sexta-feira, outubro 16, 2026

Modelo matemático-estatístico de projeção eleitoral para o segundo turno de 2026- dia 16/10/2026. Agora é a hora da onça beber água.

 


Gsoto de analisar as pesquisas na reta final, agora sim a estatística funciona bem e a margem de erros é pequena, mas ainda pode existir.

Eu acabei brincando aqui e desenvolvendo um modelo  que  combina os resultados oficiais do primeiro turno por região com uma matriz de hipóteses sobre a transferência dos votos dos candidatos eliminados para Lula e Flávio Bolsonaro, mantendo constantes o comparecimento e o total de votos válidos. Em seguida, aplica cenários de possíveis erros das pesquisas para avaliar quanto a vantagem projetada pode variar. , o modelo aponta Flávio à frente no cenário central, com 51,7% contra 48,3% de Lula, mas deve ser interpretado como uma simulação de cenários, e não como uma previsão estatística definitiva. Se fosse pitonisa era operador em Wall Street, mas agora a esatística é bem real e assertiva. Ela foi feita para isso.

Confio na estatística, sobretudo porque farei a minha previsão. 

Flávio de vencer com uma margem de 4 milhões a 5 milhões , mas pode ser até maior assumindo os erros das pesquisas  em favor de Flávio. Se os erros foram a favor de Lula, ele pode vencer, mas será por muito pequena margem e espero que não aconteça, para o bem do Brasil.

No modelo não considerei a rejeição, acho que mudaria pouco os cenários, mas considerando que a rejeição de Lula é maior , o fato dele aparecer atrás nas pesquisas deve ser pelo teto atingido. 

“Modelo matemático-estatístico de projeção eleitoral para o segundo turno de 2026.” que é  modelo matemático-estatístico que combina os resultados regionais do primeiro turno, hipóteses de transferência de votos dos candidatos eliminados e cenários de erro das pesquisas eleitorais. O objetivo é projetar faixas possíveis de votação para os dois candidatos e avaliar a robustez da vantagem estimada, sem atribuir probabilidades de vitória que ainda não foram estatisticamente calibradas.”




Algumas planilhas elaboradas.

O que pode eliminar a vantagem projetada de Flávio é um erro das pesquisas favorável a Lula, isto é, as pesquisas subestimarem Lula, superestimarem Flávio, ou ocorrerem as duas coisas simultaneamente. No nosso modelo, um desvio de aproximadamente 3,5 pontos na margem já seria suficiente para eliminar a vantagem central de Flávio, o que acho pouco provável esta situação.

Projeção para o segundo turno

Cenário

Flávio Bolsonaro

Lula

Lula favorecido pelo erro

47,94% — 57,0 milhões

              52,06% — 61,9 milhões

Modelo central

51,74% — 61,6 milhões

            48,26% — 57,4 milhões

Flávio favorecido pelo erro

55,54% — 66,1 milhões

            44,46% — 52,9 milhões

Estimativas sobre aproximadamente 119 milhões de votos válidos nas cinco regiões, sem o exterior (muda nada). Os extremos são cenários alternativos, não resultados simultâneos. A faixa é um teste de sensibilidade, não um intervalo de confiança estatístico.

A aplicação do nosso modelo regional de transferência de votos aponta Flávio Bolsonaro com 51,7% dos votos válidos, contra 48,3% de Lula, uma vantagem estimada de 3,5 pontos percentuais. Nesse cenário central, Flávio teria cerca de 61,6 milhões de votos, ante 57,4 milhões de Lula.

Entretanto, a vantagem não é imune aos erros das pesquisas. Se os levantamentos subestimarem o desempenho de Lula e superestimarem o de Flávio, o resultado poderá se inverter. Nos testes de sensibilidade do modelo, o cenário desfavorável a Flávio chega a 52,1% para Lula contra 47,9% para o adversário. No extremo oposto, Flávio poderia alcançar 55,5%, contra 44,5% de Lula.

Nossa projeção, portanto, trabalha com uma faixa de 47,9% a 55,5% para Flávio Bolsonaro e de 44,5% a 52,1% para Lula. O cenário central favorece Flávio, mas a amplitude dos resultados possíveis impede tratar essa vantagem como definitiva.

Esses números não representam probabilidades de vitória. São cenários construídos a partir das transferências regionais estimadas e de possíveis desvios na margem das pesquisas. A conclusão mais prudente é que Flávio começa à frente no modelo, mas Lula ainda pode reverter o quadro se o erro das pesquisas atuar suficientemente a seu favor.

Resultado estimado — corte em 16/10/2026

PROJEÇÃO CENTRAL DO MODELO

Flávio Bolsonaro  51,2%

Lula  48,8%

Diferença central

2,4 pontos

Simulações

10.000

Chance simulada de Flávio superar 50%

68,5%

Faixa central de 90% das simulações

47,1%–55,3%

A faixa se refere à participação simulada de Flávio nos votos válidos. A probabilidade e o intervalo usam uma distribuição normal simplificada, com desvio-padrão de 2,5 pontos percentuais.

Como chegamos ao resultado

Componente

Flávio

Lula

Pesquisas ponderadas

51,0%

49,0%

Cenário regional

51,6%

48,4%

Modelo composto (70% + 30%)

51,2%

48,8%

O componente regional utiliza as hipóteses inseridas na planilha, não uma estimativa definitiva dos votos por região. Isso limita bastante a interpretação do resultado.

Quantos votos isso representaria?

Se aplicarmos a hipótese de comparecimento de 79,5% e de 95% de votos válidos aos 158,7 milhões de eleitores:

Projeção

Votos

Flávio

61,4 milhões

Lula

58,5 milhões

Diferença

2,9 milhões

Esses totais são uma ilustração matemática condicionada às premissas, e não uma estimativa independente do eleitorado que comparecerá no segundo turno.

O modelo inicial (fui corrigindo e melhorando)  apontava uma vantagem central de aproximadamente 2,4 pontos percentuais para Flávio, mas a faixa de incerteza inclui resultados para os dois lados.

O número de 68,5% não deve ser interpretado como uma probabilidade confiável de vitória: a simulação ainda não incorpora integralmente os erros correlacionados entre pesquisas, as transferências individuais de votos e os efeitos do comparecimento. Além disso, o erro histórico de 2,72 pontos está cadastrado na planilha, mas não entra separadamente no cálculo atual somá-lo sem considerar sua sobreposição com os 2,5 pontos poderia contar a mesma incerteza duas vezes.

ponto de partida é a simulação regional que acabamos de fazer:

·         Flávio: 51,74%

·         Lula: 48,26%

·         Vantagem de Flávio: 3,48 pontos percentuais

·         Base: aproximadamente 119 milhões de votos válidos nas cinco regiões, sem o exterior.

Testei erros em sentidos opostos  por exemplo, uma pesquisa superestimar Flávio e subestimar Lula  porque esse é o tipo de desvio que mais pode alterar a conclusão sobre quem venceria. O erro é a única possibilidade de mudar a projeção.

Uma ressalva importante: os erros históricos que discuti, de 5,8 e 7,6 pontos na margem, vêm de poucos casos e não devem ser tratados como uma distribuição estatística já calibrada para a eleição de 2026. Vou usá-los como testes de estresse, não como previsão de que o erro será desse tamanho.

1. Tabela de sensibilidade: modelo + erros das pesquisas

A tabela abaixo aplica desvios à margem entre Flávio e Lula, mantendo constante o total de votos válidos do modelo.

Cenário

Ajuste da margem

Flávio (%)

Lula (%)

Flávio (milhões)

Lula (milhões)

Erro alto contra Flávio

−7,6 p.p.

47,94%

52,06%

57,03

61,94

Erro intermediário contra Flávio

−6,7 p.p.

48,39%

51,61%

57,57

61,40

Erro menor contra Flávio

−5,8 p.p.

48,84%

51,16%

58,10

60,87

Modelo sem ajuste

0,0 p.p.

51,74%

48,26%

61,55

57,42

Erro menor a favor de Flávio

+5,8 p.p.

54,64%

45,36%

65,00

53,97

Erro intermediário a favor de Flávio

+6,7 p.p.

55,09%

44,91%

65,54

53,43

Erro alto a favor de Flávio

+7,6 p.p.

55,54%

44,46%

66,07

52,90

Votos arredondados. Base de 118,97 milhões de votos válidos nas cinco regiões, sem o exterior. Os cenários são testes de sensibilidade, não previsões probabilísticas.

2. Qual é o intervalo resultante?

Intervalo de sensibilidade do modelo

Flávio Bolsonaro

47,94%–55,54%

Lula

44,46%–52,06%

Há ainda uma limitação metodológica: o intervalo de 47,94% a 55,54% é um teste de sensibilidade, não um intervalo de confiança estatístico. Para estimar quem está realmente mais bem posicionado, precisamos ponderar os erros históricos por instituto, verificar se há viés sistemático e estimar a probabilidade de cada candidato vencer.

Para finalizar 

Nosso modelo: probabilidades sob diferentes hipóteses de dispersão

Horizonte da simulação: até 25 de outubro de 2026

1. Parâmetros adotados

  • Centro fixo: Flávio 51,74%; Lula 48,26%.

  • Vantagem inicial de Flávio: 3,48 pontos percentuais.

  • Incerteza de referência na véspera: desvio-padrão de 2,86 pontos na margem, mantido fixo como parâmetro exploratório.

  • Dispersão adicional: varia de 0 a 6 pontos percentuais para representar diferentes magnitudes de movimento eleitoral até a data considerada.

A probabilidade é calculada supondo uma distribuição normal para a margem final, com centro em +3,48 pontos para Flávio e desvio-padrão combinado dado pela raiz da soma dos quadrados das duas incertezas.

Probabilidade estimada de vitória de Flávio - O que mostra que a chance de virada (pelo menos estatisticamente0 é muito improvável. 

Dispersão adicional do movimento

Desvio-padrão total

Flávio vence

Lula vence

0 p.p.

2,86 p.p.

88,8%

11,2%

1 p.p.

3,03 p.p.

87,5%

12,5%

2 p.p.

3,49 p.p.

84,1%

15,9%

3 p.p.

4,02 p.p.

80,7%

19,3%

4 p.p.

4,92 p.p.

76,0%

24,0%

5 p.p.

5,76 p.p.

72,7%

27,3%

6 p.p.

6,65 p.p.

69,9%

30,1%

Probabilidades matemáticas ilustrativas, condicionadas às hipóteses acima. Não são probabilidades empiricamente calibradas nem incorporam uma estimativa validada da distribuição dos erros eleitorais de 2026.


quarta-feira, outubro 14, 2026

18 anos de PT e o estrago no Brasil. É hora de mudar. Chega.

 





Brasil: 2002–2025 — perda de posição econômica e deterioração social

A imagem apresenta um dado importante para discutir a evolução da economia brasileira: países que tinham renda por habitante inferior à brasileira em 2002 passaram a apresentar renda superior em 2025. O indicador utilizado é o PIB per capita ajustado pela Paridade do Poder de Compra (PPC), em dólares internacionais constantes de 2021.

A análise permite discutir perda de dinamismo econômico, produtividade, renda e consequências sociais. Mas é importante separar os números comprovados da interpretação política: a imagem não demonstra, sozinha, que um partido destruiu o país, nem que todos os indicadores sociais pioraram durante todo o período.

1. O dado central da imagem

Brasil em 2002

US$ 14.266

PPC, dólares internacionais de 2021

Brasil em 2025

US$ 20.025

PPC, dólares internacionais de 2021

Variação acumulada entre os dois anos

+40,4%

O PIB per capita brasileiro aumentou em termos reais nesse intervalo, mas a renda de outros países cresceu mais rapidamente.

Fonte primária: Banco Mundial, indicador GDP per capita, PPP (constant 2021 international $), código NY.GDP.PCAP.PP.KD. A base apresenta dados para o Brasil e outros países até 2025.

O ponto principal não é que o Brasil ficou necessariamente mais pobre em termos absolutos, mas que cresceu menos do que países que partiam de níveis de renda inferiores, em diferentes casos.

2. Quais países ultrapassaram o Brasil?

Segundo os números apresentados na imagem, 14 países que estavam abaixo do Brasil em 2002 aparecem acima dele em 2025.

País

PIB per capita em 2025 (PPC)

Guiana

US$ 83.659

Belarus

US$ 29.666

Maurício

US$ 28.770

Sérvia

US$ 27.603

Geórgia

US$ 25.136

Macedônia do Norte

US$ 25.095

China

US$ 25.067

República Dominicana

US$ 24.543

Maldivas

US$ 24.401

Albânia

US$ 22.724

Tailândia

US$ 22.432

Azerbaijão

US$ 22.314

Bósnia e Herzegovina

US$ 21.178

Armênia

US$ 21.153

Brasil

US$ 20.025

Fonte dos valores: Banco Mundial, indicador de PIB per capita PPC constante de 2021. Os números acima reproduzem a imagem enviada.

Um destaque é a China: passou de US$ 4.744 em 2002 para US$ 25.067 em 2025, segundo a imagem. O Brasil, por sua vez, passou de US$ 14.266 para US$ 20.025.

Isso representa uma diferença importante de trajetória econômica. A China combinou industrialização, exportações, investimento e ganhos de produtividade em escala muito superior à brasileira.

Uma ressalva: a lista da imagem não é um ranking de todos os países que ultrapassaram o Brasil. Ela mostra uma seleção de países que estavam abaixo dele em 2002. Portanto, não se deve usar o número 14 como total mundial sem consultar a série completa.

3. A recessão de Dilma foi pior que a pandemia?

Aqui existe um dado forte, mas é preciso distinguir a duração da crise da intensidade da queda anual.

Queda do PIB brasileiro

2015

−3,5%

PIB real

2016

−3,3%

PIB real

2020

−3,3%

PIB real, série revisada

Entre 2014 e 2016, o PIB brasileiro acumulou queda de aproximadamente 6,7%, conforme a divulgação do IBGE sobre as contas regionais.

O Banco Mundial também comparou as duas crises: o PIB real per capita caiu 4,4% em 2015 e 4,7% em 2020, segundo seu relatório sobre pobreza e desigualdade no Brasil.

Mirando o futuro após duas crises

  • Crise de 2014–2016: recessão prolongada, com dois anos consecutivos de forte contração, queda do investimento e deterioração do mercado de trabalho.
  • Pandemia de 2020: choque sanitário e econômico excepcional, com restrições de mobilidade, perda de ocupação e forte impacto sobre os serviços.
  • Conclusão técnica: a crise de 2014–2016 foi mais longa e produziu uma queda acumulada expressiva. Entretanto, não é correto afirmar, sem especificar o indicador, que foi pior do que a pandemia em todos os aspectos.

Fontes: IBGE — PIB de 2015 e Banco Mundial — Relatório de Pobreza e Equidade.

4. Os indicadores sociais pioraram?

O quadro histórico é misto. Há evidências de deterioração social durante a recessão de 2014–2016, mas também de avanços em determinados indicadores antes e depois desse período.

Indicador

Evidência documentada

O que significa

Desemprego

A taxa de desemprego estimada pelo Banco Mundial passou de 6,8% em 2014 para 11,6% em 2016.

World Development Indicators

Forte deterioração do mercado de trabalho.

Desigualdade

O índice de Gini do Banco Mundial passou de 52,1 em 2014 para 53,4 em 2016.

World Development Indicators

A distribuição de renda ficou mais desigual nesse intervalo.

Pobreza

O Banco Mundial documentou que a crise de 2014–2016 interrompeu o avanço na redução da pobreza.

World Bank

O crescimento econômico insuficiente prejudicou os ganhos sociais.

Pandemia

Em 2020, o nível de ocupação caiu para 51%, o menor da série citada pelo IBGE naquele levantamento.

Agência de Notícias

A pandemia provocou um choque severo no emprego.

Recuperação social

Em 2023, a pobreza caiu de 31,6% para 27,4%, e a extrema pobreza, de 5,9% para 4,4%, segundo o IBGE.

Jovens - IBGE

Houve melhora recente, que precisa ser reconhecida na comparação histórica.

A fonte para aprofundar a análise é a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, que reúne dados sobre renda, educação, trabalho, desigualdade e condições de vida.

Na eleição vale tudo? O pacote de perdão de dívida e pix de R$ 5 mil é tentativa de compra de votos. Vai funcionar?

 


O PT está há 18 anos no poder - 2002 até 2026 tirando 6 anos de Temmer (2) e Bolsonaro (4). Fizeram um estrago e a conta será salgada no futuro, seja quem for o próximo presidente. 

Vamos falar do que está acontecendo agora. O desgaste de material do PT e de Lula, há 40 anos enganando e mentindo para o povo humilde e, inacreditável, para uns mais esclarecidos que não conseguem enxergar o mal que este sujeito fez ao Brasil.

A compra escancarada de votos, proibida pela justiça eleitoral e um absurdo passou de todos os limites.

O caso do Bolsa família já fiz uma tese. E quem não recebe o Bolsa Família? Ficará satisfeito? O rsico de tiro no pé é grande.

E este pacote agora? Pode seguir a mesma toada, vamos ver.

 Fiz do mesmo jeito da análise do Bolsa Família. E a conta aqui é ainda mais gritante.

Vamos aos números oficiais de hoje:

O tamanho do Brasil MEI:

* 17,163 milhões de MEIs no Brasil em junho de 2026   • Outra contagem oficial fala em 17,6 milhões cadastrados  

Quem deve e vai ser perdoado:

* 3,6 milhões de MEIs com dívida na Dívida Ativa da União - são os que o PLP quer perdoar, total de R$ 12,6 bilhões  

Então:

* Beneficiados diretos pelo perdão: 3,6 mi / 17,16 mi = ∼21% de todos os MEIs •

Quem pagou em dia e NÃO ganha nada com o perdão: ∼13,5 milhões, ou 79%

Se contar só quem está ativo de verdade (o Sebrae sempre fala que dos 16-17 mi cadastrados, uns 12 mi estão realmente ativos), a proporção piora: 3,6 mi devedores em 12 mi ativos = 30% de caloteiros sendo premiados.

E tem mais dois benefícios que só quem deve pega:

1. Desenrola 3.0 privado: mais ∼3 milhões de MEIs endividados com bancos vão poder ter desconto de 90%   2. Pix MEI de R$ 5 mil: vai para quem está dentro do programa - de novo, o foco é no endividado  Quem vai ficar indignado?

O MEI correto. Porque:

1. Ele já paga muito e o valor não é reajustado: o DAS é fixo, mas o teto de R$ 81 mil está congelado desde 2018. Quem fatura R$ 82 mil já tem que virar ME e pagar muito mais imposto. Ele se segurou para não estourar o teto, pagou tudo em dia, e vê o vizinho que estourou, não pagou, e vai ter perdão.

2. A taxa de adimplência do MEI é baixíssima historicamente. O Simples Nacional já mostrava que só 58,39% dos MEIs estavam adimplentes em 2024, em algumas cidades chega a 69,92%. Ou seja, quase metade do Brasil MEI já não paga. Agora a mensagem é: se você ficou nesses 50-60% que pagaram, você foi trouxa. 

3. É diferente do Bolsa Família. No Bolsa, o aumento beneficia quem está dentro do critério de pobreza - quem ganha mais não tem direito mesmo. No MEI, é o contrário: o benefício vai exatamente para quem DESCUMPRIU a regra (não pagou o DAS). Quem cumpriu a regra fica de fora.

É por isso que a indignação que você previu é real. Na lógica do empreendedor certinho:

"Eu deixei de comprar material, deixei de investir, para pagar R$ 75 de DAS todo mês. O cara que não pagou deve R$ 3 mil em média e agora vai ter tudo zerado e ainda ganhar R$ 5 mil de Pix?" 

Economicamente, é o que a gente chama de risco moral. Você cria incentivo para não pagar na próxima vez, porque o governo já perdoou em 2023, 2024 com o Desenrola e agora de novo em 2026

Tradução da indignação:

De cada 5 MEIs, 1 deve e vai ser premiado e 4 pagaram certinho e não ganham nada do perdão.

O correto pagou R$ 4.500 nos últimos 5 anos para ter direito a aposentadoria e CNPJ limpo. O devedor não pagou esses R$ 4.500, ficou com o nome sujo, e agora o governo vai limpar os R$ 3.500 de dívida dele e ainda dar mais R$ 5 mil.

É por isso que o sentimento é de injustiça - diferente do Bolsa Família, onde quem está fora não tinha direito por ter renda maior. Aqui quem está fora é justamente quem cumpriu a obrigação

É por isso que a indignação que você previu é real. Na lógica do empreendedor certinho:

"Eu deixei de comprar material, deixei de investir, para pagar R$ 75 de DAS todo mês. O cara que não pagou deve R$ 3 mil em média e agora vai ter tudo zerado e ainda ganhar R$ 5 mil de Pix?" 

Economicamente, é o que a gente chama de risco moral. Você cria incentivo para não pagar na próxima vez, porque o governo já perdoou em 2023, 2024 com o Desenrola e agora de novo em 2026

O pacote alcança quantas pessoas de fato?

A distinção importante é entre o universo potencial de MEIs e quem recebe uma vantagem concreta.


Fonte: Ministério do Empreendedorismo, FAQ do Prospera MEI.

O ponto de equilíbrio eleitoral

Vamos reproduzir o cálculo que utilizamos para o Bolsa Família.

Para simplificar, adotamos o cenário de 17 milhões de MEIs e 158,7 milhões de eleitores. Nesse exercício, consideramos todos os MEIs como eleitores distintos, hipótese favorável ao alcance do programa.

Se Lula conquistar três pontos percentuais adicionais entre os 17 milhões de MEIs, o ganho teórico será de 510 mil votos. O ganho real poderá ser menor, pois nem todos receberão benefícios e nem todos mudarão seu voto.

Simulação eleitoral , hipótese, não previsão

Ganho entre MEIs  +510 mil  +3 pontos percentuais

Eleitores fora do MEI  141,7 mi  Base aproximada

Perda necessária para neutralizar o ganho  −0,36 p.p.

Uma perda média de aproximadamente 0,36 ponto percentual entre os eleitores fora do universo MEI seria suficiente para neutralizar o ganho teórico de 510 mil votos.

A tabela abaixo mostra como esse equilíbrio muda conforme o ganho de Lula entre os MEIs.

VCalculados com 17 milhões de MEIs e 141,7 milhões de eleitores fora desse universo.

O resultado é politicamente interessante: um ganho relativamente pequeno entre os MEIs pode ser neutralizado por uma variação muito pequena entre os demais eleitores.

O pacote pode provocar uma reação negativa?

Existem quatro mecanismos possíveis.

1. Ganho direto entre os beneficiados

O perdão de dívidas e o dinheiro não reembolsável do PixMEI são benefícios concretos. Podem melhorar a percepção do governo entre quem efetivamente conseguir resolver um problema financeiro.

2. Trabalhadores semelhantes ficam de fora

Um autônomo informal ou pequeno comerciante que não se enquadra no MEI pode perguntar por que seu endividamento não recebe tratamento semelhante. Esse é o principal canal de possível reação negativa.

3. Percepção de justiça e responsabilidade fiscal

O cancelamento de dívidas pode ser recebido positivamente por quem está endividado, mas também pode gerar críticas de quem pagou seus tributos em dia. A dimensão eleitoral dependerá de como os custos, os critérios e a justificativa do programa forem percebidos.

4. Anúncio versus benefício efetivamente recebido

Se a população perceber o anúncio como uma promessa sem implementação rápida, o efeito eleitoral poderá ser inferior ao esperado. Isso é particularmente relevante para o PixMEI, cuja previsão é atender até 1 milhão de pessoas ao longo de quatro anos.

 A conferir