quinta-feira, agosto 20, 2015

Ecos de agosto na crise institucional - 20/08/2015



A situação ainda está crítica.  No campo institucional e econômico estão todos os atores perdidos, a imprevisibilidade é a marca de agosto.


  1.  No cenário econômico a recessão mostra suas garras, os bons indicadores caem e os maus sobem. Desemprego e inflação, alem da perspectivas de mais recessão em 2016 dominam a cena e apavoram os atores. 
  2. No campo politico, Dilma arrefeceu a onda contraria com a adesão de Renan e de raposas politicas, queimadas com certeza, mas profissionais. Dizem que o governo está terceirizado para Renan. Impeachment? Renúncia? Pouco provável, pelo menos por enquanto, mas não impossível.
  3. O parlamentarismo "branco"tocado por Eduardo Cunha a revelia de Dilma, agora está na mão de Renan Calheiros e Eduardo Cunha [e bombardeado por acusações. É ilusão achar que Eduardo Cunha renúncia, antes serão precisas provas contundentes contra ele, o "batom na cueca"como falam os deputados, por enquanto não apareceu.
  4. A dinâmica continua, TCU, TSE e outros percalços que somados aos problemas econômicos agravam a crise institucional.
  5. No fundo nem governo e nem oposição apresentam um plano concreto para solução da crise econômica e politica. Muita confusão. 
Considerando estes fatos, me fez trazer uma reflexão inspirada no Livro do Paulo Rabello de Castro, O Mito do Estado Grátis quando aborda a transformação da China nos anos 80 com Deng Chiao Ping, o grande mentor da prosperidade e mudança na China.
Aspas: Deng foi um homem de gestão publica eficiente. Ele sabia que só discursos não provocam transformações. É preciso decisões firmes, seguidas de acoes consistentes e, em seguida, calibradas por aferições e revisões sucessivas dos resultados obtidos. Fecho aspas. Pág.  238.
O que foi feito aqui? Nada. Um ajuste fiscal sem consistência, inexequível, aumento de impostos para sacrificar ainda mais a classe produtiva que já pena com a recessão. 
Agora, em medida claramente direcionada ao setor automobilístico, coloca mais crédito fácil e barato afrontando a seriedade e credibilidade do ajuste fiscal que se propõem. 
Medida inócua e temporária não vai resolver nada e mancha a austeridade do ajuste, Mais privilégios a um segmento?
Menos intervenção e mais governo com planos consistentes e credibilidade poderiam animar s investimentos e conter as demissões, já que este é o calo da vez.
Interferir menos e governar mais, assim se faz melhor e este governo com todos os seus erros mostrou o pior. Intervenção desastrada e falta de ajustes e correções do rumo.
Um plano de metas de médio e longo prazo deveriam ser colocados na pauta.
nem a oposição consegue isso e Renan, o "primeiro ministro"atual coloca uma "espuma"como disse corretamente Eduardo Cunha.  
Vamos afundando, sem rumo, sem propostas concretas.
Gente esperando o quanto pior melhor, mas esquecendo que todos pagamos a conta.
Sinceramente espero sair desta imprevisibilidade. Isso para tudo, abala as instituições e só traz incerteza e problemas que distanciam a solução.
Uma pessoa sensata e realista, sem emoção e paixão politica vai querer dormir agora e acordar mais na frente, quando tudo estiver mais claro.
Enquanto isso a conta fica mais salgada.

sábado, agosto 15, 2015

A manifestação do dia 16/08 e os rumos do Brasil



A crise do Brasil continua. Não vê quem não quer ou quem não tem interesse em ver. A economia está de mal a pior, chegamos a ponta do sistema. Os indicadores são péssimos e as projeções piores.
Parte da população, ou melhor, a maior parte está indignada e já sentindo o efeito da crise.
Existe uma outra crise, a existencial, de muitos eleitores do PT e Dilma que agora se sentem enganados. Ir a rua amanhã? Eu vou, cumprir meu papel de cidadão, mas não podemos esperar muito.
Esta manifestação, infelizmente, não será divisor de águas da política nacional.
A cada reação corresponde a uma reação em sentido contrário (Física). Na política também é assim.
O governo e o "status quo" reagiu. Não vamos julgar os personagens da reação e nem os interesses deles, mas houve a reação e foi competente.
Esta coisa de impeachment é uma grande ilusão coletiva. Não é fácil, simples e sempre será traumático. Não dá para comparar a situação de Collor com a de hoje. São épocas distintas, personagens diferentes e contexto novo. A dinâmica da política não permite isso.
Dilma reverteu vários percalços que tinha. TCU, TSE, e mesmo na base com a reação que foi positiva para ela. Quem ganhou ou quem perdeu? Não sei, o país continua em crise institucional e econômica.
Algo precisa ser feito. O rumo não existe, nem a aposição apresenta algo de concreto e factível,
Criticar é fácil. Apresentar solução e proposta nem tanto.
O impeachment é um sonho de muitos. Sinceramente não sei se é a melhor opção. Quem ganha com isso? E a qual seriam os próximos passos? Tenho minhas convicções hoje para dizer que o impeachment é uma das piores saídas para o Brasil. A renúncia dela com certeza seria, mas é pouco provável, quase impossível.
Renúncia? Pouco provável. O que sobraria para estancarmos a hemorragia da crise? A figura ilustra bem. Eles já reagiram, a tropa de choque está em campo, só profissional, do bem ou do mal, deixemos para lá. Os custos e os conchavos desta reação nunca saberemos, mas não devem ter sido republicanos, eu acho.
Não importa agora. O Brasil precisa retomar o rumo e estancar a crise. Porque digo isso? Porque a crise institucional contamina a economia que acaba contaminando a crise política. É ciclo vicioso perverso e todos pagamos por isso.
Amanhã teremos um movimento. Deve ser relevante. Nós lavaremos nossa alma e vamos exercer a cidadania, mas não muda o congresso e nem sei se ele quer mudar. Para atingir 2/3 de votos não é fácil, é mudar a constituição. Hoje, independente das questões jurídicas, o impeachment estaria na berlinda, não sei se 2/3 do congresso votaria pró impeachment, e além disso a reação do governo é avassaladora, já começou. 
Uma análise fria de quem seria o maior beneficiário do impeachment dá para ter uma noção do ânimo da classe política. O medo de convulsão social é outro temor, errado, porque estes marginais de movimentos , ditos sociais, não podem pautar o Brasil.
Vamos aguardar os próximos lances. Antes, acreditava no processo de impeachment (mesmo sem eu ser a favor), hoje tenho minhas dúvidas se ele vai prosperar. A CD só vai pautar esta questão se existir o mínimo de chance de passar, e não será fácil. Sonhar é parte da vida, protestar e se indignar da vida política. Vamos fazer os dois, sempre pensando que ainda não vimos um projeto de futuro para o Brasil.
O triste é ver que o Brasil afunda e a conta chegou. A aventura populista, como não poderia ser diferente, vai fazer estragos aqui. Não conto nem com os que se enriqueceram com o "discurso da justiça social", que no fundo, todos nós queremos.

quinta-feira, agosto 06, 2015

Agosto de 2015- Ecos da crise institucional- A história se repete?

Resultado de imagem para explosão

Agosto no Brasil é marcado por vários episódios da vida política do Brasil. Muitos consideram mau agouro, mas a vida segue. Coincidência ou não, estamos vivendo mais um mês de agosto com sinais de que teremos muitas turbulências.
Escrevi outro dia no FB: A dinâmica da política não permite que fatos sejam repetidos de forma idêntica e com os mesmos efeitos, até porque os personagens mudam. Entretanto é possível fazer analogias. Digo isso porque na crise que estamos vivendo vai ter um episódio que pode ser análogo a crise de 93 que tirou Collor do poder.

Collor foi a TV e conclamou o povo para vestir verde e amarelo e mostrar apoio ao seu governo. O povo foi para rua de preto e colocou lenha na fogueira do Impeachment.
 

Escrevi isso quando foi anunciado o programa que o PT fará na TV, exatamente hoje dia 06/08. Segundo conversas o conteúdo deste programa será uma comparação entre os anos do PT e a era FHC. Sem entrar no mérito, é um tremendo sofisma e desonestidade intelectual comparar governos sem traçar as referências de comparação. Com todo respeito aos acertos do PT ( e foram muitos), eles erraram muito mais, a conta esta ai e todos pagaremos. Apesar dos erros crassos cometidos na economia o Brasil avançou. Diria que poderíamos ir mais surfando na onda da prosperidade global do inicio do século XXI -2000 a 2010, tirando 2008 e 2009 que tivemos a crise.

O cenário hoje é apavorante, nunca fui alarmista, mas coloquei a imagem de uma explosão porque estamos vivendo uma crise institucional e econômica sem precedentes.

Projeções econômicas já dão 3% de queda do PIB e inflação de 2 dígitos, isso é configurada uma estagflação, um desastre econômico. Andam culpando "crise mundial", Lava Jato, etc, mas no fundo o que aconteceu foi na verdade erros e equívocos cometidos pelo populismo e politicagem.

Quando o executivo culpa o congresso pela tal "agenda Bomba" ele só acirra os ânimos e complica cada vez mais sua situação. Não existe mais base aliada do governo esta é a verdade.

Neste cenário tudo fica ruim, salário perde poder de compra, desemprego aumenta, arrecadação cai, etc...uma bola negativa vai crescendo retroalimentado as projeções negativas e os efeitos ruins na economia real.

Ontem em Brasília ouvi no congresso de alguns prefeitos a queda brutal na arrecadação via FPM ( Fundo de Participação dos Municípios), para muitas prefeituras a única fonte de renda da cidade.

Só um exemplo, real, sem citar o nome da cidade: Arrecadação prevista e orçada para Julho era de R$ 270 mil, o repasse foi de R$ 70 mil. Dá para imaginar o estrago que isso faz?

Atraso de salários e fornecedores, isso repercute no comércio da cidade que acaba repercutindo em outros segmentos da cadeia produtiva e econômica.

O problema chegou a ponta do sistema. Eu não consigo imaginar o tamanho desta encrenca, mas será grande. A mídia e a população ainda ouve falar aqui e acolá que estamos em crise, muito ainda não sentiram no bolso, mas o "bicho" está chegando.

Pois bem, o reflexo disso, instintivamente por alguns, dolorosamente por outros, com base em informações e conhecimento de outros tantos a popularidade na Dilma despenca e chega a 8% de aceitação. Dados de hoje da pesquisa Datafolha. É a maior taxa de reprovação de um presidente já registrada na série histórica do Datafolha desde 1990. Clique e veja

O quadro político que senti em Brasília:

  1. Pedalas fiscais e a grande probabilidade da rejeição das contas dela pelo TCU dará gancho para abertura de um processo de impeachment. Não podemos ainda afirmar que irá acontecer, mas diria que a chance da instauração deste processo é de 90% hoje. O rito deve se dar pelo plenário e depois começará a correr o processo. Não será Eduardo Cunha somente, será o Congresso e acho que com o apoio de muitos petistas.
  2. A chance deste impeachment passar não pode ser precisa, mas a chance é grande. A aceitação dela pela população, os graves problemas econômicos que demanda uma quebra deste ciclo perverso são mais do que motivações para este desfecho. Diria que é hoje mais do que 60%, sem reconhecer que ela vai lutar, não dá para saber em quanto tempo isso vai acontecer e será uma batalha feroz.
  3. Hoje haverá "panelaço" no programa do PT, mais forte que o anterior com certeza. As pessoas não só da elite (como alguns querem afirmar) já estão sentindo os efeitos da crise.
  4. Dia 16/08 está sendo convocada manifestação pública e este episódio pode ser o divisor de águas para a deflagração definitiva do impeachment.
  5. Não sou a favor de  impeachments, mas chegamos um ponto que o futuro do país e a governabilidade são mais importantes para nosso futuro. Eu hoje digo que com Dilma lá a crise só aumenta e a dor será maior para toda população.
  6. Outras opções ao impeachment seriam um parlamentarismo (acho pouco provável porque hoje já está acontecendo de fato), a renúncia dela? Seria, mas acho neste momento ainda improvável, apesar de que se ela sentir que não tem jeito pode seguir este caminho. Dirá como Jânio Quadros em 1961 que forças ocultas fizeram-na tomar esta decisão. Hoje acho que ela não faria, até pelo seu estilo de "xerifona", mas não seria impossível e aliás, seria bom para o país.
  7. No congresso alguns deputados advogam a convocação de novas eleições, seria a melhor alternativa para o Brasil estancar a hemorragia desta crise econômica e política, mas também acho pouco provável, mas não impossível.
Vamos acompanhando, mas diria que a contagem regressiva para começar o impeachment começou, mas reitero que qualquer previsão de resultado ainda é prematura, mas começando a ficar bem clara. Vamos esperar dia 16 e as próximas ações do Congresso.

sexta-feira, julho 17, 2015

Ecos da crise institucional em julho de 2015, véspera do recesso. E ai?


LENHA NA FOGUEIRA?
Congresso entra em recesso com a bomba do programa institucional da CD, o rompimento de Eduardo Cunha ( não como presidente da CD, mas como deputado) com o governo e mais lenha na fogueira da crise institucional do Brasil, cada vez mais próxima de ser uma das piores da história.
Algumas considerações, "bullets" como dizem os americanos:
  1. Eduardo Cunha é forte e competente, isso ninguém pode negar. Foi acusado e acho que pode existir prova para ele ser condenado ou mesmo processado. Aliás para todos os denunciados é preciso provar a culpa e quem acusa deve mostrar. 
  2. Ele usou a tática: A melhor defesa é o ataque. Partiu pra cima do governo desgastado e impopular. Coincidentemente (ou não) tudo isso coincidiu com o recesso. Não acho que o "panelaço" foi por ele, na verdade foi pela classe política toda, desgastada com tanto escândalo.
  3. A confusão continua e grande. As consequências são imprevisíveis? Acho que existem algumas alternativas para  o que vai ocorrer e já postei aqui. Hoje o mercado aumentou a chance de "impeachment" de Dilma de 20% para 30%. Eu diria que passou de 50%. Pela governabilidade e pelo recrudescimento da crise econômica (infelizmente podem esperar).
  4. A crise econômica se agrava, podemos ter "fratura exposta". Em 23 anos foi o pior ano no fechamento de vagas de postos de trabalho, a recessão é dolorosa e o desemprego é combustível no ciclo vicioso.
  5. Fecha empresas, inadimplência cresce, a recessão já incomoda e projeta ( crescimento negativo de 1,8%, eu acho que pode chegar a 2,5%), a renda cai, a expectativa (negativa agrava a crise) piora, enfim, só nos resta rezar. Isso tudo é combustível na crise econômica.
  6.  Dilma tenta desesperadamente uma agenda positiva, mas ela esta" Lame duck". O discurso e a aprovação da Bolívia no Mercosul corrobora o Foro de São Paulo, aliás mencionado dissimuladamente  como "outros foros". Não sou direita, mas o Foro de São Paulo é real, ditou nosso rumo errado e vamos pagar a conta. Quisera eu, o Brasil ter seguido o Chile, Colômbia (quem diria?) e o México. Lula e Dilma mataram o Mercosul, vide a Aliança do Pacífico e seus membros. A piada dela, Dilma,   exaltar a democracia no Mercosul com o tal Nicolas Maduro que destrói a Venezuela no rastro de Chavez sentado ao seu lado.
  7. Vejo que o recesso do congresso e o arrefecimento da pauta política vai amenizar o clima político incendiado pelo rompimento de Eduardo Cunha que com certeza não foi solitário e nem emocional. Podem apostar que ele tem estratégia e nada aconteceu ao acaso ou na emoção.
V|amos fazer especulações (se fossem previsões estaria operando em "Wall Street" no NYSE.
  1. Vai acontecer alguma coisa no cenário político. Parlamentarismo, Impeachment, eleições, renúncia? Sei lá, mas vai.
  2. A situação econômica preocupa, e muito. Poucos conseguem ver  o que pode acontecer e já está em processo inexorável.
  3.  O segundo semestre será quente e tumultuado. Infelizmente e as consequências são imprevisíveis. Nada de golpe de esquerda ou da direita. Não existe organização (de nenhum grupo) e nem ambiente institucional (apesar da crise) para isso como ocorreu na história em 1930, 1945, 1950, 1954 e 1964. O mundo hoje é outro.
  4.  Pelo que estudei de crises que o Brasil viveu, esta pode ser a maior de todas? Espero que não, mas o tempo dirá e tem grandes chances.
O que eu diria?

Vamos rezar (para quem tem fé) e acreditar que o Brasil é maior do que a classe política e se não temos a resiliência dos Estados Unidos, temos outras virtudes que nos dão um fio de esperança. Ainda bem.

terça-feira, julho 14, 2015

Qual a saída para o Brasil?

Resultado de imagem para saída
Confesso que as informações que tenho recebido sobre a economia são cada vez piores. 2015, 2016 e 2017 com muitos problemas, Se não acertarmos os ajustes necessários, credibilidade e governabilidade, 2018 pode estar perdido também.
Atenção: Não sou do PSDB, minhas criticas, tento fazer de forma construtiva. Sou brasileiro, luto por minha conta própria, não quero ver meu pais no buraco.
Vejo que vivemos uma crise institucional sem precedentes. Minha ultima postagem fala sobre isso, não quero ser redundante e criticar a presidente que não governa e perdeu a rédea do pais em péssimo momento.
E ai? Qual seria a solução? 

Quando vi esta coluna do Ricardo Noblat; Clique e leia e no final vou reproduzir o texto completo, vi que estamos vivendo muitos dilemas. Políticos, porque econômicos a sentença esta dada e me assusta o que tenho ouvido e visto. 

Interessa a oposição a saída de Dilma? Não creio. Imagina a solução mais provável se acontecesse (ou acontecer) um impedimento de Dilma. 
Todos problemas econômicos cairiam no colo de Temer, Eduardo Cunha ou mesmo Aécio (os prováveis presidentes em cada situação que ocorresse).
O que pode acontecer de fato:
  1. Impeachment dela pelo TCU e congresso na rejeição das contas e pedaladas. OBS: Alegam que FHC cometeu algumas pedaladas, mas não foi bem assim. As pedaladas do PT foram mais frequentes e intensas do FHC, mas ambos estão errados e não se justificam.
  2. Congresso aprovar o parlamentarismos como fizeram na crise de 64 com a falta de governabilidade de Jango.
  3. Dilma tem 3 grandes problemas que somados agravam sua situação; Crise econômica, baixíssima popularidade e animosidade no congresso nunca antes vista. Ate seus companheiros ela consegue desagradar.
  4. VOU REPETIR: NÃO QUERO FAZER APOLOGIA A QUEDA DA PRESIDENTE, MAS ESTA PODE SER A SAÍDA PARA QUEBRAR ESTE CICLO PERVERSO QUE ESTAMOS VIVENDO E QUE PODE PIORAR.
  5. A questão agora: Como sairemos da crise politica e econômica?
  6. Com certeza para a oposição seria mais interessante ela ficar. O congresso tem pautado as coisas, ela não governa e todas as mazelas são debitadas na conta dela e do PT. O problema eh que ela sangra, mas todos sangramos juntos.
  7. Um parlamentarismo oficial seria ótimo, acho que pode ser possível, mas improvável. O congresso não vai querer eleições e parece que esta questão envolve referendo (consulta popular). Se houver eleição,mesmo somente para presidente, isso seria muito oneroso para os congressista que não tem como ficar fora da eleição. E para que se vivemos um parlamentarismo de fato?
  8. A solução mais viável ( e com mais chances de acontecer na minha visão) é Temer assumir, Não em nome da politica em si, mas da governabilidade e quebra deste ciclo.
  9. Dia 16/08 estão convocando manifestações. Com inflação e desemprego já batendo os dois dígitos, o governo pode ter uma péssima surpresa e isso sera lenha na fogueira dos problemas de Dilma.
Fica difícil prever o que vai acontecer de fato. A saída dela não é fácil, mas toma corpo a ideia. Não é golpe como querem alguns, é parte do jogo. 

Quero que o Brasil retome seu rumo e os erros cometidos estes anos todos sejam consertados. Simples assim. Apoio qualquer solução para consertar nosso pais.

O artigo do Noblat reproduz bem como andam confusas as coisas e o dilema da oposição. #noblat


Para quê derrubar Dilma?

Ricardo Noblat
Chega de farsa! A oposição não quer derrubar Dilma. Prefere vê-la arrastar-se, exangue, até o último dia do seu mandato. Para quê correr o risco de substituí-la já?
Para dar lugar ao vice do PMDB? Para ser obrigada a fazer com a economia o que Dilma está fazendo – ou coisa pior?
Para que Lula tente se recuperar em paz até a eleição de 2018? A essa altura, Lula torce para que Dilma renuncie. Logo...
Todo o poder a Dilma! Ou melhor: o mínimo de poder a Dilma! E o máximo de desgaste a ser compartilhado por ela com Lula e o PT – os três no “volume morto”, segundo o próprio Lula.
Recente pesquisa do IBOPE constatou que o “lulismo”, hoje, sustenta-se mal e mal nas áreas mais pobres do Nordeste. E mesmo ali está em processo de encolhimento.
Se uma nova eleição presidencial em segundo turno tivesse sido disputada na semana passada por Aécio Neves (PSDB) e Lula, Aécio teria vencido com folga por 48% a 33%.
Perderia para Lula apenas no Nordeste e entre os eleitores de menor renda e escolaridade. Na faixa dos que ganham mais de cinco salários mínimos, Aécio massacraria Lula por 72% a 28%.
Dilma obteve quase dois terços dos votos válidos (descontados os nulos e brancos) nos municípios em que o PT venceu no segundo turno as eleições presidenciais de 2006, 2010 e 2014.
Agora, nesses mesmos lugares, Lula atrairia 52% dos votos contra 48% de Aécio. Um empate técnico, a levar-se em conta a margem de erro da pesquisa que ouviu em todo o país 2.002 eleitores.
Eu sei, você lembra de 2006 quando Lula se reelegeu apesar de baleado pelo escândalo do mensalão. Ao invés de pedir o impeachment dele, a oposição achou melhor deixá-lo sangrar – e deu no que deu.
Compreendo o seu temor. Dizem que a História só se repete como farsa. Não posso garantir. Sei, porém, que 2006 pouco tem a ver com 2015. Ou nada.
Lula é Lula, Dilma, é Dilma. Lula tem carisma e é bom de gogó. Dilma não tem, e quando fala é quase sempre um desastre. Antológica a saudação à mandioca. Bem como à “mulher sapiens”.
Em 2006, Lula era popular, ainda recém-chegado ao poder. Os brasileiros concederam a ele e ao PT um desconto. Foi moleza derrotar o insosso Geraldo Alckmin. Tudo mudou desde então.
Menos de 10% dos brasileiros aprovam o desempenho de Dilma. Ela jamais será esquecida como uma pura invenção de Lula. E também por ter mentido à farta para se reeleger.
A crise econômica potencializou a crise ética que está na raiz da crise política. Essa se agravará caso a Lava Jato culmine com a eventual prisão de Lula. Somente ele sabe o que fez. Para estar com tanto medo... Sei não.
Só sei que pelo menos um partido e um político não têm queixas de Dilma: o PDT de Carlos Lupi e Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do PMDB no Senado.
Depois de apontar o governo Dilma como o mais corrupto da História, Lupi negociou com ele a demissão de Manoel Dias, ministro do Trabalho indicado pelo PDT. Irá trocá-lo por um deputado mais sujeito aos seus caprichos, digamos assim.
Há menos de um mês, Dilma compareceu em Brasília ao casamento da filha de Eunício com Ricardo Fenelon Júnior, advogado há três anos. Uma festança!
Na última segunda-feira, Fenelon acabou presenteado por Dilma com a nomeação para a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil.
O que ele entende do assunto? Nada. E precisa? Basta ser genro de senador aliado de uma presidente débil. Débil no sentido de frágil.



sábado, julho 04, 2015

Projeções econômicas são ainda mais preocupantes. Temos saída?


A situação é grave. Tanto política quanto econômica.
Inflação de 2 dígitos,hoje já está em 9%, mas a real já machuca o bolso de todos, principalmente dos mais pobres. Salário real em queda, desemprego em alta 8% hoje, mas pode chegar a 2 dígitos até o final do ano. Recessão já pode chegar a 2% negativos.
Empresas quebrando, demitindo, esperança diminuindo e isso acaba sendo combustível na própria crise que se alimenta das projeções negativas.
Queria estar errado, quero estar, mas infelizmente não devo estar. Isso era cantado e esperado. O estouro das contas públicas, pedalas e incompetência agravaram o cenário que já estava ruim.
Nem falo em corrupção, mas também afeta nossa imagem e ânimo de investidores externos.

Vamos imaginar alguns cenários, considerando que 2015 já foi, mas ainda devemos ter notícias ruins e piora nos indicadores e 2016 será igual ou pior. A esperança é começar 2017 e em 2018 voltarmos ao rumo correto.

  1. O ajuste não deverá ter o efeito desejado. O caminho é este, conserto das contas públicas, mas com a recessão a arrecadação não se confirma e as despesas ficam como estão, mesmo com cortes, ainda pífios em alguns setores.
  2. Politicamente a presidente está morta, lame duck como dizem os americanos. Isso faltando ainda 3 anos e meio para terminar o seu mandato.
  3. Popularidade dela em 9% ainda vai cair mais. Nem Collor e Sarney em seus piores momentos chegaram a isso, nem Nixon antes de renunciar, ou seja a coisa só deve piorar.
  4. O congresso assume as rédeas e vivemos um parlamentarismo "branco", de fato.
  5. O impeachment dela tem todos elementos para acontecer, apesar de não achar que seria a solução para o Brasil, queima nosso filme.
  6. Começo a imaginar, se confirmadas a crise que pode ser sem precedentes (rezo e espero para não ser) a saída dela pode ser uma forma de reverter o ciclo e acalmar o país.
  7. Oficializar o parlamentarismo vejo pouca chance, porque é complicado e demorado, haveria novas eleições e fere muito interesses. Já estamos no "parlamentarismo de fato".
  8. Com a piora do cenário econômico o impeachment volta a pauta com certeza.
  9. A renúncia dela? Acho pouco provável, mas tudo é possível. Talvez sob ameaça firma de um impeachment e uma articulação forte ela possa sair de lá desta forma. Esta articulação parece em curso, inclusive com a participação do PT.
  10. No caso de impeachment quem assume? Novas eleições? Acho que este cenário é um empecilho para esta situação de impeachment progredir, mas começo a considerar a chance real.
Já disse, não quero ver o caos do Brasil, somos brasileiros. Eles erraram muito, fizeram bobagens e a crise era esperada. Acho que a surpresa é o tamanho dela e a inapetência da presidente para lidar com ela. Infelizmente.
Deixo aqui registrado que começo a enxergar a saída dela, principalmente pelo agravamento da crise econômica. Não é meu desejo, mas a situação começa a criar forma.
Triste.

quinta-feira, julho 02, 2015

Redução da maioridade penal é aprovada na Câmara dos Deputados

Câmara aprova mudança da maioridade penal - Clique e leia



Considerações:

  1. Sou 100% a favor. Ser bandido é opção pessoal. Claro que existem fatores que podem contribuir para esta opção, mas dizer que a bandidagem é culpa da sociedade, da injustiça social, da pobreza ou do desajuste familiar é muita inocência. Se fosse por isso, só teríamos bandidos na rua;
  2. 87% da população quer a mudança na lei;
  3. Bandido é bandido, seja ele maior ou menor, preto ou branco, rico ou pobre;
  4. Se a educação tivesse sido a prioridade neste país hoje não haveria esta batalha contra a impunidade de menores;
  5. A esquerda usa esta bandeira, de não reduzir a idade penal, talvez porque perdeu outras antes defendidas;
  6. A insegurança é geral e isso ajuda a engordar os 87% que querem a mudança;
  7. O ministro da justiça dizer que não podemos reduzir a idade porque não temos presídios é como dizer numa brincadeira de criança: altas vou descer;
  8. O ECA poderia ser mudado, mas nasceu morte e torto;
  9. A sociedade brasileira passa por mudanças, amadurecendo e pagando a conta do flagelo das instituições, crise econômica e política. Infelizmente isso tudo tem responsável, com nome, telefone e endereço. Espero vê-lo preso em breve;
  10. Se o Brasil estivesse crescendo, com prosperidade e emprego e educação de qualidade, nosso país não teria tantos menores infratores.
  11. A ociosidade e a falta de perspectivas futuras são mãe de todos os vícios e de muitos males que causam a sociopatia.

domingo, abril 05, 2015

Crise institucional e nuvens negras no horizonte econômico.


As previsões econômicas estão indo de mal a pior- Clique e leia.
Há muito tempo falei neste quadro aqui. Inflação + Baixo crescimento = Estagflação
Quem quiser ver: Clique e leia Desde 2008 já pairava esta ameaça no ar. Mais uma postagem: Clique e leia

Agora não adianta chorar o leite derramado.
As projeções atuais falam em 2% negativos de crescimento em 2015 e Inflação podendo chegar a 2 dígitos neste ano. Falo isso com muita tristeza, afinal não quero ver o país afundando.
O desemprego vai chegar forte. Se a popularidade de Dilma beira hoje 12%, com rejeição de 78%, podem esperar mais (se for possível) quando o desemprego bater na porta das famílias e tirar o poder de compra do salário e/ou bolsa família e equivalentes.
Quem quiser ler sobre a popularidade em queda, clique aqui.
O desemprego ainda não apresentou seus nefastos efeitos e isso pode atrapalhar ainda mais o governo.

Precisamos encontrar uma saída. Não é golpe de estado, impeachment ou renúncia dela que vão resolver a crise, podem até agravar. Muito improvável, quase impossível que aconteça uma destas alternativas por enquanto.

O governo alterna altos e baixos no tocante a enfrentar os problemas e assumir seus erros. Joaquim Levy tem sido o pilar para seguir adiante e salvar o Brasil dos problemas atuais. Se ele vai conseguir ou não, não podemos dizer ainda. Espero que sim.
Não adianta culpar crise externa, a mídia ou a elite como alguns radicais da esquerda querem fazer, os erros na condução da política econômica do segundo governo Lula e do primeiro de Dilma são responsáveis por tudo.
No primeiro governo Lula as coisas foram bem, elogiei muito a responsabilidade e sensatez de sua equipe econômica que tinha Henrique Meireles à frente. O cenário externo ajudava, como ajudou ainda no segundo mandato dele, apesar da crise de 2008, mas que se recuperou em 2010 quando crescemos 7,5%, excelente, mesmo comparando com 2009 que havia sido um fracasso.
A aposta no consumo e crédito foi correta, mas era esperado que este modelo se esgotaria. O cenário externo ainda muito favorável mascarou os equívocos.
No primeiro governo Dilma, vinhamos bem, com o algumas turbulências externas, mas não que pudesse tirar o sono da equipe econômica.
Aliás se olharmos as crises que tivemos nos anos 90 e 2000, não existe termos de comparação. Quem quiser saber mais sobre as crises mundiais desde os anos 90- As crises mundiais do século XX e XXI e o Brasil Clique e leia.

Estou muito preocupado. As notícias do fechamento de empresas, redução de investimentos e demissões só vão agravar o problema econômico. Mesmo em cenário mundial que começa a se firmar com o crescimento dos EUA, as coisas não vão nos ajudar como nos anos 2000 do governo Lula. Não devem piorar, mas nada de "alavancar".
Além do problema econômico temos séria crise política e institucional. A presidente está fraca, no começo do mandato, parece o final. Impopular, com casos graves de corrupção afetando a credibilidade ainda mais do Brasil, não lhe resta opção a não ser tomar as medidas de conserto do erros.
Aumento de impostos, corte de despesas e investimentos públicos em cenário de baixo crescimento torna ainda mais complicada a missão do Ministro Joaquim Levy, sem falar que não há ferramentas para estancar a impopularidade, " não existe grana" para uma agenda positiva.
A articulação política desastrada é quase uma "desarticulação". Isso é lenha na fogueira dos problemas.

Qual é a saída então? A responsabilidade da presidente em seguir o rumo certo que parece ser este, até porque não existem alternativas.
Politicamente não acredito em impeachment ou renúncia dela, pelo menos por enquanto. Um governo de coalizão com a responsabilidade da oposição seria o ideal, mas não acho que Dilma e seus "articuladores" consigam montar isso.
Parlamentarismo? Já foi a saída para a crise de 1961. Acho que se legalmente esta saída for possível ( houve um plebiscito 1993 e rejeitada a proposta) podemos ter uma luz no final do túnel.
Sei que existem emendas na CD e poderiam ressuscitar uma delas se não houver este impedimento legal por conta do plebiscito de 93.
As nuvens negras vão aumentar, seja no cenário político e econômico. Não que eu queira isso, todos vamos pagar a conta, aliás estamos pagando. Com tristeza tenho que escrever esta postagem, para deixar registrado e mostrar meu desencanto.
Os ganhos sociais já estão indo para o ralo, o ódio existente entre os antagonismos políticos só aumenta, não podemos permitir que isso seja ingrediente negativo nas mudanças que precisamos, mas parece que não há como impedir este embate.
Sou pela conciliação e conversa, não o embate.
Falta isso ao governo, cada vez mais acuado e refém do Congresso Nacional, um parlamentarismo de fato parece estar ocorrendo.
Sei que a nação brasileira é maior do que os políticos e vamos sair desta. Por enquanto nos resta rezar e torcer porque o desfecho desta crise ainda é impressível. Só não vê quem não quer.

sábado, março 14, 2015

JK e os Militares de 64





Sempre achei que JK - Clique e leia não era tão hostilizado pelos militares dos anos 50 e 60. Quando ele ganhou a eleição em 1955 teve problemas e tentativas de golpes, mas resolveu tudo. Achava que a real implicância era com o João Goulart, o Jango, desde os episódios no governo Vargas onde foi ministro do trabalho e causou grande celeuma. Jango como vice de JK , na minha modesta visão, era o causador desta rejeição a JK. A eleição de vice presidente nesta ocasião era desvinculada da de presidente e Jango conseguiu duas vitórias. Uma em 1955 com JK na cabeça de chapa e a outra em 1961 com Jânio Quadros que depois de 7 meses renunciou e acabou criando grave crise institucional, porque os militares não aceitavam Jango. Houve a tentativa de parlamentarismo. Tancredo foi o primeiro ministro (tivemos mais dois: Brochado da Rocha e Hermes Lima). Poucos sabem, mas Jango deu um "golpe" e antecipou o plebiscito que seria em 1965, para 1963. Este plebiscito decidiria a volta ou não do presidencialismo. Jango popular e populista acabou ganhando e ,óbvio, tinha seus interesses para volta ao poder pleno. Acabou em mais crise política e institucional e com graves prolemas econômicos e ameaça de golpe da esquerda (estávamos no auge da guerra fria), os militares deram o contra golpe de 1964.
O grupo de JK era o PSD, base forte em MG. Ele tinha seu grupo com grande força e excelentes quadros. Meu pai era um deles, o que muito me orgulha. 
Em 1965 Israel Pinheiro ganhou o governo de Minas Gerais e este grupo acabou se dividindo, mas não sem deixar de lutar pela democracia e os ideais das Alterosas.
Quando JK foi cassado, parte deste grupo seguiu o mesmo rumo. Meu pai fez um belo discurso chamado Protesto de uma Geração e quase foi junto. Como era do grupo de Israel conseguiu se salvar.
Uma grande ironia é que JK promoveu a General de Exército dois grandes protagonistas da Revolução de 1964: Generais Olímpio Mourão Filho e Castelo Branco que acabou assinando a cassação dele em 64. JK era senador eleito por Goias em 61 por uma grande e genial artimanha política. JK já tinha lançado o JK 65, campanha que pretendia a volta dele a presidência.
Aliás JK foi , senão o melhor, um dos melhores presidentes que tivemos, com prosperidade, justiça social, desenvolvimento e liberdade.
Se quiserem saber mais sobre JK, de forma sumária e interessante, leiam o livro " O essencial de JK" de Ronaldo Costa Couto. Excelente. Clique e veja

Na verdade esta postagem é mais para divulgar um fato e documentado que me esclareceu a desavença que os militares tinham com JK. Eu achava que era por causa de Jango, que em parte a ligação deles aumentava esta desavença, mas os militares temiam JK, com certeza os da linha dura.
Tenho quase certeza que Castelo Branco, que não conseguiu enfrentar a linha dura de Costa e Silva, deve ter ficado muito incomodado quando assinou o ato que cassou JK em junho de 1964.

A ironia do destino fica por conta que um integrante do grupo de JK, Tancredo Neves, foi o grande artífice e articulador que derrubou a Revolução de 1964 em 1985 quando ganhou de Maluf no colégio eleitoral. 
Concluindo e saindo do passado para o presente, posso garantir que estamos vivendo grave crise institucional e política, agravada pelos problemas econômicos. Não dá para comparar com outras crises que tivemos, mas fazer uma analogia é possível.
O congresso atual está muito desgastado, mas o parlamentarismo poderia ser uma tentativa de arrefecer esta grave crise em que estamos metidos. 
Uma coisa eu garanto, algo precisa ser feito e mudanças profundas devem acontecer nos rumos do Brasil. espero que seja sem traumas.

Vamos voltar ao grupo político de JK. Vejam que interessante esta matéria.

Brasília – Oito anos depois de deixar o governo, o ex-presidente Juscelino Kubitschek ainda era motivo de preocupação dos militares que assumiram o poder pelo golpe de 1964. Documentos produzidos pelos serviços de informação em 1969 mostram o temor que o regime tinha de JK, principalmente de ele voltar à vida política em Minas Gerais. Um deles, da Segunda Seção do I Exército, analisa a situação do estado e conclui que seria necessário dissolver a corrente do ex-presidente, avaliando que isso seria uma questão de “sobrevivência para a revolução de 64”. O relatório sugere também que outras pessoas ligadas a Juscelino, como Tancredo Neves e Israel Pinheiro, tivessem seus direitos cassados.

Com 11 páginas, o documento intitulado Situação político-social de Minas Gerais teve uma difusão restrita e somente circulou no Serviço Nacional de Informações (SNI), Centro de Informações do Exército (CIE) e Comissão Geral de Investigações (CGI). O relatório foi produzido em Juiz de Fora em 8 de maio de 1969 e foi encaminhado para o comando do I Exército — que provavelmente o solicitara — pelo general Itiberê Gouvêa do Amaral, que chefiava o quartel-geral regional na cidade mineira. Na introdução, os militares afirmam que todas as informações que constavam no dossiê foram adquiridas com funcionários públicos federais e do próprio governo, inclusive secretários de Educação, Segurança e Finanças.

Na análise da situação política, os militares mostram claramente que havia uma rejeição ao governador Israel Pinheiro, que fora eleito depois do golpe militar de 1964. Ele é apontado como um “partidário ferrenho” de Juscelino, que teria indicado políticos para atuar na administração e também comandar a Assembleia Legislativa. “A corrente política do sr. Juscelino Kubitschek está cada vez mais fortalecida. Tão fortalecida está que, no momento, o seu desfacelamento torna-se, sem dúvida alguma, uma questão de sobrevivência para a revolução de 64”, observa o araponga em seu relatório.

Adiante, o documento sugere ao comando do I Exército algumas providências, como uma intervenção federal em Minas, recesso na Assembleia Legislativa e o controle sobre as secretarias, sobretudo as de Segurança e de Finanças. Porém, as ações não ficariam nas questões administrativas, mas também em outros campos. “Complementando qualquer das linhas de ação, necessário e imprescindível se torna a eliminação política, através de cassação de direitos políticos e mandatos eletivos, de elementos reconhecidamente inimigos da revolução de 64 ou mesmo daqueles que, por suas simples ligações políticas, desprestigiam a ação desse movimento, enfraquecendo-o”, destaca o serviço de informações no relatório.

Mobilização

Os militares se referiam claramente a Juscelino, a quem temiam, como eles próprios admitiram. “Entres estes últimos (os grupos políticos), já por uma questão de sobrevivência, é necessário que, desde logo, se apontem nomes ligados a Juscelino Kubitschek, personalidade que ainda pode realmente convulcionar politicamente o estado e que efetivamente congrega politicamente força eleitoral considerável, mas nunca temível. São eles: Tancredo Neves, Renato Azeredo, Hugo Aguiar, Ozanan Coelho, Murilo Badaró, Israel Pinheiro Filho, Crispim Jacques Bias Forte, na área federal; Pio Canedo, Manoel Costa, Delson Scarano, João Navarro, Orlando Andrade e Jairo Magalhães, na estadual”, recomenda o documento.

O relatório feito pela Segunda Seção, que é o serviço reservado do Exército, ainda recomenda que as ações contra a corrente de Juscelino não devam ser pontuadas. “Na conjuntura atual, mais válida e necessária se torna a ofensiva sobre o grupo e seu significado do que a preocupação de atingir somente os elementos isolados”, observa o araponga no relatório encaminhado a seu superior. “Ou se destrói o grupo de possibilidade germinadora ou ele crescerá e abafará, liquidando o esforço até então dispensado no sentido de moralização político-social do estado e mesmo da nação”, encerrou o oficial.


sábado, fevereiro 28, 2015

Tecnologia é ameaça a privacidade?



É inegável que estamos vivendo um maravilhoso mundo da informação em tempo real e interação entre as pessoas de forma nunca imaginada.
A internet quando veio nos anos 90 serviu a um monte de coisas, proporcionou progressos enormes e com o advento das redes sociais (nem vou citar porque são centenas, muito além de Facebook e Whatsupp e Twiter só falando das mais conhecidas).
Fantástico, viciante, mas já paramos para pensar onde podem estar os inconvenientes desta maravilha?
Claro que tudo é via de mão dupla, um monte de coisas boas vieram com os avanços tecnológicos, com a sociedade da informação e a era do conhecimento, mas o que pode ter de ruim nisso?
Vamos lá fazer uma reflexão, uma não duas:

  1. Quem leu o livro 1984 de George Orwell (clique e saiba mais) sabe que o livro se passa em uma sociedade totalitária dominada pelo estado onde todos são vigiados, o Grande Irmão. O livro é ótimo e poderíamos dizer que o mundo que ele previu nos anos 50, acontece hoje na Coréia do Norte. Outro livro dele, aliás, e falando da Coréia do Norte é A revolução dos Bichos. Recomendo a leitura dos dois. Mas vamos lá: Vocês já repararam que parece que com a internet e acesso as redes sociais estamos em constante processo de vigilância pelo sistema? Não falo nem o WeekLeaks de Snodew que denunciou uma forma de espionagem americana via e-mail e internet. 
  2.  Falo de nós mortais que somos analisados pelas nossas buscas e preferências via algum tipo de software que interage o maravilhoso instrumento de busca Google (outra maravilha desta revolução) com nossas preferências. Repare bem como as propagandas nos sites e redes que frequenta estão relacionadas as buscas e preferências de suas pesquisas e curiosidade.
  3. Não que deve ter algum "Big Brother" nos vigiando, mas uma integração de softwares nos coloca sob monitoramento constante destes programas. Sim, vivemos vigiados e isso pode suscitar a violação de nossa privacidade? Vale pensar. Até que ponto isso é bom ou ruim?
  4. Outro ponto que nunca tinha atinado e vendo um debate na CBN entre psicólogos veio a dúvida que me fez pensar: Será que as crianças não estão precocemente indo para os processos tecnológicos (tablets, smartphones, etc.)? É comum, e cada vez mais, assistirmos crianças de menos de uma ano "brincando" com estas maravilhas que temos hoje.
  5. Até que ponto isso não prejudica o desenvolvimento de outras atividades de uma criança, mesmo que fisicamente?
  6. Não que eu seja contra esta precocidade de acesso as inovações tecnológicas. Sempre disse que isso é processo e não projeto, mas os pais podem de certa maneira controlar algum tipo de excesso que pode existir.
  7. Com certeza desenvolver as crianças via a tecnologia trará frutos, mas em detrimento de que tipo de desenvolvimento destas crianças?
  8. O ser humano cresce física e mentalmente e tem etapas para diversos desenvolvimentos de aptidões e características próprias, ficar centrado em uma só será saudável?
Na verdade seria impossível dosar estes processos inerentes ao desenvolvimento e que só temos que agradecer por existirem, mas a reflexão sobre que estas maravilhas podem causar danos ao ser humano vale pena. 
Aqui coloco estes dois pontos, mas pode haver mais.
Como sempre digo, em tudo na vida, a virtude estará no meio. Qualquer exagero, para mais ou menos é ruim e vai ser prejudicial a alguém em determinado momento.
A nossa privacidade está em risco? Pode ser, se fizeram isso, podem fazer mais e o WeekLeaks que o diga.
Criar crianças que se transformem em mini adultos será bom, ou vale deixar que o desenvolvimento venha de forma natural e as ferramentas sejam canais virtuosos e não de ameaça a este desenvolvimento?
Ficam aqui estes pontos para reflexão.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

O verdadeiro inventor do socialismo - Henry Ford

                                           

O homem que inventou o verdadeiro socialismo- Henry Ford

Qualquer estudante de curso superior que teve aula de  administração, ou princípios da administração já ouviu falar de Fayal e Ford.  Henri Fayal- Clique e leia.  No inicio do século XX foram responsáveis pela organização da produção em série e administração de processos industriais. Eu não sabia que Henry Ford era também o inventor do socialismo, isso mesmo, me deixa explicar. Henry Ford- Clique e leia.

Karl Marx, o filósofo alemão que foi o pai do comunismo, e considerado por alguns o pai do socialismo cientifico junto com Engels. Clique e leia
Conceitos como,  a mais valia , revolução do proletariado, luta de classe, etc. foram importantes naquele momento em que a revolução industrial estava começando com grande força. Eram inegáveis os abusos dos patrões com os empregados, não havia regras ou padrões  que regulassem estas relações. Marx e Engels conseguiram enumerar uma série de conceitos (alguns falam de 21 conceitos básicos) e que foram importantes sem dúvida, mas naquele momento que deu consciência a sociedade e podemos dizer que foi um começo das relações que buscam a justiça social e a dignidade do trabalhador, principalmente naquele momento em plena e selvagem revolução industrial que trazia enormes benefícios à humanidade.
Marx teve seu papel, mas muitos conceitos apropriados para a época, ainda são usados por oníricos desejos de fazer justiça social. Todos a queremos, a questão é como se atinge. Nenhum ser humano com o mínimo de formação e caráter vai querer ver a pobreza e a injustiça social, mas entre o desejo e o resultado há muitas coisas.

A dignidade e a justiça social só são conquistadas com liberdade, oportunidade, emprego decente com potencial de ascensão social e econômica.  A meritocracia deveria ser a base para esta ascensão e não “bens intencionados” políticos que usam um legítimo discurso, mas que ainda a natureza e a ciência não mostraram as ferramentas necessárias para se conseguir a “igualdade” das classes sociais.
Pois bem, pode ter sido um capitalista americano, inventor do verdadeiro automóvel de massa, talvez um dos responsáveis por uma grande revolução da humanidade, a mobilidade humana de forma mais rápida nas cidades, nos meios rurais e entre cidades e estados.

Lendo o livro “Ford – O homem que transformou o consumo e inventou a era moderna”, de Richard Snow, posso garantir a vocês que ele teve seu papel como além da produção em série e escala e do automóvel ele inventou o verdadeiro socialismo.
Henry Ford e seus fieis e escudeiros James Couzens , que foi sócio da Ford – Clique e leia, e Charles Sorensen, Clique e leia,  revolucionaram e impulsionaram a indústria americana com uma ação revolucionária e inédita.

A pujante e crescente indústria americana do início do século XX, idos de 1900 tinha a base em Detroit, Michigan, mas já crescia em outros estados americanos e na Europa.
Em 1914, quando a média salarial era de US$ 2,34 dia , Henry Ford resolveu aumentar seus empregos passando a US$ 5,00, dia.

Outros industriais ficaram revoltados, pessoas de todos estados foram para Detroit se empregar na Ford, houve tumulto na porta da fábrica, desconfiança se ele levaria avante ou mesmo conseguiria sustentabilidade comercial para tal.
Henry Ford já havia enfrentado "patentes" e carteis, era um lutador e convicto nas suas ações, ousado quando necessário e prudente quando recomendado.
Henry Ford tinha o pensamento único e verdadeiro de que a renda move a economia, emprego e renda são os combustíveis da máquina econômica. Quanto ela mais gira, mais oportunidade e emprego gera.
Seu pensamento era simples. Queria que seus empregados comprassem seus carros, o famoso Ford T, modelo de automóvel que massificou a indústria.
Sua ação corajosa e contestada acabou virando padrão e deu um grande “boom” na economia americana.

Um historiador francês de nome Padre R. L. Bruckberger resumiu a atitude de  Henry Ford em 1959:
“ O que Henry Ford fez em 1914 elevando o salário para US$ 5,00 por dia contribuiu muito mais para a emancipação dos trabalhadores do que a revolução de 1917 ( A Bolchevique- Clique e leia) , ele conseguiu tirar o trabalhadoress da classe do proletariado, da qual Marx a relegara, para a classe de um consumidor em potencial”.

A justiça social e a dignidade da classe trabalhadora só virão com liberdade e geração de riqueza.
Este é o verdadeiro socialismo.
Ford tinha uma máxima: Eu me recuso a reconhecer que existam impossibilidades.
Henry Ford ainda tinha nas suas indústrias, assistência psicológica, social e foi o precursor do que poderíamos chamar hoje de “recursos humanos” na indústria.
Ele temia que com muito dinheiro no bolso, famílias se desagregassem por conta de vícios e bebidas. Ele tinha além de visão um ótimo coração, altruísta, por mais que muito os enxergassem como um “capitalista selvagem”.
A indústria americana acabou seguindo os passos de Ford. O trabalhador é antes de tudo um consumidor, quanto mais ele ganhar, mais vai gastar em consumo e movimentar a  indústria, a lógica perfeita do capitalismo e que deveria servir ao socialismo.
Geração de riqueza,  de emprego, empregos decentes e dignos, direitos assistenciais básicos, oportunidade de crescimento profissional, evolução econômica e social. Estes são os ingredientes da verdadeira justiça social.
Henry Ford visionário nos negócios, foi visionário nas relações humanas entre patrões e empregados, foi um revolucionário do século XX e ajustou muitas desigualdades da revolução industrial. Karl Marx teve seu papel naquele momento, mas a história do capitalismo e do socialismo mostra uma realidade cruel. Os resultados de uma ideologia e da outra.
Capitalismo é processo, socialismo é projeto. Um tem as forças naturais como motor, outro tem a mão do homem, um deixou um rastro de riqueza, outro deixou um rastro de sangue e despotismo. A história é prodiga em experiências de um e outro regime.
A grande virtude do capitalismo, entretanto, será sempre estar atenta a injustiça, elas precisam ser atacadas, mas as receitas existem na humanidade com muitos exemplos, o que deu certo e o que não deu.

Não são somente com boas intenções que consertaremos as injustiças mundanas, precisamos seriedade, criatividade e competência, e sempre lembrando que a meritocracia é o processo de seleção natural mais legítimo que existe. 

sábado, dezembro 27, 2014

Comparação 2014 e 2015 e as projeções para 2015.

O que projetamos para 2014 e algumas projeções para 2015.
Vamos ver o que aconteceu de verdade em 2014 e confirmar ou não as projeções para 2015 para fazermos o que sempre fazemos no final de ano.

Projeções feitas para 2014:

IGPM 8,4%
IPCA  6,2%
Câmbio US$=R$ 2,60
Selic: 10,25%
PIB: 2%
Produção Industrial: 2,1%
Balança Comercial: US$ 13 bilhões
Desemprego 5,7%

O que aconteceu de fato:

IGPM 3,78%
IPCA  6,38%
Câmbio US$=R$ 2,65
Selic: 11,50%
PIB: 0,13%
Produção Industrial: -2,5%
Balança Comercial: US$ 1 1,8
Desemprego 4,8%

Erro feio para o PIB, a Selic e a Produção industrial que acabaram por influenciar outros indicadores como o IGPM que caiu muito e o desemprego que continua baixo apesar do baixo crescimento.

E para 2015?

IGPM 5,72%
IPCA  6,54%
Câmbio US$=R$ 2,75
Selic: 12,50%
PIB: 0,55%
Produção Industrial: 1,1%
Balança Comercial: US$ 4,8 bilhões
Desemprego 6,5% ( este é por minha conta)

Podemos inferir e concluir que 2015 será um ano pior do que 2014. Fora os EUA (o que ajuda muito) estar bombando, isso trará reflexos no câmbio e pode nos atrapalhar.
O preço baixo do petróleo ajuda o mundo em geral, mas aqui foi tiro no pé do pré sal e pode afetar muito nossa combalida economia.
Vamos acompanhar.
Meus receios para 2015:

  1. O ministro Joaquim Levy não aguente a mulher muito tempo
  2. O PT não consegue cortar despesas e precisamos de ajustes
  3. Haverá aumento de impostos, quais? CIDE, CPMF ou outra sigla que vai aumentar nossa sopa de letrinhas já com 92 tipos de tributos de toda ordem.
  4. Crise política institucional, dependendo do que aparecer no caso Petrobrás e agravada pelo baixo desempenho de nossa economia. Nuvens negras vão rondar em Brasília.
  5. O setor elétrico pode passar por problemas mais graves como um racionamento, e a conta deve ficar muito mais salgada.
Vamos torcer pelo Brasil. Antes de críticos somos brasileiros.

Quem se interessar, esta aqui a publicação do último Boletim Focus de 2014- Clique e leia

Vou colocar em vermelho o que acertei e alertei e que os indicadores foram confirmados.

Projeções para 2014 e 2015:

Comentários meus:
  1. Inflação continua ameaçando e crescimento ainda é baixo, vi projeções do nosso PIB que variam de 1,5% a 2,5%, inclusive o FMI fala em 2,5%, o menor dos países emergentes. Meu palpite, apesar de ser ainda cedo, é algo em torno de 2%, repete este ano. A copa do mundo não vai garantir crescimento do PIB, anotem ai.
  2. O FMI projeto 3,9% o crescimento mundial, 3,7% e, 2014 e 3,9% em 2015. MELHORANDO.
  3. EUA cresceu 1,7% e, 2013, projeta-se 2,5% e, 2014. Lá inflação baixa, desemprego em queda e deficit fiscal em baixa. VÃO BOMBAR, já havia falado isso aqui no começo deste ano.
  4. EUA bombando diminui a compra de ativos, isso pode interferir no nosso câmbio, aliás no mundo todo. A locomotiva segue firme e os países devem fazer seu dever de casa.
  5. China cresce 7,6% em 2013 e projeta-se 7,7% em 2014 e 8,2% em 2015. Inflação lá ainda em alta, mas administrada. Mudanças políticas importantes que fazem a máquina acelerar. Vão bombar.
  6. Na UE também as perspectivas são ótimas. Crescimento de 0,4% em 2013, projeção de 1,2% em 2014 e 1,7% e, 2015. Inflação baixa e ainda alguns riscos para os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia (o pior deles) e Espanha. Inflação baixa, estabilidade financeira melhorando e deficit fiscal melhorando também.
  7. Análise fria: Não tem como ficar mais claro que estamos na contramão do mundo. Conjuntura mundial favorável já perdemos nos anos 2000 com Lula e seu messianismo, Dilma precisa acordar, o problema só deve agravar se não forem tomadas medidas.
  8. Vamos ao caso do Brasil:
  • Devido a melhora mundial pelo crescimento de todos e a locomotiva em pleno vapor e ao nosso câmbio melhor vamos reduzir o déficit no Balanço de Pagamentos de US$ 81 bilhões em 2013 (3,7% do PIB) para projeção de US$ 72 bi em 2014 (3,4% do PIB)  e US$ 79 bi em 2015 (3,7% do PIB).
  • Na balança comercial  espera-se saldo positivo de US$ 13 bi em 2014 e US$ 20 bi em 2015 exatamente pelo ambiente mundial favorável e o cambio favorecido.Ou seja aumento das exportações com certeza. Importamos 30% da China e EUA e devemos manter estes números.
  • Investimento externo em 2013 foi de US$ 63 bilhões, deve cair para US$ 55 bi em 2014 e US$ 60 em 2015 - Devemos perder recursos de fora pela falta de credibilidade no país (mudança de regras, déficit fiscal alto e incertezas).
  • Reservas se mantém boas na ordem de US$ 375 bilhões podendo chegar a US$ 380 em 2015 mesmo com a "administração" do câmbio pelo BC. Definitivamente este não é nosso calcanhar de Aquiles e nunca foi na verdade fora do discurso político.
  • Com relação ao PIB podemos inferir (baseado nas informações que estamos estudando e com quase certeza devem se confirmar):
  1. Agronegócio que sustentou nosso PIB em 2012 e 2013 deve piorar- Parte pela infraestrutura e pelos custos Brasil, não obstante a melhora mundial.
  2. Inflação com viés de forte alta. Alimentos em alta (pela expansão mundial e concorrência interna), fim de desonerações, aumento do salário mínimo de 6,85% (acima da produtividade). Preços administrados teve alta de 1,5% em 2013 (segurou a inflação em 6%), para 2014 a projeção é de 4,3%, ou seja inflação represada e perigosa.
  3. Energia com sérios problemas. Pela mexida no marco, pela discussão das concessões das distribuidoras, pela uso das UTEs( Usinas Térmicas) e pelo preço do PLD (mercado spot) com viés de forte alta.  O preço baixo foi um pouco "forçado", o mercado reage agora, somando-se a isso o baixo nível dos reservatório. Chove muito, mas no lugar errado, ainda tem janeiro (e já aconteceu antes) para normalizar, mas senão, as UTEs vão rodar forte e vão encarecer muito a conta de energia, a não ser que o governo faça alguma "mágica", mas correndo o risco de arrebentar ainda mais nossa credibilidade com investidores.
  4. Nossos indicadores não estão bons, alguns péssimos, dentre os emergentes podemos dizer que somos os piores em 2013 e seremos em 2014 e 2015. TOMARA QUE EU ESTEJA ERRADO.
  5. Nosso deficit nominal (Receitas - despesas) em 2013 foi 3,3% do PIB. Em 2014 deve ser de 4,3% (maior desde 2003) e 3,7% em 2015. ISSO É GRAVE.
  6. Divida total de 34,5% do PIB em 2013, projeção de 34,5% em 2014 e 35% em 2015. Dívida não é ruim se temos como administrar.  Nos países ricos a dívida chega a 100% ou mais do PIB, mas eles têm equilíbrio fiscal e perspectivas de pagamento. Dai os juros são baixos e a dívida administrável. Aqui por conta disso, deterioração do déficit fiscal (gasta mais que arrecada e vai no mercado buscar) nossa imagem vai decaindo, o risco soberano (das agências de riscos) deve piorar e entramos no ciclo vicioso que só corrobora os maus presságios para 2014 e 2015.
  7. Ainda falando em Déficit , a arrecadação deve aumentar (pelo cenário mundial) mesmo com a volta das desonerações (que em contrapartida pressionam a inflação). LOAS A ELES, NOSSA CARGA TRIBUTÁRIA DEVE BATER 40% PIB. QUALQUER DESONERAÇÃO É BEM VINDA. Já falaram em Belindia (Mistura de Bélgica e Índia) hoje somos o INGANA- Impostos da Inglaterra e serviços de Gana.
  8. Os gastos públicos em expansão são o maior problema do Brasil. Da despesa total, 80% é com salários, benefícios previdenciários e transferências, sendo que 32% é na seguridade, 18,9% com pessoa, 18,4% transferências aos estados  e municípios (muito pouco e por isso a tese do pacto federativo de Aécio tem forte apelo junto a prefeitos). Investimentos, pasmem, são só 4,8%.
  9. Por conta do déficit fiscal e altas despesas (gasta mais do que arrecada) nosso endividamento é alto, não deve cair e depende da Selic , juros que combatem a inflação, mas remuneração da grana que o governo levanta para rolar suas dividas. No ambiente de alta da Selic (por conta da inflação) só podemos concluir que nosso endividamento só deve aumentar. 
  10. Estamos em sérios riscos. Dilma é favorita para ganhar a eleição, meu medo é que o problema se agrave para ela em 2014 e 2015 principalmente. Seja quem for, é preciso ajustes, sérios e responsáveis na condução da política econômica do governo. O modelo esgotou. O Brasil já funcionou e hoje não funciona mais, cria a ilusão de que tudo pode estar bem. O discurso (esperto e oportunista) da distribuição de renda e redução da miséria traz a conta para ser paga, esta ai.
    Se nos comparam com pares nossos, os emergentes, estamos em flagrante desvantagem nos indicadores, não é ilação minha, são dados que podem ser vistos aqui e em diversas publicações.
    Nossa saúde é um caos, nossa infraestrutura também, nossa educação perde feio no ranking mundial e o que me dói é que:

    ESTA NAÇÃO JÁ FUNCIONOU UM DIA.

domingo, dezembro 07, 2014

O cenário energético em 2015 e 2016.


O mundo ainda é movido pelo petróleo, mas isso vem mudando e desde a década de 70 as mudanças estão aceleradas. 
Algumas considerações e projeções para o petróleo:

  1. O petróleo não  vai acabar, mas os preços despencam, a oferta cresce e cai a demanda fortalecendo esta tendência.
  2. Os EUA consomem 25% do óleo mundial e é o maior importador até aqui,vai virar exportador pelo xisto- Clique e leia- Independência energética dos EUA tem potencial para mudar o mundo.
  3. Os maiores produtores não seguiram a OPEP para segurar a oferta e não deixar o preço cair. Os países fora, grandes produtores por vários motivos não puderam acompanhar também. México porque precisa expandir,Venezuela porque vive sua crise apesar de ser um dos cinco maiores. Hugo Chávez fez sua lambança com o preço alto do petróleo e agora paga a conta da lambança e do baixo preço. Rússia em crise precisa produzir principalmente depois da aventura expansionista na Ucrânia e os EUA,vão se tornar independentes com a tecnologia da exploração do xisto.
  4. O nosso Pré Sal naufraga, olhe o que escrevi em 2013,mas bem atual: Clique e leia: Reflexões sobre o Pré Sal. Quanto menor o preço, pior para o Pré Sal.
  5. A Petrobrás enfrenta problemas sérios. Além da falta da credibilidade, problemas com a justiça americana, falta de caixa, deve perder o "investment grade". Isso quer dizer custos mais altos para rolar sua bilionária divida de US$ 200 bilhões estimados, sendo 80% em US$ e 10% em EU. O câmbio deve ainda complicar a vida da Petrobras. Não se assustem se houver uma "divestiture" ( divisão em várias) ou mesmo um "default" negociado,o que vai ainda atrapalhar mais. Resumindo: Trapalhadas e politicagem do PT quebraram a Petrobrás e a saída da crise é complicada.
  6. O preço ainda cai pela mudança da fonte na matriz mundial, nestes dois próximos anos pelo arrefecimento da economia nos países emergentes e pela eficiência no consumo pelas questões ambientais. Em 1973 era de 48% sua participação hoje não chega a 33% em viés de queda pelas fontes alternativas. A tecnologia e a consciência ambiental trabalhando pela humanidade.
  7. O preço baixo do petróleo tem sua serventia,pode ajudar os países que enfrentam problemas de baixo crescimento. Alguns países que patinam por erros do passado podem surfar na onda da queda do preço do óleo.
  8. Países como Irã,Venezuela e Rússia podem ter consequências políticas e institucionais dado esta queda, mas pode ser até bom para estes países uma mudança política,mesmo que sangre no primeiro momento.
  9.  O preço hoje na faixa de US$ 60 o barril, deve cair e já há projeção para US$ 40. Vejam a curva:
O Brasil errou muito, quando o preço estava alto a Petrobras bancou parte do consumo, agora com o preço do barril baixo eleva o preço dos produtos. Alguns dizem que no setor energético os erros do PT são maiores do que na economia. Tenho que concordar e há muito  venho falando isso aqui.
Para 2015 e 2016 podemos esperar a volta da CIDE - Clique e leia sobre a CIDE-
O preço baixo e o déficit facilitam este cenário. Anotem ai que teremos mais este imposto ou algo semelhante.
Com relação ao Etanol,muitas empresas quebraram ou estão inviabilizadas pelo alto endividamento nas taxas escorchantes do país. Seguram os preços da gasolina artificialmente e isso tirou a competitividade do etanol. Agora com preços mais  baixos do petróleo a coisa pode se complicar ainda mais para eles. Falta política de governo para segurar esta importante fonte de energia que já teve excelentes momentos.

Setor Elétrico

Previsões e considerações:
  1. No verão de  2014 e 2015 já temos riscos elétricos. Apagão pelo excesso de cargas e pela quebra na chuva esperada,choveu 40% do esperado até agora.
  2.  Abril de 2015, quando voltar o período seco deve haver racionamento. Como o governo não suporta esta palavra, deve colocar nome como programa de eficientização, gerenciamento seletivo da carga, etc. O que deve acontecer de verdade é falta de energia e desligamento seletivo de cargas.
  3. Reservatórios devem continuar em níveis críticos e as térmicas rodando a plena carga sem margem para a manutenção  e encarecendo os custos.
  4. Leilão A-1 fracassou e 85% da energia das distribuidoras estão descobertas gerando mais custos para elas. 
  5. 2015 começam a renovação das concessões das distribuidoras,  vai dar muita discussão de como será o modelo da renovação. Vem ai outra MP 579? Não acredito,o estrago desta foi muito grande para repetição do erro.
  6. A bandeira tarifária é de certa forma um alívio,mas diante desta descontratação o sinal amarelo acende novamente.
  7. O PLD limitado, os limites máximo e mínimo do Preço de Liquidações de Diferenças (PLD) para o ano de 2015 em R$ 388,48/MWh e R$ 30,26/MWh, tem vantagens e desvantagens. A artificialidade da medida e mais uma intervenção são problemas sérios. Clique e leia sobre a resolução da Aneel.
  8. O PDL  mais baixo ajuda a conter um grave problema de "default" que acabaria de vez com o modelo, mas quando falta energia o preço tende ao infinito e esta é a verdade que precisa ser encarada.
  9. A modicidade tarifária tem sua serventia, mas intervenção e artificialismo em preços uma hora são penalizadas pelas leis naturais do mercado. Podem esperar que a conta chega.
Falta energia, esta é a verdade. Obras atrasadas agravam o problema, amenizado paradoxalmente pelo baixo crescimento econômico, mas não se iludam, o consumo residencial não caiu, cresce normalmente e isso será mais um problema corroborando minhas considerações.  Custos altos e riscos da escassez, esta será a toada em 2015 e muito provavelmente em 2016.