com efeito, os derradeiros vestígios do feudalismo russo só foram erradicados pouco antes da Primeira Guerra Mundial. 
Um imenso potencial econômico irrealizado foi despertado ao realocar-se tamanho volume de mão de obra da agricultura para a indústria. A industrialização stalinista foi uma maneira brutal de liberar esse potencial. 
Por decreto, Stálin desviou aqueles recursos tão mal empregados para a indústria, onde seriam
utilizados de forma mais produtiva, ainda que a indústria em si fosse organizada de maneira muito ineficiente, sobretudo se comparada ao que se poderia ter alcançado. 
De fato, entre 1928 e 1960 a renda nacional cresceu a uma taxa de 6% ao ano, provavelmente o mais agressivo surto de crescimento econômico já registrado até então. Esse rápido crescimento econômico foi consequência não de uma mudança tecnológica, mas da realocação de mão de obra e da acumulação de capital, por meio da criação de novas ferramentas e fábricas.
O crescimento foi tão abrupto que mesmerizou gerações de ocidentais, não só Lincoln Steffens. A Agência Central de Inteligência americana, a CIA, ficou mesmerizada. Os próprios líderes soviéticos deixaram-se fascinar – como aconteceu com Nikita Khrushchev, que se vangloriou, em 1956, num discurso a diplomatas ocidentais: “Vamos enterrar vocês [o Ocidente].” Ainda em 1977, um economista inglês defendia, em um livro de referência muito considerado nos meios acadêmicos,
que as economias ao estilo soviético eram superiores às capitalistas em termos de crescimento econômico, sendo capazes de proporcionar emprego pleno e estabilidade de preços e até de injetar na população motivações altruístas. O pobre e velho capitalismo ocidental cansado de guerra só se saía melhor mesmo na concessão de liberdades políticas.

Vamos comentar isso:

Impressionante o crescimento de 6% a.a. durante quase 35 anos. Alguém pode querer comparar á China atual, mas são contextos diferentes, não cabe a comparação.
Stalin errou muito, mesmo quando incentivou a produtividade via bônus e outras medidas, não funcionou. Faltou a criatividade, a destruição criativa e mesmo com avanços tecnológicos, a falta de liberdade não deixou que esses avanços fossem adiante.
Nota-se, já escrevi antes, que até 1989 com a queda do Muro de Berlim e desnudado o regime comunista, ainda não sabíamos dos estragos que o regime era capaz.
Na verdade o regime faliu muito antes de 1989, desde 1985  Mikhail Gorbachev  , visionário, previu o fracasso e tentou implantar a Perestroika, uma mudança na economia que acabou derrubando o regime.
A centralização e a mão forte do estado foi responsável pela falsa prosperidade que depois não se sustentou, como temos vários exemplos.
Os recursos foram utilizados e o potencial de crescimento explorado, mas sem sustentabilidade pela falta de liberdade e criatividade.
A manutenção dessa prosperidade na URSS custou milhões de vítimas, prisões e opressão. Quando a produtividade desejada por Stalin não foi atingida, eles tentaram a repressão e punição aos operários relapsos que não tinham motivação alguma para produzir mais e mais.

Por hoje comento isso, sempre que achar algum tema colocarei aqui.

Recomendo com força esse livro. Sensacional.


sexta-feira, outubro 18, 2019

Economia pode surpreender positivamente em 2019


Economia pode surpreender positivamente em 2019 e PIB deve superar as previsões atuais que andam entre 0,8% e 1% de crescimento.


https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus

Economista adora fazer previsões e projeções. Sempre foi assim e sempre será.
Na verdade, existem sim padrões e muita racionalidade, mas a economia apesar de ser uma ciência, não é física, nem química e nem matemática, com a precisão e exatidão.  A economia envolve a ação humana, o homem não possui um comportamento previsível que possa ser sempre antecipado.  Além disso tem as ações governamentais, políticas macroeconômicas que mudam ou podem desencadear movimentos opostos nas premissas e variáveis estudadas que originam uma previsão e uma projeção.
Existem sistemas, algoritmos com muitas previsões acertadas e projeções corretas, algumas mais simples, outras mais complexas. Tem uma máxima que no meio dizem dos economistas “celebridades”. Quando um desses erra, ele diz: Minhas previsões foram ouvidas e houve os ajustes necessários. Quando acerta, coloca na conta do sucesso.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) sempre publica o relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), com sua projeção de crescimento para economia global. Aqui temos o Boletim Focus, que reúne muitos operadores do mercado e fazem um “consenso” dos indicadores que o mercado trabalha. Há também os bancos, corretoras, as consultorias, enfim, palpites e revisões não faltam. Normalmente existem poucas variações no geral, e poucos saem da curva padrão. Eu diria que a teoria da “Manada” muito usada na economia se aplica aqui com perfeição para explicar esse “consenso”. Reitero, o trabalho, na maioria das vezes, é sério, estudos profundos são feitos, sistemas são usados e os algoritmos existem, cada vez mais modernos e precisos. Agora a IA, Inteligência Artificial é novo brinquedo da turma.
Fiz esses rodeios para tentar mostrar que os erros existem, e a própria dinâmica da economia, com ações do ser humano, interferências governamentais e fatores exógenos globais mudam isso sempre. Vejamos algumas considerações minhas de que economia pode surpreender, porque antes o cenário era assim:
1.       Mudança de governo, expectativa alta, otimismo e as coisas não foram como imaginamos no começo de 2019. A previsão de crescimento do PIB de 2018 do FMI chegou a 2,5% em 2019 no Brasil e 3,5% no mundo. Agora o FMI projeta 0,8% e o mundo em 3%.
2.       A guerra comercial entre URSS e EUA, segundo alguns afetando todos os países em desenvolvimento pela incerteza e chance de desaceleração mundial.
3.       Alto desemprego e a economia nacional patinando, a crise forte na Argentina, parceiro comercial importante do Brasil.
Estava tudo muito claro que 2019 estava quase morto e a esperança passava a 2020. O que começou a mudar, vou tentar mostrar com alguns argumentos:
1.       Indicadores recentes, de setembro mostram que houve grande redução de despesas dos governos. Por penúria com certeza, mas houve. A deflação de setembro, mesmo sendo causada pela baixa atividade, dá gás ao governo para medidas mais assertivas como abaixar a taxa de juros ainda mais.
2.       A ânsia arrecadatória é sempre grande quando muda governo, e esse ano não foi diferente. Para exemplificar, a arrecadação de junho foi a maior desde 2014 com R$ 120 bilhões e crescimento real de 4,68% comparado a 2018. Só cresce arrecadação neste patamar com a economia em expansão
3.       A queda brutal dos juros da SELIC esse ano e que tem hoje nosso menor patamar histórico, ainda com projeção de chegar em 4,75% em 2019. A redução de juros tem impacto profundo no caixa do governo que economiza no “serviço da dívida”. Quase 45% do caixa é destinado a dívida.
4.       A deflação de setembro de -0,04%, a maior em 21 anos para o mês, e a inflação acumulada em 12 meses de 2,89% dá força para medidas mais fortes visando buscar o crescimento econômico sem preocupação com a famigerada inflação via taxa de juros. O ponto crítico aqui é o desafio de fazer chegar essa redução no setor produtivo, já que o sistema financeiro ainda pratica os “spreads” criminosos que inibem o consumo e o investimento.
5.       O desemprego que gira em 12% dá sinal de queda e em setembro apresenta indicadores que começam a reagir na contratação formal em 14 capitais, com ótimo desempenho.
6.       As vendas no comércio cresceram em agosto 0,1%, tímidas, mas pode ser a inflexão da curva para voltar a crescer adiante, características de final de ano.
7.       A indústria automobilística, mesmo com a crise da Argentina, o maior parceiro, apresentou crescimento.
8.       A indústria e o consumo de cimento apresentam crescimento moderado, mas isso é sinal que existe perspectiva para o setor imobiliário e de infraestrutura. Com juros baixos o segmento imobiliário que agrega muitas indústrias e é excelente gerador de emprego, tem boa expectação.
9.       A indústria ainda patina, mas dá sinais de vida, principalmente a de bens de capital com sinal claro de que a máquina começa a rodar.
10.   Converso com amigos do mercado financeiro, da indústria e do comércio, gosto de sentir a opinião de quem está na frente de batalha, no mundo real. Há quase uma unanimidade de que há sim sinais de melhoria.
11.   A reforma da Previdência caminha e a Tributária também, mesmo não sendo a solução ótima para muitos, alguma coisa está sendo feita e precisava ser feita.
12.   O câmbio segue as flutuações de mercado, as exportações vão bem, mesmo com o possível arrefecimento da economia global. Os EUA com o menor desemprego em 50 anos e crescimento acaba influenciando a economia global e exorcizando os fantasmas da retração que muitos ainda esperam
13.   A confiança parece que voltou, investimentos externos na normalidade e a expectativa do leilão da tal “Cessão Onerosa” do Pré Sal com estimativa de faturar R$ 100 bilhões, podendo ser mais pois o leilão da ANP em outubro tem ágio de 300% com arrecadação recorde de R$ 8 bilhões. Bom presságio.
Não, ainda não estamos bem, o céu ainda não é de brigadeiro e muito precisa ser feito, mas convenhamos, o estrago era enorme. Ainda em 2019 a estimativa do buraco é de R$ 130 bilhões. Mesmo com o tamanho do problema, todos estes sinais positivos são alento e combustível na economia.
Não existe mágica e as soluções não saem da cartola. Uma aparente e quase certa má vontade da grande mídia, apesar de ter perdido muito de sua importância, a “franqueza e espontaneidade”, digamos, do presidente que muitas vezes ultrapassa os limites do senso comum, atrapalham, mas estamos caminhando, isso é fato.
Arrisco aqui um palpite. A partir das minhas consultas e pesquisas que faço por conta própria, por meu interesse: O PIB esse ano será maior do que a projeção atual de 0,8%.  Já ouvi que o PIB já medido está em 1,3% e pode chegar até a 1,8%. Faz sentido se a onda está mesmo a favor. Final de ano sempre é momento de expansão e crescimento com geração de emprego.
Vou cravar: 1,4% ao ano.
Não sou pitonisa, é palpite com base na racionalidade de algumas variáveis e movimentos observados. Se fosse pitonisa estaria operando em Wall Street, mas vale o “chute”, fica aqui registrado.
Como tenho dito em redes sociais aos críticos ferozes do governo: Os cães ladram e a caravana passa. Detalhe, não sou governista ou “bolsonarista”, sou patriota e quero ver o Brasil para frente, só isso. Não é questão de otimismo ou péssimo, é observação.
A conferir se teremos boas e positivas surpresas ainda em 2019. O Boletim Focus com quase certeza fará seus ajustes.

sábado, setembro 21, 2019

Direita x Esquerda ?

Direita x Esquerda

Publicado no Site Gazeta Livre- Clique e veja
Quando se fala em direita e esquerda falamos de regime econômico, de socialismo e capitalismo. Muitos confundem com regime político, mas não é. Os neologismos, liberais, neoliberais, progressistas, conservadores, socialismo do século XXI, etc. não passam de retórica, a essência está na forma como é conduzida a economia de uma nação. Hoje podemos falar em sistemas econômicos híbridos, com pilares do capitalismo misturados aos do socialismo, a própria evolução da humanidade nos leva a isso, e é muito saudável.
Este tema não sairá nunca da pauta, os próprios extremos se encarregarão de dar manutenção a polêmica. Não chamaria de dialética, apesar de no passado até tenha se enquadrado como tal. A própria dinâmica e a correção de rumo de ambos mudaram muito essa questão quando falamos de sistema econômico.
O mundo desde o início da civilização, há 10 mil anos (ou 15 mil segundo algumas teorias) vive um processo que começa na própria sobrevivência, passando a formas coletivas de cooperação, tecido social começa a se formar e a produzir. As pequenas mudanças já produziram melhorias nas condições de vida, moradia, alimentação e aumento da população.
O mundo caminhou ao longo de milhares de anos de forma frugal e simples até há 250 anos atrás quando começa a revolução no iluminismo e na consequente revolução industrial a seguir, que é marco na evolução da humanidade. Antes era tudo igual, a vida era a mesma em todos os lugares, com dificuldades e problemas. A fome foi por diversas ocasiões uma constante em catástrofes que assistimos ao longo do tempo.
Para termos uma ideia, podemos comentar alguns indicadores até na transição para a revolução industrial, o homem tinha como base a agricultura e pouco comércio, que girava devagar a máquina econômica. Com o advento das máquinas, a produção industrial provocou o êxodo rural para as cidades, onde as mulheres passaram a ter mais trabalho e as crianças que eram obrigadas a ajudar na lida diária da lavoura; puderam estudar e criar valor nas suas vidas, com lazer e melhoria da qualidade de vida. Alguns dados corroboram que o fenômeno evolutivo não foi só econômico: em 1700 a altura média do homem era 1,68 metros, hoje é 1,70. Há 300 anos quem ingeria 900 calorias diárias era superalimentado, hoje a média ocidental é de 2.400 calorias diárias. A expectativa de vida passou de 36 anos no Reino Unido para mais de 70.
Podem ter certeza que o capitalismo é o motor disso tudo, na produtividade, na inovação tecnológica e na liberdade para criar e investir, corrigir erros quando necessário, mas gerando o combustível que é sagrado nessa máquina - o lucro, que para alguns socialistas é palavrão.
Quando Engels em 1840 escreveu sobre os pobres ingleses, em muito pouco tempo a vida deles melhoraria a ponto de muitos questionarem se os livros A situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra e o Manifesto Comunista seriam escritos.
Talvez aqui tenha surgido o primeiro embate entre o socialismo x capitalismo. Com justa e legítima razão, era preciso pensar como proteger os mais “fracos” e desfavorecidos.
A revolução industrial, as máquinas e os avanços tecnológicos da época não trouxeram desemprego, pobreza e injustiça social, ao contrário, graças a esta revolução a humanidade avançou e avança a passos largos.
Ainda mais acelerada, a disrupção tecnológica atual, desde que começou nos anos 60 para valer, tem provocado alguns problemas, o mais grave talvez seja a concentração de renda.
Olhados as relações PIB x endividamento, participação do sistema financeiro x PIB desde os anos 60 para cá, podemos constatar um fenômeno grave para a maioria da população: o rentismo aumenta exponencialmente e o dinheiro que deveria estar indo para a produção, geração de emprego e renda, aparece concentrado em bancos.
Para cada US$1 de economia real se tem US$40 na ciranda financeira e a próxima fase devem ser as criptomoedas que podem aumentar ainda mais a concentração da riqueza.
A desigualdade social não tem questionamento, segundo um escritor que mostra o óbvio e virou a sensação da esquerda moderna.
- Nas seis décadas que transcorreram entre 1914 e 1973, a taxa de crescimento econômico excedeu a taxa de retorno do capital. Isso conduziu a melhora na vida dos trabalhadores. Neste período tivemos as duas grandes guerras e a crise de 1929 que destruíram grande parte do capital.
- Nos quarenta anos que se seguiram a 1973 a taxa de retorno do capital excedeu a taxa de crescimento econômico que desacelerou.
O Capital no século XXI, um livro de economia escrito por Thomas Piketty afirma que quanto maior a taxa de retorno do capital comparada ao crescimento econômico, mais desigualdades. Não há dúvida, é inquestionável. A questão é como enfrentar isso.
Piketty com base em muitas projeções e mostrando a clara distorção na distribuição de renda mundial tenta se apresentar como o salvador da pátria, descobridor da panaceia da humanidade, assim como Mark e Engels pareceram ser no seu tempo, até se provar que o socialismo e o comunismo não funcionavam e teve o fim decretado em 1989 com a implosão da URSS. Como diz a Margareth Thatcher, o socialismo dura enquanto dura o dinheiro.
Enquanto o socialismo vê que existem formas, normalmente mágicas de salvar bilhões de miseráveis, o capitalismo tem outra visão e precisa ficar claro que a sua lógica é que o cidadão consumidor tenha qualidade de vida e consumo, crescentes. Capitalismo vê o mercado como solução, o socialismo a intervenção do estado. Quando cessa o movimento e a dinâmica do mercado livre, o próprio capitalismo incorre em riscos. Quando acaba o dinheiro, o socialismo fracassa.
O capitalismo sempre precisa de revisão, a própria dinâmica do seu processo identifica as ameaças e corrige o rumo, como será no caso do rentismo e da concentração de renda que ameaçam com força o capitalismo moderno.
O socialismo vê como problema, o capitalismo como oportunidade a grande massa da população ainda em condições de melhoria de renda. A diferença entre ambos é como atacar a questão e os meios e ferramentas a serem utilizadas.
A questão central é uma só, não existem fórmulas mágicas, NÃO EXISTE igualdade entre seres humanos, nunca existiu e nunca existirá. Existe TRATAMENTO IGUALITÁRIO diante da lei, onde elas funcionam, na Democracia. Sempre que se quis "igualar" seres humanos - que são naturalmente únicos e diferentes entre si - se violentou a liberdade e a individualidade, solapando a todos pela preguiça e mediocridade, matando talentos e aptidões individuais como o empreendedorismo e a inovação.
Fato: A ordem política moderna, desde a Revolução Francesa, fez as pessoas acreditarem que a igualdade e liberdade individuais são valores fundamentais. Mas eles são contraditórios. A igualdade só pode ser assegurada se forem diminuídas as liberdades daqueles que estão em melhores condições. Simples assim.
Se quiserem relativizar a liberdade, talvez um modelo socialista possa funcionar na prática, mas a democracia e a liberdade são irmãs siameses, inegociáveis para a prosperidade e progresso humano e uma depende da outra. Qualquer sistema que prescinda das duas está fadado ao insucesso.
O capitalismo é processo, o socialismo é projeto. Processo segue uma dinâmica própria, natural, projetos estão sujeitos as falhas humanas. A história é pródiga de exemplos.
Isso não quer dizer que um sempre será justo e outro injusto, a virtude estará no meio sempre e ambos os regimes econômicos tiveram evolução acadêmica e correção de rumos. Não existe no mundo atual um sistema puro, como idealizado e pensado no passado.
A panaceia não existe, mas as distorções precisam ser administradas e corrigidas para proteger o mais fraco. As pessoas de bem são assim, não existe monopólio da virtude e bondade do socialismo, como não existe a crueldade do lucro a qualquer preço no capitalismo. Todos nós, acadêmicos, políticos, formadores de opinião, mesmo empreendedores e trabalhadores precisamos ter consciência disso e tentar mitigar o sofrimento causado pela pobreza e tentar corrigir as injustiças sociais e desigualdades que atingem os menos favorecidos.
Uma coisa eu não tenho dúvida: A justiça social verdadeira e sustentável só existirá com prosperidade e progresso. A mola mestra disso chama-se LUCRO, o verdadeiro combustível do crescimento e do investimento.
O resto é conversa fiada de aproveitadores, a maioria em proveito próprio, de um flagelo da humanidade que é a desigualdade e as injustiças sociais.

segunda-feira, setembro 16, 2019

E o ataque na Arábia Saudita? Como fica o Brasil?


Sobre o ataque aos poços de petróleo na Arabia Saudita.- Clique e veja
  1. Não creio que o Irã esteja envolvido, se estiver, é de forma indireta e está testando Trump.
  2. A guerra civil do Iemen existe um grupo inimigo da Arábia, tudo indica que foram eles, terroristas.
  3. O preço subiu 15% porque a redução da produção é estimada em 5 milhões de barris, a maior paralisação da produção em conflitos na história.
  4. Arábia tem estoques enormes e os EUA também têm. Os preços devem cair porque preço alto incentiva a produção do Xisto e outras tecnológicas e os produtores não gostam muito. Os preços altos serão temporários.
  5. A Venezuela pode ter um folego com esta alta , mas será paliativo, nem petróleo eles conseguem produzir mais,país acabou nas mãos de Maduro e do socialismo do século XXI. Piada;
  6. A empresa estatal Saudita fará um IPO e se deu bem com essa história, mas me recuso a pensar que eles possam ter provocado isso para valorização dos ativos, como ocorreu com as empresas petroleiras, mas não seria impossível.
  7. Uma turbulência que gera mais incerteza global, mas não acredito em guerra e ataque americano ao Irã, isso é especulação de gente que é louca para ver o Trump começando um conflito armado. Não cabe mais isso no mundo atual, guerras agora só se for cibernética ou conflitos locais e regionais no terceiro mundo.
  8. A incerteza traz mais nebulosidade a uma possível freada no crescimento global, mas ainda sem confirmação, só corrobora que a demanda por Petróleo não seria tão alta para manutenção dos preços altos. Se os preços ficarem altos por muito tempo ( o que não acredito) pode jogar lenha na fogueira de uma crise de freio na economia mundial. Espero que não.
  9. Esses preços mais altos, mas temporários na minha visão, podem afetar alguns países, mas não o Brasil que hoje depende pouco do petróleo externo, e além disso a correção de preços que a Petrobrás fará (ou deve fazer) não impactará na inflação, ou o impacto será pequeno, quase desprezível. O risco pode ser o diesel que está no limite para gerar uma nova crise com os caminhoneiros, ai sim, seria problema grave como assistimos em 2018 e levou de 1% a 2 % do PIB.
  10. O COPOM amanhã deve abaixar os juros, sem se preocupar com esse fato, até porque precisamos crescer e os juros baixo hoje é nossa melhor saída para prosperidade.Precisamos crescer, crescer e crescer.
  11. Até que ponto isso vai atrapalhar o Brasil? Depende da duração da crise e da alta do petróleo, mas os efeitos serão pequenos e mesmo na economia global isso é mais marola do que tsunami.
Eu acho, só acho.

sábado, setembro 07, 2019

A evolução da exportação mundial e do PIB desde os anos 60




Clique e veja os clips completos

Exportações


PIB


Muito bacana os gráficos animados.
Mostra claramente a evolução da China e a manutenção sempre dos países do G-7 na cabeceira da economia global.
A relação nosso PIB x exportações é ridícula, mas mostra que temos muito potencial ainda para avançar e crescer.
Sou testemunha ocular da ascensão chinesa. Tive oportunidade de viajar mais de uma dezena de vezes para lá, desde os anos 90 até recentemente. Vi as estatísticas e a pujança, e lá ainda tem muita gordura para queimar, ainda bem.
Os EUA é a locomotiva mundial, sem dúvida.
É aqui que enxergamos claramente o que é primeiro mundo e terceiro mundo. 


quinta-feira, junho 13, 2019

Nazismo = comunismo ?


Essa discussão entrou na pauta há algum tempo por conta de uma declaração do chanceler brasileiro.
Questão complexa e polêmica.
O comunismo que deu origem ao socialismo e no fundo são a mesma coisa, guardadas as devidas proporções de opressão e os estragos que fizeram na história. O comunismo tem mais de 100 milhões de mortos, é muito sangue.
Quanto ao Nazismo a discussão é se é ou não de esquerda e socialista. Tirem suas conclusões:

Nós somos socialistas, nós somos inimigos do sistema econômico capitalista atual de exploração dos economicamente fracos, com seus salários injustos, com sua ultrajante avaliação de um ser humano de acordo com sua riqueza e propriedade ao invés de responsabilidade e comportamento, e nós estamos determinados a destruir esse sistema, custe o que custar.
Não foi dita por Adolf Hitler e sim por Gregor Strasser, um dos primeiros líderes do partido nazista.  

"Somos inimigos mortais do sistema econômico capitalista de hoje em dia, com sua exploração dos economicamente fracos, seu sistema injusto de salários, sua maneira imoral de julgar o valor dos seres humanos em termos de suas riquezas e de seu dinheiro." Gregor Strasser, ideólogo nazista.


 "O Estado deve ter como meta prioritária oferecer os meios de sustento para seus cidadãos, a abolição de todas as receitas não adquiridas com trabalho, o confisco implacável de todos os lucros de guerra, a nacionalização de todos os negócios que se transformaram em corporações, o compartilhamento de lucros e grandes empresas, o desenvolvimento maciço de uma pensão para a velhice e uma reforma agrária apropriada às necessidades nacionais." Plataforma do Partido Nazista, 1920.

O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo, Kevin D. Williamson, Agir, 2013, pgs 155-156 e 160-161.


Aliás, eu li este livro, é muito interessante, falando do período socialista dos EUA.

No fundo não há ninguém que queira a pecha de Nazista ou Comunistas, exceto os radicais de ambos os lados.

Se Nazismo é direita ou esquerda, pouco importa, fez uma estrago igual ou maior do que o Comunismo e ambos são deploráveis.

O socialismo é muito romântico, mas nunca funcionou na prática e a história é pródiga de exemplos.

O mundo mudou e muda rápido, estes rótulos de sistemas econômicos e políticos precisam ser revistos e renomeados. 

Eu acho que o Nazismo se assemelha mais a esquerda do que a direita.

Pode não ser conclusivo para alguns, mas quer ver mais?
Olha este artigo na BBC - Clique e leia



domingo, maio 19, 2019

O socialismo e a energia elétrica




Se bem que o que existe lá é um império, um "imperador" ditador que finge a democracia, mas está já na terceira dinastia.
O regime econômico é o comunismo, que tem origem no socialismo e assim que se auto intitulam, socialistas.
Há poucas informações de lá, mas o que se tem é de arrepiar, com escassez de alimentos, remédios e muitos produtos básicos. Relatos de canibalismo são contados, onde há fome, tudo é possível.

A energia elétrica é um elemento que pode mostrar muito da condição sócio- econômica de uma pessoa, de uma cidade e de um país.

Com minha experiência de 25 anos no setor elétrico e conhecendo curvas de carga, posso arriscar a palpitar sobre a renda de um consumidor se conhecer sua curva de carga e estabelecer algumas referência com equipamentos que consomem a energia x a renda. Claro, de forma empírica, mas eu consigo enxergar esta relação.
Pelo jeito já estabeleceram algumas conexões entre PIB x Energia, como mostra este artigo.
Clique e leia:  Foto de satélite mostra Coreia do Norte como buraco negro econômico

Falta de luminosidade noturna é um dos poucos indicadores para medir atividade no país.


 Mais do que confirmar o flagelo econômico que existe lá, podemos comprovar a decadência de 2013 para 2015 na capital.
Investimentos em armamentos não param e a população passa fome e dificuldades.
O nababesco e "gordinho" imperador exótico e sua trupe vivem como reis com certeza, no socialismo isso acaba acontecendo.

Uma pergunta fica no ar: Para que energia se não existe a atividade econômica? Mas lembrando que ela sempre será vetor de desenvolvimento econômico.

domingo, março 03, 2019

Sapiens uma breve história da humanidade alguns dados interessantes


Confesso que este foi um dos livros mais interessantes que li na minha vida, e olha que já li e leio muito.
Ele esclarece conceitos e com uma mistura de fatos e abordagens filosóficas nos dá um choque de realidade encaixando as peças da evolução da humanidade. Por mais que alguém queira contestar algumas passagens e informações polêmicas e controversas, a reflexão fica.
Já tinha lido o Uma Breve História do Mundo de Geoffrey Blainey, muito bacana, mas nada comprado a este. Harari entra em questões filosóficas e sociológicas profundas e mexem com o leitor.
Vou ler os outros dois de Harari. Yuval Noah Harari  professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade , Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã. e 21 Lições para o Século 21.

Ele aborda muitos temas, como o surgimento do dinheiro e cita muito A ascensão do dinheiro: uma história financeira do mundo livro de 2008 do professor de Harvard, Niall Ferguson que já tinha lido e é muito interessante.

A  Revolução Cognitiva da humanidade que levou o Homo Sapiens a se sobrepor  a todas as espécies era novidade para mim. Outro ponto, as outras espécies de hominídios não vieram em sequencia até chegar ao Homo Sapiens, eles viveram na mesma época e foram exterminados pelo Sapiens.
Origem da linguagem e da escrita, comportamentos sociológicos, família, comunidade, nação, estado, mercado, indivíduo, são abordados de uma maneira muito racional e lúcida com o conhecimento de um historiador e a visão de um filósofo. Interessantíssimo, com ilações que podem chocar alguns. O homem não destrói a natureza, ela se modifica e desde a pré história extingue espécies de animais. Ele aborda a questão super polêmica de em qual período o homem foi mais feliz, se como coletores- caçadores, ou depois a cada revolução surgida (agrícola e industrial e a mais atual, da informática). Pontos a refletir.
Ele afirma que vivemos uma paz atômica e que o Nobel da Paz deveria ser dado a Julius Robert Oppenheimer inventor da bomba atômica, porque graças a ele a paz reina na humanidade, pode fazer sentido.

Alguns dados extraídos do livro, mas tem muitos mais, muito mais:


Nas páginas 361 e 362.

Em 1700 tinha 700 milhões, em 1800,  950 milhões, em 1900, 1,6 bilhão, em 2000, batemos 6 bilhões e beiramos os 7 bilhões atualmente.
Se todos os seres humanos subissem em uma balança seriamos 300 milhões de toneladas.
Todos animais domesticados, vacas, porcos, ovelhas, frangos seria de 700 milhões de toneladas na mesma balança.
Todos os grandes animais selvagens, de porcos espinhos e pinguins a elefantes e baleias é menos de 100 milhões de toneladas.

Nos livros  estão cheios de girafas, lobos e chimpanzés, mas no mundo há poucos. São 80 mil girafas contra 1,5 bilhão de cabeças de gado, 200 mil lobos contra 400 milhões de cachorros e 250 mil chimpanzés em contraste aos bilhões de humanos.

Ano 2000 as guerras mataram  310 mil indivíduos e crimes violentos causaram 520 mil mortes ( só no Brasil 50 mil). Estas 830 mil mortes representam 1,55% das 56 milhões de pessoas mortas em 2000. Naquele mesmo ano, 1,26 milhões de mortes por acidentes de carro (2,25%), 815 mil cometeram suicídio (1,45%). Suicídios andam matando mais do que guerras. No passado será que foi assim?

Página 377 do  World Repot Violence and Health Sumary. Geneva  2000 OMS.

Sinceramente, quem gosta de ler, não pode perder este livro.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

As maiores bolhas econômicas da História do Mundo



O mais importante é que as lições ficaram, mas muitos não aprenderam com elas.

As maiores bolhas econômicas da História do Mundo


Bolha da Tulipa (1637)

Esta foi a primeira bolha especulativa da história.

A Bolsa de Valores foi criada na Holanda em 1602 com o objetivo de captar recursos e explorar os oceanos que abriam as portas do mundo aos países europeus. A capitalização da Companhia Holandesa das Índias Orientais foi o mote, que visava aumentar o comércio e a exploração dos mares e países ainda desconhecidos e inexplorados. O método usado na Holanda foi usado depois em diversos países que dominaram o mundo no século XVII e XVIII. O lucro dos investidores mostrou que era viável, mas eles não conheciam ainda a especulação (provocada sempre pela ganância) e as bolhas (provocada pelo amadorismo). Foi criado o mercado futuro.

Muitas pessoas começaram a investir no negócio, vendendo suas propriedades para lucrar com a especulação de tulipas. Criaram os mercados futuros na bolsa de valores de Amsterdã, e os investidores compravam tulipas de uma próxima colheita. As pessoas pagavam preços irreais por uma tulipa, porque elas achavam que poderiam vender ainda mais caro no futuro. A tulipa chegou a valer o preço de uma casa em Amsterdã.


Companhia do Mississipi (1720)

O rei Luís XIV teve longo reinado e diversas guerras que levaram à bancarrota a economia e a monarquia francesa. Para sustentar sua ostentação começou a se influenciar pelas teorias monetárias do economista escocês John Law.

O capitalismo incipiente não motivava as monarquias a investimentos visando lucro e crescimento, apesar de Adam Smith já ter lançado a “História da riqueza das nações.

Em 1717, John Law comprou a Companhia do Mississipi e abriu seu capital obtendo o monopólio de comércio com os EUA, garantido pelo rei Luís XV.

Law abusou de um esquema efetivo de marketing, que levou à especulação das ações da companhia em 1719.  Lucros enormes atraíram mais investidores para um preço artificial e o excesso de liberdade do banco sem intervenção e controle monetário do governo francês que passou a emitir moeda. À medida que o banco emitia veio a hiperinflação.

A bolha estourou no final de 1720 aconteceu quando não havia mais investidores para comprar as ações e sustentar a alta, com o excesso de vendedores para não sofrer prejuízo aconteceu a aplicação de velho axioma econômico: a oferta maior do que a demanda, preços caem. Neste caso foram a zero.
A bolha South Sea Bubble, na Inglaterra agravou o problema França. A maioria da população começa a sentir e a viver em pobreza extrema por muitas décadas e acabou culminando na Revolução Francesa.  
O mundo todo foi afetado pela crise na França.




O Pânico de 1873 e a Longa Depressão (1873-1896)

Pânico de 1873 começa nos EUA e acaba afetando o mundo todo após ter experimentado crescimento econômico nos anos anteriores, impulsionado pela Segunda Revolução Industrial.

O fim da Guerra Civil nos EUA  e a exploração do Oeste para amenizar a crise econômica dispara a  construção de estradas de ferro, foram construídos 53.000 km de linhas de trem entre 1868 e 1873 financiada por investidores.

O dinheiro acabou  e os mercados entraram em colapso. A Bolsa de Nova York parou por 10 dias. Nos EUA, mais de 18.000 empresas, incluindo companhias de trem e bancos, foram à falência.

A Bolsa de Viena foi afetada pela crise americana de 1873 e também afetou a Alemanha, Inglaterra e por consequência, o resto da Europa.

As reações  à crise e a necessidade de se recuperarem acabaram levando a Europa a iniciar, anos mais tarde, a Primeira Guerra Mundial. A falência do modelo econômico capitalista ressuscita  modelos econômicos no extremo oposto, como o Comunismo e Karl Marx.


Crash de Wall Street e A Grande Depressão (1929)

O Crash da Bolsa de Valores de Nova York, naquela quinta-feira negra em 1929 (seguida da terça-feira negra, na semana seguinte), iniciou a mais famosa crise, e talvez também a mais devastadora da história.

Após a Primeira Guerra Mundial, os países europeus estavam arruinados. Os Estados Unidos aproveitaram o aumento da demanda para expandirem sua indústria e cresceram sem parar entre 1918 e 1928. Foi um dos períodos mais prósperos da História dos EUA, dando origem ao termo "American way of life".

Americanos passaram a investir pesado em ações na bolsa de valores. Muitos venderam bens ou tomaram dinheiro emprestado para investir. Mais de 8,5 bilhões de dólares foram emprestados, isso era mais da metade de todo o dinheiro em circulação nos EUA. Os preços das ações estavam subindo e incentivando mais pessoas a investirem, criando uma bolha especulativa.

Além dos EUA, países como a Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Austrália e Canadá foram duramente atingidos pela Grande Depressão, que acabou afetando o mundo inteiro. Entre 1929 e 1932, o PIB mundial chegou a cair 15%, levando milhões de pessoas ao desemprego e à miséria.

Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores que ajudaram a ascensão de regimes ditatoriais radicais, como o Fascismo, comandados por Adolf Hitler na Alemanha, e Benito Mussolini, na Itália.

Nos EUA, em 1933, o New Deal, conjunto de programas de intervenção do Estado ajudaram a minimizar os efeitos da crise. O New Deal consistia basicamente de:

- Investimento maciço em obras públicas (mesmo que isso significasse aumento da dívida pública a curto a prazo), gerando milhões de empregos.
- Destruição de estoques de gêneros agrícolas para conter a queda dos preços (nesta mesma época o Brasil fez o mesmo com o café, queimando milhões de toneladas do produto).
- Controle sobre os preços e a produção.
- Programas de ajuda social, como diminuição da jornada de trabalho (o que ajudou a abrir novos empregos), seguro-desemprego, seguro-aposentadoria e a implementação de um salário mínimo.

A crise de 1929 culmina com a explosão da Segunda Guerra Mundial, que deixou mais de 70 milhões de mortos ao redor do Mundo e deixou a Europa arrasada.


A Grande Recessão (2008 - 2012)


A partir do final dos anos 1990, após o estouro das empresas ponto com e a “exuberância irracional” termo cunhado por Allan Greenspan, os preços dos imóveis nos EUA começaram a disparar baseados em especulação. O preço das casas em algumas regiões chegou a subir de 20% a 30% por ano, enquanto que a renda não crescia na mesma velocidade. Em 2007, existiam casebres nos EUA valendo o preço de uma mansão.

A bolha estourou quando os bancos revelaram ter estendido hipotecas lixo (Subprime) a pessoas sem condições de pagá-las, com a expectativa de que o preço dos imóveis seguisse subindo. As hipotecas foram transformadas em títulos e vendidas nos mercados, o que gerou centenas de bilhões de dólares de prejuízo aos investidores quando as famílias não puderam mais pagar as hipotecas. O Lehman Brothers, maior banco de investimentos dos EUA, com mais de 150 anos de funcionamento, quebrou, arrastando consigo uma série de outros bancos nos EUA e fora dos EUA.

Após uma queda brusca em diversas bolsas de valores nos EUA e ao redor do mundo, a Europa começou a sentir. A Grécia foi obrigada a reconhecer que o déficit do país era muito superior ao revelado anteriormente, o que alterou o interesse nos mercados por seus bônus. União Europeia (UE) e FMI negociaram durante meses um programa de ajuda, enquanto os investidores continuaram castigando o país, retirando cada vez mais dinheiro. O pânico dos investidores contagiou o resto da Europa, e os mercados então começaram a duvidar da capacidade de outros países europeus de pagarem suas dívidas. Países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, entre outros, entraram de vez na crise.

Vale ressaltar que Ben Bernanke o presidente do FED na época conseguiu com sua sabedoria administrar a crise de 2008. Ele conhecia profundamente a crise mundial de 1929 e seu trabalho acadêmico tinha sido sobre o Crash de 1929.

O Encilhamento no Brasil

O ministro da Fazenda Rui Barbosa emite moeda para tentar aproveitar o boom tecnológico mundial da época. República recém fundada, iluminação, ferrovias, máquinas a vapor, etc, e ainda incipiente a nossa República fizeram as autoridades a emitir moeda para gerar investimento.
Acabamos com uma inflação recorde e uma crise interna de grande repercussão com quebras de empresas e caos econômico.

Outras crises globais


Um resumo encontrado aqui ilustra bem, clique e leia. Crises financeiras de 1991  2011, mas que não tiveram o impacto global tão forte como as primeiras desta postagem.

período de 1991-2011 presenciou as seguintes crises financeiras:

1992-1993: BLACK WEDNESDAY

Ataques especulativos às moedas do Mecanismo de taxas de câmbio europeu. Esta crise iniciou-se a 16 de setembro de 1992 com a decisão do governo conservador britânico de retirar a libra esterlina do sistema anteriormente mencionado, por não conseguir manter a moeda britânica nos limites exigidos. Isto causou um ataque de especulação quanto ao real valor das moedas do continente (naquela época, o Euro ainda não existia, e os países europeus todos possuíam ainda suas moedas nacionais), totalizando perdas de cerca de 3.4 bilhões de libras.

1994-1995: CRISE ECONÔMICA DO MÉXICO DE 1994

Também conhecida em espanhol como "el horror de diciembre", foi ataque especulativo agravado pela inadimplência do México - esta crise se inicia com a inesperada desvalorização do peso mexicano, em dezembro de 1994. Seu efeito reverberou por toda a economia do cone-sul atingindo o Brasil especialmente, naquilo que ficou conhecido pela imprensa mundial como o "Efeito tequila". Teve que ser contornada a partir de um pacote de assistência ao México, que também acalmaria os investidores internacionais, restaurando a confiança no potencial de investimentos no país.

1997-1998: CRISE FINANCEIRA ASIÁTICA

Desvalorizações e crise bancária em vários países da Ásia. Com esta crise financeira, muito da fama dos "Tigres Asiáticos", de possuírem economias progressistas e sólidas desmoronou. Iniciada na Tailândia, com o colapso da moeda local, o baht, ela se alastrou para mais cinco países, praticamente todos os denominados tigres. Na Indonésia, a crise soou mais forte, chegando a causar distúrbios de rua, a queda do ditador Suharto, e em última análise contribuiu até para a independência de Timor, então ocupada militarmente por aquele país.

1998: CRISE FINANCEIRA RUSSA

desvalorização do rublo e inadimplência da Rússia - Cenário bastante parecido com o do México, onde, uma vez demonstrada a fraqueza da economia de um país, logo se inicia a especulação generalizada. O Brasil em especial sofreu com a crise russa, sendo o episódio onde reconhecidamente as conquistas obtidas com o Plano Real de 1994 quase foram destruídas pela especulação em massa que varreu as economias mundiais naquele momento.

2000: BOLHA "PONTO COM"

A bolha da internet, que alcançou seu auge em março de 2000, foi causada pela rápida valorização das ações de empresas ligadas à internet. Com o tempo, muitos investidores perceberam que o retorno não viria e começaram a vender suas ações, em um efeito manada que derrubou a bolsa de valores Nasdaq.

2000-2001: CRISE TURCA

A Turquia sofre com a rápida corrosão de sua moeda, levando a forte especulação e aumento de preços.

2001-2002: CRISE ECONÔMICA DA ARGENTINA

Quebra do sistema bancário, dando origem a uma carestia de proporções imensas, que evolui para o caos nas ruas das principais cidades. O presidente na época, Fernando De La Rua, é forçado a renunciar, e o país entra em virtual falência, da qual só recentemente se recupera, após abandonar tardiamente o receituário de economia neo-liberal.
Bibliografia:
Financial crisis (em inglês) . Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Financial_crisis . Acesso em: 25 ago. 2011